A procura de Sport Utility Vehicles (SUV) não pára de aumentar no mercado europeu. Durante o 1.º semestre de 2018, na comparação com o período janeiro-junho de 2017, as vendas aceleraram 24%, para 2,92 milhões de matrículas, número que representou progresso expressivo da quota, de 27,9% para 33,7%. Logo, atualmente, trata-se de formato obrigatório, perseguindo-se protagonismo continente. A Ford é a 3.ª marca mais popular na região (573.250 carros em seis meses), atrás de Renault (624.250) e VW (988.507) e tem modelo no top-5, o Fiesta (4.º, com 157.286).
Observando-se só o comportamento dos SUV, subcompactos no topo da procura. A Ford tem o EcoSport na categoria, mas este automóvel atualizado muito recentemente, intervenção que coincidiu com início da produção em Craiova, na Roménia, não consegue aproximar-se dos níveis de popularidade das referências Captur, 2008 ou Duster. E, assim, na caçada de (mais) clientes, há cão, há gato!

Na geração nova do Fiesta, a 7.ª desde 1976, a Ford tem carroçaria inspirada nos crossovers, que batizou com nome própria (Active), precisamente para diferenciação dos demais membros da família. Entre a meia dúzia de elementos específicos do modelo, 18 mm de altura livre ao solo – menos de 2 cm...! –, na comparação com a berlina compacta de 5 portas e proteções inferiores negras tanto nos guarda-lamas como nos para-choques (anteriores e posteriores). Em opção, barras cromadas ou pretas no tejadilho (152 €) e, no teto, pintura contrastante com a carroçaria (254 €), com três alternativas inscritas na tabela de extras: branco, preto e vermelho.
O Active, dinamicamente, aproxima-se muito mais de qualquer Fiesta que dos SUV e dos TT, característica que não espanta, considerando a base do automóvel, e desaconselha práticas extremas fora de estrada. Ainda assim, o modelo da Ford apresenta-se equipado com sistema exclusivo que permite selecionar três modos de condução num seletor com dimensão míni na consola entre os bancos dianteiros: Normal, Eco e Escorregadio. O programa intervém no funcionamento do controlo de tração e garante-nos alguma liberdade de movimentos, se circularmos sobre gravilha e terra, que limitam a aderência.

Contrariamente ao que acontece nas versões mais equipadas do EcoSport, o Active não tem recursos técnicos/tecnológicos para condução fora de estrada, nomeadamente tração integral ou controlo de descida de declives. Pior: de série, pneus (de verão…) muito mais competentes no asfalto. Mas, qual é o número de proprietários de crossovers e SUV que acelera, regularmente, sobre areia ou terra, arriscando estragar o automóvel, ainda que apenas ligeiramente? Na dinâmica, Fiesta igual a Fiesta, sem surpresa... O Active comporta-se de forma saudável, movimentando-se ágil, silenciosa e suavemente em pisos regulares, características que deve à adoção de soluções específicas que compensaram os 18 mm suplementares na altura (livre) da carroçaria ao solo. Por exemplo, a largura das vias aumentou 10 mm, as barras das estabilizadoras e as molas são novas e até a direção com assistência elétrica tem regulação à medida.
Finalmente, o motor. Enquanto a popularidade dos crossovers e dos SUV continua a aumentar, a procura de mecânicas a gasóleo não pára de diminuir. Recuperando as vendas de automóveis novos na Europa durante o 1.º semestre do ano, as matrículas de Diesel travaram mais 17%, na comparação com o mesmo período de 2017, com a quota de mercado a atingir os 37%, o nível mais baixo desde 2001! A Ford, com o excelente 1.0 EcoBoost, contribuiu de forma ativa para este fenómeno.

O 3 cilindros combina injeção direta e sobrealimentação turbo e, no Fiesta Active, trabalha de forma mais do que satisfatória, criticando-se-lhe apenas o excesso de ruído e vibrações a frio e ao ralenti. No demais, fôlego e reação rápida q.b. aos movimentos no pedal do acelerador, o que origina condução com conforto e genica que surpreende, considerando a dimensão pequena do propulsor. O escalonamento da caixa manual de 6 velocidades (elogia-se a preci- são do seletor) contribui para estas qualidades e, também, para a moderação nos consumos, com média de 6,8 l/100 km, conduzindo sem preocupações... Mas, atenção, prudência: puxando pela mecânica, superapetite!
O Fiesta Active, na versão «+», apresenta-se bem equipado. De série, bancos com revestimento parcial em pele, sistema B&O Play da Bang & Olufsen, empresa dinamarquesa que produz imagem e som de altíssima qualidade, ecrã tátil de 8’’, a cores, no centro do painel de bordo, etc. Entre os apoios eletrónicos à condução, aviso para saída de estrada com manutenção na faixa e reconhecimento de sinais. Na dinâmica, no conforto e na qualidade, Ford no topo do segmento B, entre as referências.