Já existem cinco supercarregadores Tesla em Portugal, além de 44 postos individuais para carregamento Instrumentação completa: GPS, velocidade, consumos, sinalização dos carros à nossa frente e dos que nos ultrapassam... Posição de condução muito ‘à larga’, ou seja, pouco acolhedora; materiais razoáveis para o segmento A chave/comando do Tesla Model S 100D é uma miniatura do próprio automóvel A altura da suspensão pneumática é regulável; por defeito, está no modo ‘normal’, mas desce de forma automática a alta velocidade Quando o recarregamento é efetuado em rede de 24 Amperes, o processo torna-se bastante mais demorado, muito naturalmente. É possível repartir a informação no ecrã central; por cima, vemos o mapa, por baixo, grafismo dos consumos energéticos Na ausência de motor, encontramos, sob o ‘capot’, um espaço para arrumação de pequenos objetos, com 60 litros de capacidade Nos lugares traseiros, espaço com fartura em todas as direções para que três pessoas possam viajar sem quaisquer apertos Estofos em couro branco, decoração em madeira de freixo escura e forro do tejadilho preto por 3500 € Bagageira gigantesca com 744 litros de capacidade, que pode aumentar para 1645 litros, rebatendo-se os bancos traseiros O ‘D’ significa ‘all-wheel-drive’ (AWD) O ‘nosso Tesla’ estava equipado com sistema Auto Pilot 2: oito câmaras, visão 360º, radar e 12 sensores; no futuro, permitirá condução autónoma A Tesla afirma que não existem vantagens em esperar que o nível da bateria baixe para iniciar o processo de recarregamento; aliás, se a carga atingir os 0%, podem registar-se danos em componentes do automóvel Dois motores elétricos (um à frente, outro atrás; 423 cv no total), tração integral, 0-100 km/h em 4,3 s, autonomia anunciada de 632 km

Tesla Model S 100D

Viagem no tempo

TESTE

Por João da Silva 24-10-2018 13:00

Fotos: Gonçalo Martins

Saio de casa ao volante de um Hyundai i20 com motor 1.2 a gasolina para o devolver à concessão que o cedeu para teste, transitando para o meu Mercedes 200D de 1989, equipado com nada ecológico motor a gasóleo de dois litros. Ao fim de cerca de meia hora de viagem, estaciono a minha preciosidade em casa e espero cinco minutos pela minha boleia, que chega num Lexus RC híbrido. Peço para guiar, pois não conhecia o automóvel. Minutos depois, paramos junto à garagem da BMW, onde me aguarda um 730d, equipado com evoluída mecânica a gasóleo. É ao volante do topo de gama da marca alemã que nos dirigimos ao coração de Lisboa, onde uma responsável da Tesla me aguardava com o Model S 100D. Ufa, em cerca de uma hora, percorri quase todos os tipos de propulsão para automóveis existentes no mercado (faltou o GPL) e quase 30 anos de história automóvel!

Mas voltemos ao meu encontro com o Tesla. Confesso que, à data, estava um pouco distante em relação aos modelos da marca norte-americana. Conhecia os princípios básicos de funcionamento, mas não dominava o tema a fundo, até porque nunca tinha conduzido nenhum. Sabia que eram capazes de acelerações fantásticas, mas sempre achei que isso causaria algum mal-estar. Há uns anos, guiei o protótipo Audi R8 e-tron, equipado com um motor elétrico em cada roda, e cada aceleração a fundo causou-me náuseas, tal era a quantidade de G’s a empurrarem o meu cérebro contra o crânio.

Bom, mas posso afirmar que parti para esta experiência com a mente aberta e só terei referido uma ou duas vezes a amigos próximos que na semana seguinte ia guiar um frigorífico com rodas. Juro que não foram mais do que duas. A responsável da Tesla esteve cerca de 20 minutos a explicar-me tudo sobre o carro. Senti-me quase como se de repente me tivesse colocado a bordo de uma nave espacial e me estivessem a explicar os comandos para levar a nave a Marte e voltar. Curiosamente, há uma função no Tesla que mostra a superfície de Marte... No fim da explicação, confesso que estava um pouco apreensivo. A menina deixou o carro e eu fiquei durante alguns segundos a assimilar toda a informação. Quando consegui deixar de olhar para o ecrã central que é maior que o ecrã do computador que tenho em casa e que quase nos hipnotiza, olhei para baixo e vi dois pedais. Depois, olhei em frente e havia um volante. Por trás do volante havia uma manete que servia de comando da caixa. Coloquei a coisa em «D» e levantei o pé do travão. Três metros, dez, 20… e o Tesla continuava com as rodas coladas ao chão. Afinal, aquilo não ia levantar voo. Mais: guiava-se como qualquer outro carro, elétrico ou não.

Após dois ou três quilómetros em que não resisti a pisar o acelerador a fundo meia dúzia de vezes à procura, em vão, da aceleração que me levasse à náusea, parei o carro para explorar o ecrã de 17’’. Depressa encontrei os dois modos de condução disponíveis: Chill e Standard. Tinha vindo a utilizar o Chill que, embora, puxasse bem, não dava aquele esticão de que  tinha ouvido falar. Percebi depois que neste modo (cuja tradução em português é qualquer coisa como descontraído), a aceleração está limitada para oferecer uma condução suave e leve. Não era mesmo nada disso que vinha à procura num carro que me foi apresentado como uma nave espacial, pelo que alterei a regulação para o modo standard, que garante o nível normal de aceleração.

