Não sendo uma série especial muito elaborada ou recheada de equipamentos, esta proposta Black Edition consegue oferecer aos modelos Corsa, Opel Mokka X e Astra uma imagem menos convencional, o que pode convencer clientela que procura expressar alguma irreverência através do automóvel que conduz. Não que estejamos a falar de tratamento estético arrojado, nada disso, trata-se apenas da aplicação de alguns elementos em preto na carroçaria que acabam por conferir aos modelos referidos uma aparência menos convencional.
Ora, a série especial Black Edition distingue-se pelo tejadilho, jantes e capas dos espelhos retrovisores em tinta preta e verniz ultra brilhante. São poucos, é certo, mas estão posicionados em locais-chave do automóvel, pelo que é praticamente impossível não reparar neles. E tratando-se de uma série especial meramente estética, é mesmo isso que se pretende!
Coube-nos em sorte avaliar o Opel Astra 1.0 Turbo Black Editon, neste caso baseado no nível de equipamento Dynamic Sport, sendo proposto por 22.820 euros, valor ao qual acresce a pintura do tejadilho em preto (500 €) e a pintura metalizada para o resto da carroçaria (550 €). De referir que a carroçaria pintada em duas cores é novidade absoluta na gama Opel Astra e que esta série especial está também disponível para a carroçaria Sports Tourer do Astra.

No caso da unidade que testámos, há que fazer elogios à mecânica tricilíndrica com 105 cv, bastante silenciosa e agradável de utilizar, com força desde baixos regimes, não mostrando fragilidades importantes nas acelerações ou recuperações (não é um foguete, naturalmente, pois o nível de potência e de binário não é elevado), pelo contrário, mostra sempre uma atitude progressiva e linear, que ainda melhora depois nos regimes intermédios.
Contudo, por vezes parece-nos que a caixa de velocidades com apenas cinco relações poderá não ser a melhor solução, pois às vezes o motor pede uma 6.ª, o que talvez até pudesse diminuir um pouco o consumo médio. Durante a realização do nosso teste apurámos gasto de combustível de 6,5 litros a cada 100 quilómetros, o que acaba por ser um pouco exagerado ao valor anunciado (4,4 l). Nada de muito grave, contudo, e alinhado com a oferta da concorrência. Aplauso merece, todavia, a suavidade da caixa de velocidades, muito suave na inserção das relações, bem como o seletor onde a comandamos, preciso e de trato fácil.
Uma das grandes virtudes desta geração do Astra é a leveza estrutural que lhe permite destacar-se na agilidade e facilidade com que se deixa conduzir. É certo que este modelo subiu muitos furos em qualidade ao anterior, mas somos tentados a dizer que o desempenho dinâmico terá sido o fator que mais evoluiu, estando ao nível do que a concorrência premium oferece. E dizer isto, é dizer já muito sobre a qualidade do chassis do familiar compacto alemão.
A mecânica que testámos não tem, naturalmente, patanisca para avaliar convenientemente o chassis, mas conhecemos bem o Astra, até porque já conduzimos versões bem mais potentes, e desta feita só confirmámos tudo o que de bom já sabíamos: estabilidade elevada em reta a velocidade elevada, frente muito precisa, facilmente comandada por direção sem folgas e equilíbrio em curva sem aquela acentuada tendência subviradora que ainda caracteriza muitos carros com tração dianteira.
Depois, há ainda que louvar o muito bom trabalho dos técnicos alemães no tratamento das suspensões (trem dianteiro McPherson e traseiro com ligação Watt – eixo rígido mais elaborado do que os tradicionais), que pisam de forma mais aveludada em qualquer tipo piso, processando com uma suavidade assinalável os impactos resultantes de lombas sonoras ou buracos. Em suma, o Astra oferece um dos melhores compromissos entre conforto e eficácia dinâmica desta muito competitiva categoria.