A Peugeot propõe o veículo multiusos Partner em versão furgão (comercial) ou Tepee, com capacidade para cinco passageiros e motor elétrico com 67 cv para uma autonomia anunciada de 170 km. Guiámos o novo EV francês em cidade, estrada e autoestrada, como de costume, mas a unidade, por estar somente equipada com sistema de carregamento caseiro, colocou-nos algumas limitações, impedindo-nos, por exemplo, de efetuar as habituais medições, pois a autonomia não chegou para tudo...
Explique-se: o jornalista que vos escreve vive num prédio e seria pouco correto utilizar a rede elétrica do condomínio para carregar a bateria do Partner Tepee elétrico, pelo que houve que poupar a bateria para efetuar a sessão fotográfica e devolver o automóvel pelas próprias rodas, e não de reboque, à Peugeot. Com o modo de carregamento rápido, o desafogo seria maior, mas esse é um opcional proposto por 800 € e que não figura na lista de equipamento de série da versão Active que vestia a unidade que testámos.
Vejamos então quais são as opções de carregamento das baterias de iões de lítio: uma carga completa da bateria totalmente descarregada em tomada doméstica (8A) ou numa tomada protegida Green Up (14A) demora oito horas e meia, 12 horas ou 15 horas, dependendo da amperagem. De série, é esta a solução proposta para o Partner Tepee EV. Pagando os já referidos 800 €, o cliente recebe o sistema de carregamento rápido que lhe permite utilizar espaços públicos ou estações de recarga e recarrega 80% da capacidade da bateria em aproximadamente 30 minutos. Por fim, há ainda a recarga semi-rápida, modo intermédio entre as cargas normal e rápida e que utiliza uma tomada de 16A de tipo 2 do novo standard europeu, ou de tipo 3, que pode estar encastrada numa parede (Wallbox) ou numa estação pública. Neste caso, a recarga total é efetuada em cerca de sete horas e 30 minutos.
Quando nos sentámos para conduzir o Partner Tepee EV na concessão da Peugeot, a autonomia da bateria marcava 120 quilómetros. Numa primeira deslocação de cerca de 15 quilómetros, e sem ultrapassar os 70 km/h, a autonomia foi oscilando entre os 109 e os 115 km, consoante a inclinação do terreno. O certo é que, quando parámos, a bateria tinha autonomia para 112 km. Numa segunda deslocação de cerca de 30 quilómetros e que incluiu percurso final de 10 km em autoestrada, feito a 100 km/h, a autonomia encolheu para 68 km.
No dia seguinte, à partida para a sessão fotográfica, os 68 km pareciam chegar e sobrar para o efeito, mas o muito vento contrário que se fazia sentir numa das retas acabou por comer mais carga da bateria do que esperávamos. Contas feitas, em cerca de 30 minutos de curtas voltas, sem pressas, a autonomia pôs-se nos 30 km.
No regresso à concessão da Peugeot para entregar o veículo multiusos ecológico, passagem por um troço de autoestrada de 20 km e ainda cerca de 10 km em estrada. A conta é simples de fazer, mas como se sabe, neste caso, a teoria tem normalmente muito pouco a ver com a realidade. Contudo, arriscámos. Botão Eco premido, ar condicionado desligado (como esteve sempre aliás) e em cada minúscula descida, pé levantado do acelerador para tentar recarregar a bateria. Quando a velocidade da descida era um pouco maior, forçámos várias vezes a travagem, a melhor solução de recarregamento.
Chegámos ao destino sem ajuda extra, leia-se, de reboque. Com o carro finalmente estacionado, podia ler-se no visor da instrumentação: Autonomia: 5 km. Sim, fomos um pouco otimistas...
Refira-se, por fim, que a garantia da bateria é de oito anos ou 100 mil km e que a sua cadeia de tração é garantida por 5 anos ou 50 mil km, o que ocorrer primeiro. Após o primeiro ano, o intervalo de manutenção é de dois anos ou 40 mil km.