A redução da distância entre eixos (2,4 cm) obrigou a alguns ‘truques’ para preservação do espaço para as pernas no banco de trás Na consola, entre bancos dianteiros, junto ao botão ‘start’, comando dos modos de condução com três programas disponíveis Na berlina 508, a Peugeot volta a usar a designação do modelo na ponta do ‘capot’, uns centímetros acima do emblema do leão O novo 508 é mais pequeno, baixo e leve do que no caso do anterior, algo que significa melhores prestações e consumos e, também muito importante para automóvel com pretensões a mais ‘altos voos’, progresso em termos de comportamento A mais recente evolução do i-Cockpit da Peugeot acrescenta sofisticação. Caracteriza-se pelo painel de bordo com instrumentação em posição cimeira ao volante de dimensões muito compactas. No habitáculo existem diversos espaços de arrumação para pequenos objetos Painel de instrumentos em posição cimeira ao volante dispõe de ecrã de 12,3’’ totalmente digital e configurável pelo condutor Sistemas de ajudas à condução estão agregadas em ‘pack’ de equipamento que figura na lista de opções pagas, por 480 € Transmissão automática com modo manual/sequencial no seletor (na consola) ou a partir de práticas patilhas instaladas no volante Monitor tátil de 8 ou 10’’, segundo as versões, e em baixo deste, sete teclas metalizadas para comando direto dos sistemas de bordo Turbodiesel de 2 litros e 180 cv, bem assistido por competente caixa automática de 8 relações A capacidade da bagageira é ligeiramente maior do que a do 508 anterior; 487 litros de volumetria útil na configuração ‘standard’ Neste acabamento de topo (GT), bancos com recorte desportivo para condutor e passageiro, revestidos a pele e tecido, ainda equipados com regulações elétricas e função massagem, com cinco programas de relaxamento e iguais níveis de intensidade. Um luxo...

Peugeot 508 2.0 BlueHDI 180 GT

Oui, c’est moi!

TESTE

Por Vítor Mendes da Silva 24-11-2018 09:00

Fotos: Gonçalo Martins

'Que Peugeot é este?'. Foi esta a pergunta mais frequente ao longo da semana em que ensaiámos a nova berlina de segmento D da marca francesa. Que Peugeot moderno é que, de uma maneira saudosista, copia elemento de estilo que distinguiu alguns dos modelos mais icónicos do fabricante, como o 504 lançado na década de 60, colocando o seu número 508 na ponta do capot, uns centímetros acima do símbolo do leão dominante na grelha pontuada a cromado.

O motivo de tanto sururu explica-se de duas formas: automóveis brilhantemente desenhados apaixonam; e sempre que pertencem a um fabricante de grande volume provocam um sentimento de maior proximidade. E como foi cobiçado este leão! Problema: não terá o posicionamento de preço canhão que conhecíamos de outros modelos da generalista Peugeot. Nesta versão de topo GT, por exemplo, está já perigosamente perto de alguns concorrentes ditos premium. Porque é exatamente esse cliente que este leão quer caçar!

Apesar de assumir sem medos ambições redobradas para a segunda geração do 508, modelo estreado em 2011, a Peugeot tem prioridades bem definidas: 60% do lucro da marca está nos SUV 3008/5008; 30% nos comerciais. A nova berlina de cinco portas com este design desportivo de coupé, do tipo fastback, ficará sempre confortável com o estatuto de carro de imagem. E que imagem...

O capot muito baixo, a superfície vidrada reduzida e a traseira com a faixa negra transversal a toda a largura da carroçaria são alguns dos traços que achamos mais marcantes do novo 508, a par dos grupos óticos totalmente em LED, à frente a atrás. Deste exercício de estilo resultaram também mudanças importantes em termos de proporções: menos 8 cm de comprimento do que o antecessor (ou seja, menos 11 cm do que o Ford Mondeo e porte idêntico ao do Audi A5 Sportback).

A plataforma do novo 508 é a modular EMP2, com distância entre eixos inferior (2,4 cm) à da que substitui, o que ajuda a justificar o encurtamento do comprimento do veículo e a diminuição do diâmetro de viragem, para mais manobráveis 10,4 metros, menos 1,5 m do que o do antecessor.

Então, ficou mais apertado?

Há diferenças, mas o espaço para cinco pessoas a bordo é sensivelmente idêntico ao que existia até aqui. Contudo, para que a redução no comprimento e, sobretudo, o encurtamento da distância entre eixos não se traduzisse em maiores apertos no espaço para pernas no banco de trás, a Peugeot redesenhou os encostos dos lugares dianteiros, que são agora mais estreitos. Assim só menos 1 cm naquela medição, quando comparado com o carro que substitui: 72 cm até ao banco da frente contra 73. Com a colocação dos assentos posteriores numa posição mais baixa, a marca francesa tentou contrariar os efeitos do rebaixamento em 6 cm.

A manobra surtiu praticamente o efeito desejado e, havendo agora menos 5 cm na medição em altura (88 cm do assento ao tejadilho contra 93), para um passageiro de 1,85 metros de altura continuam a não existir restrições à comodidade. O habitáculo da berlina da Peugeot também ficou mais estreito 3 cm (134 cm vs. 137 cm medidos à altura dos ombros), mesmo se o único acrescento às cotas da carroçaria são 2 cm de largura que conferem à berlina, no seu conjunto, um visual dinâmico, que tem paralelo no habitáculo.

