A terceira geração do Mini Hatchback, no ativo desde 2014, inicialmente só com três portas, depois também com cinco, variante inédita na história de seis décadas deste modelo icónico, foi submetida a atualização que moderniza sem romper. Desde logo, preservando as qualidades dinâmicas que vêm desde o Mini clássico, tão apreciadas por adeptos da condução desportiva.
As novidades vão ao encontro das tendências do mercado: (ainda!) mais soluções de personalização, com possibilidade de instalar placas em plástico, tanto no exterior, como no interior, com desenhos ou inscrições à escolha do proprietário (incluindo o seu nome), uma das muitas previstas no programa especial Mini Yours Customised. Na frente do capot está agora emblema novo e também o estreante sistema de iluminação com função Matrix LED para os máximos (entre os opcionais) e na traseira o destaque vai todo para os farolins com o desenho da Union Jack, a bandeira do Reino Unido.
Exclusivamente para o mercado nacional, a Mini foi mais longe ao criar um acabamento à medida das preferências lusas, a linha Sport Edition, que acrescenta uma série de equipamentos valiosos sem carregar muito no preço, como o volante, jantes e bancos desportivos JCW, ou o novo ecrã redondo, de 6,5’’, ao centro/baixo da consola, que passa a estar disponível desde as versões mais básicas.
Num interior que já tinha progredido em ergonomia na passagem de testemunho entre a segunda e a terceira gerações, não há muitas mais novidades. O painel de bordo tem apresentação que caracteriza os modelos da nova idade da Mini no Grupo BMW, jovial e com muito... para ver, mas com todos os elementos distribuídos de forma intuitiva e qualidade geral dos materiais que impressiona. Os bancos dianteiros são excelentes, ajustam-se em altura e profundidade e no apoio para as pernas, garantindo posição de condução como mandam as regras. A bagageira também cresceu na 3.ª geração, mas ainda continua... míni. Nada de novo.
No capítulo das motorizações idem; apenas um par de mexidas, como é exemplo a revisão do rendimento dos motores de 3 cilindros (mais 10 Nm) ou a adoção do uma eficiente caixa automática de 7 velocidades, de embraiagem dupla, como alternativa à caixa manual de 6 nos motores a gasolina. Significa que o acesso à gama Diesel do atualizado Mini de 3 portas se faz através deste One D, com Diesel de 1,5 litros e de três cilindros, que tem sonoridade perfeitamente normal, sem matraquear. Mérito, obviamente, dos engenheiros da marca britânica, que através da adoção de um pêndulo centrífugo no volante do motor bimassa conseguiram apagar o aborrecido ruído típico dos (mais antigos) três cilindros e alcançar mesmo níveis de refinamento pouco vulgares em mecânicas com esta arquitetura.
É verdade que esta versão de 95 cv pode não ter a genica das congéneres com a assinatura Cooper, mas não compromete e acrescenta-lhes consumos inferiores e um preço interessante para modelo que não é premium apenas na imagem diferenciada. O turbodiesel menos potente exibe funcionamento linear, com progressão célere na faixa de regime, por ação do turbo, destacando-se pela boa capacidade para retomar velocidade mesmo a baixas rotações, numa condução descontraída, sem recurso muito frequente à caixa de velocidades. Depois, parece andar apenas com o cheiro do gasóleo, conseguindo-se médias de consumo realmente baixas. Com facilidade se conduz com média de 5 l/100 km e só se afasta um nadinha da frugalidade quando se pratica condução mais exigente. Mesmo assim, sempre muito contido.
Se é mecânica com pulmão suficiente para colocar à prova automóvel que tem ADN desportivo? Não é! A saúde do chassis chega e sobra, como nos primeiros quilómetros se percebe, para o desempenho da mecânica. Com muito baixo centro de gravidade, rodas bem puxadas aos extremos da carroçaria, o Mini de 3 portas tem a Física a seu favor, mantendo-se sempre muito estável e com ótima aderência, movimentando-se sempre com rapidez e precisão acima da média nas estradas sinuosas e de forma estável em autoestrada. Haja pulmão… Mas, a verdade é que o mais acessível dos Mini a gasóleo não tem a condução divertida dos seus irmãos com mais poder de fogo.