A irreversibilidade do plano de eletrificação dos automóveis que conduzimos quotidianamente subentende-se no programa de ação do consórcio BMW para os próximos anos, com 2025 na linha do horizonte. O objetivo do plano é vendas anuais de 15 a 25% de carros eletrificados em meados da década de 2020, cumprindo-se mão cheia de etapas, como a introdução de legislação que acelere a eletromobilidade, a adoção de incentivos à compra e, também, a instalação de infraestrutura com número suficiente de pontos para (re)carregamento das baterias. A Mini entra no projeto, com a produção de versão 100% elétrica da berlina compacta de 3 portas a partir de 2019, em Oxford, Inglaterra, com a maioria dos componentes importados da Alemanha.
Obviamente, o plano da BMW é muito mais ambicioso: mantendo-se o rumo, introdução do híbrido i8 Roadster durante o próximo ano, em simultâneo com a atualização do coupé produzido de série desde 2014 (entre as novidades, aumento na potência de 362 cv para 400 cv), versão elétrica do X3 novo em 2020 e iNEXT, 3.º membro da família «i», em 2021. Neste caso, combinado com a propulsão elétrica, pacote de tecnologias de ponta para possibilidade de condução (quase) autónoma. O Cooper S E Countryman não faz parte deste programa, mas acelera a disseminação da fórmula elétrica de consórcio que prevê comercializar 100.000 automóveis eletrificados em 2017. Confirmando-se este número, no final do ano, 200.000 BMW e Mini híbridos ou elétricos em circulação nos quatro cantos do Mundo. O Sport Activity Vehicle (SAV) da marca inglesa é produzido na Holanda.

O Cooper S E Countryman ALL4 é o início de caminho para a mudança de paradigma necessária no automóvel, com travagem rápida na dependência do motor de combustão interna e dos combustíveis fósseis para desaceleração expressiva no consumo e nos gases de escape. O 1.º híbrido da Mini não acumula esse título com o de 1.º modelo da marca com tecnologia plug-in para (re)carregamento das baterias de iões de lítio em terminal da rede pública ou numa tomada doméstica, embora conte com o sistema. Ra- zão: paradoxalmente, na história mais recente do construtor, encontramos automóvel com esse recurso! O E de 2008 dispunha de motor elétrico com 150 kW/204 cv e foi produzido em edição limitada a 600 exemplares, testados nos EUA (na Califórnia e em Nova Iorque) e em meia dúzia de países europeus, incluindo Alemanha, França e Grã-Bretanha.
O E acelerava de 0 a 100 km/h em 8,5 s e, para proteção da autonomia, tinha velocidade limitada eletronicamente a 152 km/h. A marca prometia 250 km de ação entre recargas das baterias de iões de lítio, com 35 kWh. O pacote era enorme e limitava a lotação a 2 lugares. No Cooper S E Countryman, bateria muito mais pequena, com somente 7,7 kWh e só 42 km de condução EV. No entanto, a lotação de 5 lugares mantém-se. Outro exemplo da (r)evolução entre 2009 e 2017: o Mini E pesava mais 335 kg do que o Cooper S, mas o Cooper S E Countryman tem apenas mais 125 kg do que o Cooper S Countryman ALL4 Auto.
A eletrificação do Mini Countryman, verdadeiramente, penaliza apenas a habitabilidade e o volume da mala: os bancos posteriores apresentam-se sobrelevados, na comparação com as demais versões do automóvel, devido à localização da maioria dos componentes do sistema elétrico, que também elimina a possibilidade de regulação longitudinal dos assentos. O depósito tem menos capacidade (35 litros em vez de 45) e o volume da bagageira diminuiu de 450 litros para 405, na configuração normal do compartimento, ou de 1390 litros para 1275, rebatendo-se os encostos de trás.
Três modos de gestão, três modos de condução
Tecnicamente, este Cooper S E Countryman ALL4 é 100% igual ao 225xe iPerformance Ative Tourer da BMW, o automóvel com que partilha tanto a arquitetura UKL como o pacote híbrido, com motor 1.5 Turbo a gasolina apoiado por motor elétrico, bateria de iões de lítio e caixa automática de 6 velocidades – a eletrificação do eixo posterior garante quatro rodas motrizes (ALL4). Em comando na consola, à esquerda do seletor da ignição, encontra-se o eDrive, botão para seleção dos três programas de gestão da energia: Auto eDrive, MAX eDrive e Save Battery. E, de série, também existem três modos de condução (MID, Sport e Green), que intervêm no funcionamento de caixa, direção, luz ambiente, sensibilidade do acelerador e velocidade da climatização. Nem a suspensão desportiva nem o amortecimento Dynamic Damper Control (500 €) figuram entre os opcionais para versão com suspensão (firme) que privilegia muito mais a dinâmica na condução do que o conforto de rolamento, como é habitual nos Mini.

Passo a passo, o Auto eDrive permite-nos conduzir de forma elétrica até aos 80 km/h, com intervenção do motor de combustão apenas acima daquela velocidade ou pressionando-se o acelerador de forma vigorosa (também atua quando o nível de carga na bateria é igual ou inferior a 7% da capacidade total, que não excede 5,7 dos 7,7 kWh); o MAX eDrive admite condução elétrica até 125 km/h, com entrada em cena do 3 cilindros a gasolina só nas condições descritas anteriormente; o Save Battery mantém a energia na bateria acima de 90%, por isso trabalhando somente o 1.5; assim, poupa-se eletricidade para a condução em ambientes urbanos, prometendo-se-nos até 42 km de ação livre de gases de escape (falando-se mais realisticamente, conte-se com menos de 30 km – no nosso teste, 23 km em modo EV, contabilizados na média de 5,4 l/100 que indicamos). Em resumo, não precisamos de licenciatura em engenharia automóvel ou eletrónica para desfrutarmos do potencial tecnológico (enorme) que temos nas mãos.
O Cooper S E Countryman ALL4, comparado com o Cooper S Countryman ALL4, perde na velocidade máxima (198 e 222 km/h, respetivamente), mas ganha no 0-100 km/h, com 6,8 s declarados para o primeiro e 7,2 s para o segundo. Os números explicam-se: no híbrido plug-in, o motor elétrico desliga-se acima de 135 km/h – portanto, 224 cv a galope só até esse limite! –, e o escalonamento da caixa privilegia a agilidade, conduzindo-se a velocidades legais. Dinamicamente, a versão mais pró-ambiente do SUV compacto não compromete a imagem da marca inglesa, movimentando-se sempre com rapidez e precisão acima da média nas estradas sinuosas (beneficia do baixo centro de gravidade, da capacidade da suspensão nas transferências de massa e da precisão da direção) e de forma estável em autoestrada(s). Os 165 mm de altura livre ao solo e os ângulos específicos modestos aconselham (-nos) prudência, saindo-se do asfalto para conduzir fora de estrada.