Procurei uma estrada vazia atrás de uns barracões nos arrabaldes de Lisboa e foi aí que fiz a coisa como deve ser: pé esquerdo no travão, pé direito a fundo no acelerador e vuuuuummmm… A náusea não aconteceu, mas senti os G’s a empurrarem-me contra o banco e o cérebro às cambalhotas. E só não se sente mais porque o Tesla é um automóvel muito bem insonorizado e confortável, filtrando quaisquer imperfeições da estrada. Achei até que será demasiado filtrado, oferecendo reduzido feeling de condução. E de tal forma assim é que não resisto a fazer desde já uma comparação: a um Classe S da Mercedes ou a um Série 7 da BMW, o Tesla Model S é menos confortável, tem interior com menos qualidade e muito menos refinado e não há comparação possível no que toca à dinâmica...

A falta de agilidade é flagrante, sobretudo em curvas sucessivas, pois o eixo traseiro fica a flutuar, o que será eventualmente uma reação potenciada pela suspensão pneumática, pois até em oscilações ligeiras se sente alguma ondulação. Claro que assim que a direção está apontada para a saída da curva, o carro sai disparado como uma bala, mas isso não ameniza a falta de intensidade. Sensações fortes há, claro, sobretudo pela elevada velocidade que atinge rapidamente em reta ou à saída das curvas, mas nunca pela reatividade do chassis ou pelo feedback da direção, cuja assistência pode ser regulada (modos Comfort, Normal e Sport), mas a verdade é que não senti mudança significativa de sensibilidade em nenhum dos modos, sendo sempre difícil de perceber o que se passa com as rodas dianteiras.

Viagens longas em conforto, em silêncio e com grande economia, eis o que o Tesla me inspira. Ah, claro, sem esquecer uns arranques para impressionar a malta. Sim, porque ao fim de meia dúzia de arranques, esgota-se a piada da patada no acelerador, pois isso só contribui para diminuir o maior trunfo deste Tesla Model S 100D: a inexistência do fator angústia da autonomia.

Nesta versão, a bateria tem 100 kWh de capacidade, oferecendo uma autonomia anunciada de 623 km. Não os faz, para tal seria preciso reunir uma série de condições muito específicas, mas consegue-se fazer entre 480 e 530 km com a carga a 100%, isto sem abusar dos arranques... O carregamento pode ser efetuado em casa, sendo que com uma wallbox (carregador de parede), a bateria carrega até 80 kWh; nos carregadores públicos convencionais ou nas duas redes de carregamento que a Tesla está a expandir em Portugal e que já existem por toda a Europa: os supercarregadores (há cinco em Portugal), que em 20 minutos carregam à volta dos 250 km, ou o «Carregamento no Destino», que replicam o que se faz em casa numa wallbox (carregam até 80 km de autonomia por hora). Há já mais de 100 pontos destes em Portugal, entre hotéis, resorts e restaurantes.

Por fim, tratando-se de um Tesla, é indispensável falar da condução autónoma. O sistema Auto Pilot que equipava a unidade que testei é de segunda geração, sendo capaz de controlar o cruise control e a direção, mudar de faixa quando ativamos o pisca e estacionar  sozinho. Em autoestrada, funcionamento irrepreensível, ainda que tenha sido a custo que larguei o volante totalmente. Contudo, ao fim de alguns quilómetros, deixei-me guiar, exagerando na utilização do tablet gigante e na conversa com quem viajava nos bancos traseiros, inclusive deixando de olhar para a estrada por meia dúzia de segundos...

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Ficha Técnica

Caracteristicas

TESLA Model

S 100D

Motor
Tipo Elétricos (2)
Potência 2x262 cv (193 kW)/423 cv (311 kW)
Binário 660 Nm
Bateria Iões de lítio
Capacidade útil 100 kWh
Tempo de carga (0-80%) 11 h (220 v) e 3 h (Supercarr.)
Transmissão
Tração Integral permanente
Caixa de velocidades Automática de 1 velocidade
Chassis
Suspensão F Ind. braços duplos, pneumática
Suspensão T Ind. multibraços, pneumática
Travões F/T Discos ventilados
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/11,3 m
Dimensões e Capacidades
Compr./Largura/Altura 4,979/1,964/1,445 m
Distância entre eixos 2,96m
Mala 804-1645 litros
Depósito de combustível -
Pneus F 245/35 ZR21
Pneus T 265/35 ZR21
Peso 2215 kg
Relação peso/potência 5,23 kg/cv
Prestações e consumos oficiais
Vel. máxima 250 km/h
Acel. 0-100 km/h 4,3 s
Consumo médio 20 kWh/100 km
Autonomia 632
Garantias/Manutenção
Mecânica 4 anos/80.000 km
Pintura/Corrosão -
Bateria 8
Imposto de circulação (IUC) 0 €

Medições

TESLA

Acelerações
0-50 km/h 2,1 s
0-100 / 130 km/h 4,6 s
0-400 / 0-1000 m 7/13 s
Recuperações
40-80 km/h (D) 1,8 s
60-100 km/h (D) 2,2 s
80-120 km/h (D) 2,7 s
Travagem
100-0/50-0km/h 36,4/9,1 m
Consumos
Consumo médio 20 kWh/100km
Autonomia 510 km

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