Mercedes-Benz EQC

Sustentável peso do ser

TESTE

Por Paulo Sérgio Cardoso 28-11-2020 09:15

Fotos: Gonçalo Martins

Será um Mercedes ou mais um automóvel elétrico? Habituemo-nos e habitemos a questão, pois o futuro terá mesmo de passar por aqui – especialmente se as marcas também quiserem continuar a fazer sonhos poluentes, que no caso da Mercedes inclui manter a linha AMG.

O EQC é o primeiro modelo 100% elétrico desenvolvido de raiz pela Mercedes (que já teve versão elétrica do Classe B), não podendo fugir à moda dos SUV, segmento de arranque desta e de outras marcas (casos de Audi e-tron, Jaguar I-Pace e do Tesla Model X logo a seguir ao S) que, diga-se, não será o formato (por ser volumoso e pesado) mais apropriado a dar as mãos a tecnologia ambientalmente sustentável. Só que a dita moda fala mais alto e o cliente pode pagar. Muito. Não se coaduna (reforcemos), porque a tecnologia elétrica tem nos ambientes citadinos o palco de eleição, e desde logo ajuda a compreender o contrassenso inicial deste potente SUV de 408 cv (capaz de acelerar de 0-100 km/h em apenas 5 segundos!) estar limitado a 180 km/h, e por o seu consumo médio em autoestrada (a não mais que os regulamentares 120 km/h) rondar os 30 kWh/100 km, fazendo com que a carga na grande bateria de 80 kWh se esfume, neste cenário de ação, em menos de 300 km.

Mas, o que tem o EQC para nos dar a mais do que, por exemplo, o GLC? Níveis de conforto e serenidade soberbos, com insonorização à prova de qualquer crítica, ajudada pela presença de vidros laminados a que se junta a ausência de barulho mecânico. Mesmo o ruído de rolamento está muito bem isolado, pelo que qualquer viagem a bordo de EQC pode servir de momento de relaxamento...

Depois, pode o condutor perturbar o sossego ao puxar pelos tais 408 cv produzidos pelos dois motores elétricos, um por eixo, combinação que garante a tração integral. Todo o esquema de propulsão e fluxos energéticos pode ser acompanhado na completa instrumentação digital e também no painel central do sistema MBUX, havendo à mão do condutor tecla dedicada ao menu das informações específicas do EQC, caso de gráficos de consumo, programação do carregamento (horários e potência) ou postos nas redondezas.

Por falar em cargas, aqui ficam alguns tempos de referência para atestar a bateria de eletrões: aproximadamente 40 minutos em postos rápidos a 300A/400 V (corrente contínua até 110 kW) para subir de 10% até aos 80%; 11 horas numa wallbox a 7,4 kW para atestar de 10% a 100% e... um pouco mais de 40 horas se ligado a tomada doméstica. Ou seja, talvez até mais importante do que a autonomia, serão os tempos de carga e a ausência de postos úteis que podem ainda causar problemas à utilização deste elétrico de carga pesada. A autonomia de um gastador desportivo poderá não ser maior, mas atesta-se em menos de 5 minutos.

Assim, o EQC será uma das melhores e mais cómodas formas de mobilidade para ir buscar as crianças à escola, poder entrar e percorrer as ruas das Baixas e Chiados deste mundo sem (adivinham-se...) multas para veículos poluentes; ou mesmo para ir e vir para o trabalho, desde que de um lado ou outro haja acesso a posto de carregamento enquanto o SUV esteja estacionado – quando ligado à tomada, a iluminação interior ganha filamento verde.

O condutor tem à sua disposição modos de condução já conhecidos dos modelos térmicos da marca (Eco, Comfort, Sport e Individual), a que se associa o modo Max Range, o qual soma especificidades para que se consiga obter a máxima autonomia – obviamente sem que se possa tirar partido dos mais de 400 cv de potência e dos efeitos estonteantes dos 760 Nm de binário máximo instantâneo. Nestas circunstâncias, a entrega de potência estará quase sempre e só a cargo do motor elétrico dianteiro, a potência é reduzida e a regeneração tida como ponto forte. Entram também em ação os diversos elementos eletrónicos de ajuda à condução, com o EQC a ajustar automaticamente a velocidade aos limites legais da zona/estrada, mas também face ao veículo que circule na dianteira, além de somar indicações preditivas relativamente ao que o condutor irá encontrar mais à frente, em parceria com o sistema de navegação. E o resultado é ótimo, obrigando apenas o condutor a estar preparado para enfrentar fortes reduções de velocidade. As patilhas no volante não são para a caixa (relação única), mas para percorrer os cinco níveis de travagem regenerativa.

