A Mitsubishi recuperou do seu espólio de velhas glórias um nome que foi de coupé compacto para batizar crossover da moda. O novo Eclipse movimenta-se na órbita do sucesso emocional que é o Qashqai, com imagem e medidas a condizer. Aliás, sublinha a marca japonesa dos três diamantes que o seu novo SUV não substitui o conhecido ASX, por posicionar-se na gama um pouco acima daquele, imediatamente abaixo do Outlander, e em linha com o referido best-seller da Nissan.

Não obstante a linha de silhueta da carroçaria em formato de coupé, o Eclipse Cross tem imagem mais imponente e mais 11 cm de comprimento do que o ASX, acrescentando 2,4 cm à largura e 7 cm à altura. A plataforma e a distância entre eixos (2,670 metros) são exatamente as mesmas. Só na conceção do habitáculo diferem.
No interior destaca-se a qualidade de construção, nivelada claramente pelo seu parceiro de gama imediatamente acima, o Outlander, e menos pela do ASX. O painel de bordo sobressai por estar muito bem construído, com montagem isenta de falhas, e o ambiente a bordo é caracterizado pela sobriedade, mas a imagem é mais moderna do a que estamos habituados na Mitsubishi.
Já na dotação de equipamento de série, a abundância habitual nos modelos da casa japonesa, destacando-se as jantes de liga leve de 18’’ com pneus 225/55 R18, os sistemas de auxílio ao arranque em subida, de alerta de saída involuntária de faixa de rodagem, de colisão (alertas visual e sonoro, mas sem ação nos travões), sensores de estacionamento, acesso sem chave e sensor de luz e chuva.

Por outro lado, e partindo da mesma distância entre eixos, não se operou milagre da multiplicação das cotas interiores. A dotação de espaço nos lugares posteriores, sem ser referencial, não causa constrangimentos à habitabilidade.
E há truque que valoriza a modularidade daquele habitáculo: o banco traseiro move-se em calhas de 20 cm, permitindo gerir a volumetria para carga ou a habitabilidade para os passageiros. Assim, a capacidade da bagageira pode configurar-se em três medidas (378-485-1122 litros, a terceira rebatendo-se os encostos).
Para já, o 1.5 Turbo a gasolina é o único motor disponível na gama do novo SUV, associado a caixa automática de 8 relações ou equipado com caixa manual de 6 velocidades, que revelou funcionamento eficaz, engrenagem rápida e precisa, com seletor à mão de semear, em posição elevada na consola entre os bancos dianteiros. É a esta boa caixa que recorremos nas raras ocasiões em que sentimos necessidade de espicaçar a mecânica para não deixar cair os regimes do 1.5 turbo a gasolina, um motor 100% novo, que tem tudo para dar certo... A debitar bons 163 cv, o 4 cilindros japonês responde com contundência logo acima das 1600 rpm, estando a totalidade do binário máximo (250 Nm) disponível e constante das 1800 às 4500 rpm. Depois, é extremamente suave, nada ruidoso. Só não é Diesel…

Os consumos do Eclipse Cross não são referenciais, considerando a média aferida acima dos 7 litros/100 km, por muito que as acelerações lestas desde baixos regimes e retomas de velocidade fáceis e igualmente rápidas possam servir como atenuante…
Nestes ritmos de condução mais rápidos, em troços sinuosos, também pudemos comprovar que o Eclipse Cross tem uma consistência dinâmica que o AXS não terá. Apesar de maior, o novo SUV sente-se mais ágil e com outra estabilidade, pela ótima rigidez estrutural e beneficiando de uma altura ao solo inferior para curvar sem excessos de inclinação de carroçaria. Já a afinação de compromisso entre dinâmica e conforto de rolamento, traduz-se em algumas reações mais firmes sobre piso irregular.