O interior adota o apreciado (pela maioria dos clientes Peugeot) conceito i-Cockpit, mas totalmente modernizado, mantendo o volante compacto com painel de instrumentos cimeiro estreado no 208, aqui em ecrã de 12,3” e totalmente digital (de série em qualquer nível de equipamento). A pretensão é aproveitar o boost de imagem trazido pelo SUV 3008 e, ao mesmo tempo, promover a imagem de marca para um patamar ainda superior. Por isso mesmo, a atualização profunda do habitáculo do 508 inclui novos critérios de qualidade de construção, com melhores materiais e maior rigor na montagem e acabamentos.

Este redobrado cuidado nota-se no toque em cada elemento que compõe a consola que se eleva em direção ao monitor tátil de 8” ou 10” e de alta resolução, libertando espaço para a criação de um compartimento de arrumação onde encontramos uma tomada USB e também se esconde prateleira para carregamento de smartphones por indução. Mas, também, na condução, pela forma como conseguiu o fabricante francês um tão bom isolamento acústico num modelo com portas sem moldura superior...

Na versão ensaiada, o Diesel de topo, motor dois litros de 180 cv, sempre bem coadjuvado pela transmissão automática de oito velocidades, cuja atuação se equipara à das melhores transmissões da atualidade. Suave, rápida e precisa nas passagens para aproximar o mais perto possível o regime do turbodiesel à faixa de funcionamento ideal, em redor das 2000 rpm, quando aquele atinge o binário máximo aos 400 Nm. Sempre que se exige menor arrastamento nas transições/acelerações mais repentinas, há botão na consola entre os bancos dianteiros para adaptar a resposta de alguns órgãos do automóvel afetos às prestações e à dinâmica. No modo mais desportivo, a direção torna-se mais direta, perdendo assistência com a velocidade; o acelerador fica mais reativo; e a resposta da caixa de 8 velocidades acompanha melhor este frenesim, encurtando também as relações.

Alinhado com as boas prestações está o desempenho do chassis e o nível do conforto, cuja compatibilização é à prova de crítica: o 508 não só é extremamente confortável, com capacidade de filtragem superior à da anterior geração.

Sobre plataforma nova, com eixo posterior multibraços (inteiramente novo), e com a possibilidade de recorrer a amortecimento variável (de série nesta versão GT, com três modos: Normal, Conforto e Sport), a Peugeot encontrou fórmula para melhorar o equilíbrio da dinâmica entre conforto e eficácia, especialmente em curva, efetivando-se a restrição dos movimentos naturais da carroçaria ao mínimo possível sem prejuízo da comodidade dos ocupantes.

O sempre difícil compromisso entre a suavidade do amortecimento e a consistência do contacto das rodas no solo passou a ser um dos mais fortes atributos da berlina com que a marca do leão concorre no segmento D. E a agilidade acima da média também; o novo 508 não é apenas bastante mais leve que o antecessor (comparando versões com motorizações idênticas emagreceu cerca de 70 kg, apesar do aumento de conteúdos de conforto e segurança), como também revela outra fluidez ao nível da condução, a dar a clara sensação de poder guiar-se com a ponta dos dedos,  naquele volantezinho míni. O novo leão pode ter concorrência mais desportiva, mas não há muitas berlinas do segmento D tão ágeis...

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Ficha Técnica

Caracteristicas

PEUGEOT 508

2.0 BlueHDI 180 GT

Motor
Arquitetura 4 cilindros em linha
Capacidade 1997 cc
Alimentação Inj. direta CR, TGV, Intercooler
Distribuição 2 a.c.c./16v
Potência 180 cv/3750 rpm
Binário 400 Nm/2000 rpm
Transmissão
Tração Dianteira
Caixa de velocidades Automática de 8 velocidades
Chassis
Suspensão F Ind. McPherson
Suspensão T Eixo multibraços
Travões F/T Discos ventilados/Discos
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/10,4 m
Dimensões e Capacidades
Compr./Largura/Altura 4,750/1,847/1,404 m
Distância entre eixos 2,793m
Mala 487 - 1537 litros
Depósito de combustível 55 litros
Pneus F 235/45 R19
Pneus T 235/45 R19
Peso 1535 kg
Relação peso/potência 8,52 kg/cv
Prestações e consumos oficiais
Vel. máxima 235 km/h
Acel. 0-100 km/h 8,3 s
Consumo médio 4,7 l/100 km
Emissões de CO2 124 g/km
Garantias/Manutenção
Mecânica 2 anos sem limite km
Pintura/Corrosão 3/12 anos
Intervalos entre revisões 30000 km
Imposto de circulação (IUC) 255,71 €

Medições

PEUGEOT

Acelerações
0-50 km/h 3 s
0-100 / 130 km/h 8,5 s
0-400 / 0-1000 m 16,9 s
Recuperações
40-80 km/h (D) 4,7 s
60-100 km/h (D) 5,6 s
80-120 km/h (D) 6,8 s
Travagem
100-0/50-0km/h 36/9,1 m
Consumos
Consumo médio 6,8 l/100km
Autonomia 808 km

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