Em autoestrada é possível usufruir da serenidade da condução semiautónoma através do cruise control adaptativo (juntamente com a leitura de sinais pode ajustar a velocidade aos limites) com manutenção automática na faixa de rodagem e função de ultrapassagem autónoma (e regresso à faixa) mediante a utilização dos piscas. E funciona na perfeição.

Mesmo com todos estes truques inteligentes e úteis, não será fácil registar consumos médios inferiores a 24 kWh/100 km, mesmo rodando-se a ritmos normalizados, cumprindo limites de velocidade, e sem usufruir dos efeitos catapulta nas acelerações. Porque é de facto impressionante sentir o poder do binário instantâneo, capaz de impulsionar as quase 2,5 toneladas deste SUV (650 kg dos quais entregues à bateria) para ritmos de desportivo: além dos 5 s aos 100 km/h, registo de 8,5 s para alcançar os 130 km/h e 21,2 s para chegar aos limitados 180 km/h. Nas recuperações, surpreendem os 1,9 s para subir dos 40 a 80 km/h. As travagens de emergência mostram segurança ótima e distâncias aceitáveis, com o pedal a oferecer um dos tatos mais fidedignos e progressivos entre modelos elétricos e híbridos. Tudo com convencionais ligações ao solo (leia-se, sem amortecimento variável ou pneumático) que garantem ainda ótima sensação de conforto e condução fluída... até ao ponto de perda de aderência. Aqui, fazem- se sentir os efeitos do peso elevado e do volume do EQC, algo que no dia-a-dia passa completamente despercebido.

Edição 1886

A bordo, vive-se num mar de comodidades e de recheio premium, com a Mercedes a preparar a especial Edição 1886 (alusiva ao ano do primeiro automóvel da marca) que, por 12.750 €, acrescenta interesses vários, que vão da decoração específica aos serviços de manutenção. A cor azul do tablier (em pele) e bancos (com revestimentos laterais em pele e Alcantara ao centro) não deixa ninguém indiferente, com o logo 1886 gravado nas costas dos bancos dianteiros. Ajustes elétricos e memórias dos bancos dianteiros, cuidado sistema de som com assinatura Burmester, ambientador de bordo, câmara de 360º para ajuda ao estacionamento, tapetes específicos, estribos em alumínio, jantes de 20’’, pintura prata metalizada e elementos exteriores a preto brilhante são outros aspetos distintos, a que se juntam serviços específicos ligados à eletromobilidade, caso da oferta de manutenção e garantia por 6 anos/150.000 km, com entrega do veículo ao cliente em local programado. A garantia da bateria é de 8 anos ou 160.000 km.

Mais uma proposta para o mercado das viaturas de empresa – o cliente particular não pode usufruir das benesses fiscais de modelo cujo preço base, sem IVA, é de 64.342 euros –, com as (ainda) habituais limitações da tecnologia elétrica, caso de autonomia para cerca de 300 km (e evitando-se autoestrada) e tempo/postos de carregamento. O EQC oferece a versatilidade e espaço do GLC com superior serenidade dinâmica e o selo de ecologicamente correto.

Ler Mais

Ficha Técnica

Caracteristicas

MERCEDES EQC

400

Motor
Tipo 2 motores elétricos assíncronos
Potência 408 cv (300 kW)
Binário 760 Nm
Bateria Iões de lítio
Capacidade útil 80 kWh
Tempo de carga (0-80%) 11 horas (a 7,4 kW)
Transmissão
Tração Integral
Caixa de velocidades Automática, 1 velocidade
Chassis
Suspensão F Ind. McPherson
Suspensão T Eixo Multibraços
Travões F/T Discos vent. perf./Discos vent.
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/11,8 m
Dimensões e Capacidades
Compr./Largura/Altura 4,761/1,884/1,624 m
Distância entre eixos 2,873m
Mala 500 - 1460 litros
Depósito de combustível -
Pneus F 7,5jx19 - 235/55 R19
Pneus T 7,5jx19 - 235/55 R19
Peso 2495 kg
Relação peso/potência 6,1 kg/cv
Prestações e consumos oficiais
Vel. máxima 180 km/h
Acel. 0-100 km/h 5,1 s
Consumo médio 22,4 kWh/100 km
Autonomia 416
Garantias/Manutenção
Mecânica 2 anos sem limite de k
Pintura/Corrosão -
Bateria 8 anos ou 160.000
Imposto de circulação (IUC) 0 €

Medições

MERCEDES

Acelerações
0-50 km/h 2 s
0-100 / 130 km/h 5/8,5 s
0-400 / 0-1000 m 13,6/26,1 s
Recuperações
40-80 km/h (D) 1,9 s
60-100 km/h (D) 2,6 s
80-120 km/h (D) 3,7 s
Travagem
100-0/50-0km/h 37,6/9,4 m
Consumos
Consumo médio 23,8 kWh/100km
Autonomia 300 km

Conte-nos a sua opinião 0

TESTE