Para competir na concorrida categoria dos familiares compactos, ao lado de referências como VW Golf, Renault Megane ou Peugeot 308, a Honda aposta em duas carroçarias distintas, o mais desportivo Hatchback e um elegante Sedan de quatro portas, que mantém a largura e a distância entre eixos da berlina de cinco portas, mas cresceu 11,2 cm em comprimento, para fazer crescer a capacidade da bagageira até bons 519 litros (478 litros no Hatchback).
O compartimento de carga é mesmo dos mais avantajados do segmento C, mas, como é habitual nestes modelos com carroçarias de 3 volumes bem vincados, o acesso não é o mais amplo, nem o mais fácil...
Esteticamente, o formato também não é dos mais atuais e populares nos principais mercados europeus, Portugal incluído, mas este japonês bem-nascido, com proporções e linhas interessantes, terá adeptos. Pelo menos, a julgar pelo bom número de cabeças que giraram à nossa passagem no decorrer deste teste. A Honda acredita em desenho que não renuncia ao perfil desportivo que é cunho do fabricante japonês nesta categoria e junta alguns elementos de estilo mais elaboradas a lembrar (muitíssimo) a geração anterior do Accord...
Já o cockpit é copiado a papel químico do hatchback de que deriva e imita virtudes e defeitos. Se é verdade que a marca japomesa conseguiu simplificar, significativamente, a apresentação e o desenho do painel de bordo da 10.ª geração do Civic, também é verdade que o compacto novo da Honda ainda não excaixa entre as referências em ergonomia da categoria. No posição de condução (35 mm mais baixa), ainda dispomos de demasiados comandos, muitos parecendo instalados sem qualquer tipo de critério pelo tablier (existem entradas USB escondidas atrás da consola, entre bancos, os botões do ar condicionado confundem-se e a seleção dos do sistema multimédia no volante quase obrigam à frequência de um curso!).
Aposta na ‘prata da casa’
Na gama do Civic Sedan, a par do motor com 4 cilindros a gasolina 1.5 VTEC Turbo de 182 cv, surge, agora (ainda!), obrigatória opção Diesel, otimizada do 1.6 i-DTEC que mantém os 120 cv da configuração anterior. A Honda mexeu-lhe, trocando alumínio por aço forjado na conceção dos pistões dos cilindros, em conjugação com o aumento da pressão de injeção para 1800 bar, a superior capacidade de refrigeração na câmara de combustão, o novo turbo de geometria variável. E trabalhando a sua eficiência, com a introdução de um filtro de partículas, com células internas de superior densidade e utilização de prata para melhor capacidade de retenção dos NOx, a permitir que o novo Civic 1.6 i-DTEC respeite as mais recentes exigências de controlo ambiental. Este filtro autorregenerativo dispensa o aditivo AdBlue. Mas, também do ponto de vista da agradabilidade de utilização, a mecânica a gasóleo, que manteve intactas credenciais como potência e binário máximo, progrediu, notando-se mais suavidade e silêncio de funcionamento. Ao ralenti, por exemplo, mal damos por ele. E, em condições de utilização mais pacata, este 1.6 i-DTEC não é mais audível que muitos motores a gasolina. A diferença maior está na elasticidade enorme (esta, sim, é Diesel...). Elogie-se, então, a ampla disponibilidade logo em torno das 1500 rpm, a permitir condução em modo poupança: mudança alta; regime baixo. E, precisando-se de mais ritmo, há resposta muito pronta às solicitações do pedal da direita.
A caixa manual de 6 velocidades também nos merece elogios tanto na precisão do engrenamento como na suavidade com que se deixa operar com a vantagem de contar com relações altas que não são excessivamente longas, por isso autorizando retomas de velocidade de ótimo nível.
Mas, além de desembaraço, ao motor Diesel pede-se contenção no apetite. E se é poupado! Sem dificuldades, conduzindo-se tranquilamente, média de 5,5 l/100 km, registo interessante, sobretudo tratando-se de automóvel que, como referimos, não é pequeno nas dimensões, nem muito leve, mesmo dispondo de base muito moderna...
O Civic Sedan assenta em plataforma 100% nova, mais competente, que não autorizou apenas o aumento das dimensões exteriores. Também permitiu progressos nas credenciais dinâmicas, agora superiores, com o 4 portas a mostrar muito boa capacidade de travagem e acertada precisão em curva, o que garante mais prazer na condução e enorme sensação de segurança.