Numa altura em que baterias, eletrões e baixos consumos são os temas na ordem do dia, faz bem à (nossa) alma cruzar-se com um concentrado emotivo como este baby da AMG. Que de bebé tem mesmo e só o tamanho, pois sob o capot esconde-se o mais potente motor 2 litros (de série) da atualidade, a render impressionantes 421 cv e a entregar 500 Nm!
Só não são números a mais para um Classe A porque a AMG realizou um trabalho primoroso ao nível da transmissão, entregando este festim de potência a sistema de tração integral (4Matic+) que conta, no eixo traseiro, com duas embraiagens multidisco controladas eletronicamente (uma por roda) para a melhor distribuição de potência quando a mesma é enviada para trás, tudo gerido à vontade do condutor por intermédio dos modos de condução (Dynamic Select) e do perfil/forma de atuação da transmissão e restante rede eletrónica de controlo dinâmico, via programas do AMG Dynamics.
Com tanta eletrónica e possibilidade de ajustes – a que ainda se pode somar a atuação da caixa automática de dupla embraiagem de 8 velocidades, ESP, amortecimento, etc. – é fácil ao condutor sentir-se num cenário de videogame, sensação aprimorada pelo grafismo digital do painel de instrumentos e sistema MBUX e onde nem faltam os efeitos do home cinema, através da generosa entoação de escape, igualmente modular.
A tudo isto, a Mercedes ainda permite somar os fantásticos bancos Performance AMG High-End (4150 €) que além dos revestimentos em pele, regulações elétricas, memórias e aquecimento, ainda permitem ajustes elétricos pormenorizados do suporte lateral e zona lombar feitos a partir do sistema MBUX. Os variados comandos vocais com entendimento alargado pela inteligência artificial são a cereja no topo do bolo na sofisticação a bordo.
A esta mais potente versão do AMG A45 (S), com os tais 421 cv, acresce o modo de condução Race e a possibilidade de ativar a função Drift, dois bombons alucinogénios na arte de explorar o potencial dinâmico. Deste rol de conteúdos extra face à versão 45 de 387 cv, some-se o sistema de travagem com discos dianteiros de maiores dimensões (identificado pelas pinças vermelhas) e velocidade máxima alargada até aos... 270 km/h!
Mesmo em dia chuvoso e de piso molhado como o que encontramos no dia das medições dinâmicas, o sistema de tração integral consegue impelir os 421 cv em arranques ultra sónicos e eficazes, com o A45 S a bater-se de igual para igual, por exemplo, com o C 63 S (510 cv, mas de tração traseira). E só mesmo a partir dos 160 km/h o C consegue levar alguma vantagem no cronómetro!
A atuação e escalonamento da caixa de velocidades, bem como as notas vocais do escape, muito ajudam a catapultar a já de si espetacular sensação de velocidade. A direção rege-se pelo teor comunicativo e com resposta rápida do eixo dianteiro, ajudado pela barra antiaproximação a ligar as torres da suspensão da frente. O tato do pedal de travão também não desilude pela consistência e firmeza apropriada.
Uma das características que mais espantou neste A 45 S foi a facilidade de interação quotidiana, com níveis de amortecimento perfeitamente aceitáveis, sem fazer abanar o queixo à passagem por mau piso – note-se que esta unidade estava equipada com o opcional sistema seletivo, que recomendamos, por 1250 € – e com a caixa automática a desmultiplicar sempre que possa e que o motor aguente a mínima rotação possível. Mesmo assim, e rolando-se a velocidades reduzidas e constantes, é praticamente impossível transportar os consumos abaixo da barreira dos 9,5 l/100 km.
Mas é acionando o modo Race, dando um pouco de rédea ao ESP (seja desligado ou mesmo no modo Sport) e aplicando o acionamento manual e sequencial da caixa de velocidades, que mais e melhor se pode tirar partido do cocktail dinâmico. Nessas circunstâncias, passamos a ter na mão não só um dos mais rápidos e emocionantes desportivos da atualidade, como ainda um dos mais eficazes, com níveis fabulosos de aderência e perspicácia na leitura da estrada. Ao ponto de que, mesmo às elevadíssimas velocidades permitidas e levadas para curva, o condutor pode (com confiança) gerar desequilíbrio direcional antecipado para, depois, conseguir sair em grande estilo e deriva, sempre sem perder velocidade e controlo.
Recordo um tal de Subaru Impreza, 2 litros turbo de 211 cv e tração integral, que na época surpreendeu pela performance, sensações e capacidades em curva. Este A 45 S consegue tudo isto... mas em dobro, não só pela potência, mas pela forma atualizada com que todo o rol eletrónico permite fazer uso da mesma. É um carro de performance impressionante e de uma eficácia que não deixará de atemorizar alguns superdesportivos!