O conceito híbrido plug-in poderá muito bem liderar as soluções mais racionais e efetivas para o automóvel do futuro (e para o futuro do automóvel). Na maioria das situações permite utilização do veículo em modo 100% elétrico e livre de emissões, aliado à possibilidade de quando necessário ir um pouco mais longe ter o motor de combustão como garantia de propulsão e/ou gerador de eletricidade para as baterias. E caberá ao condutor saber gerir a fonte de energia ideal para cada momento e tipo de utilização.
Tudo o que a versão PHEV do Outlander sempre permitiu, desde 2013, quando chegou ao mercado. E que agora acaba de conhecer a mais recente atualização, acima de tudo cimentada no plano tecnológico e na evolução do sistema híbrido, com o aumento da potência dos motores elétricos (um por eixo) e a substituição da unidade térmica 2 litros a gasolina por um mais evoluído e eficiente 2.4, igualmente a gasolina, mas que funciona sobre o ciclo Atkinson – diferenciação do tempo de abertura das válvulas que permite simular um menor tempo dedicado à compressão do que à expansão.
Paralelamente, a capacidade da bateria (localizada sob o piso, na zona mais ao centro da carroçaria) aumentou dos 12 para os 13,8 kWh, o que contribui para que o novo Outlander consiga percorrer, efetivamente (e por nós confirmado), entre 55 e 60 km em modo puramente elétrico: o registo mais alto em condução maioritariamente citadina, com pára-arranca e picos de velocidade instantânea entre 80/90 km/h; ou realistas 55 km se as voltas quotidianas incluírem alguns percursos em vias rápidas, com velocidades constantes na ordem dos 100 km/h.
Para atestar a bateria, verificámos período máximo de 5h30 numa normal ligação a tomada doméstica (10 A), sendo que este SUV também admite carregamento rápido, com 25 minutos para 80% da capacidade.
Entre os novos feitos da geração 2019 do Outlander PHEV, com a potência máxima combinada a agora a cifrar-se em 230 cv, possibilidade de rodar em modo 100% elétrico até aos 135 km/h (vs 125 km/h) e inclusão dos modos de condução Sport e Snow que permitem melhor adequar a entrega de potência a mais alargado leque de solicitações.
Se no dia-a-dia de mais de 80% da população mundial os cerca 55 km de autonomia elétrica efetiva entre recargas permitem circulação nas cidades sem fumaça poluente, o que acontece quando precisamos de viajar? Lançámo-nos à estrada e percorremos mais de 300 km com uma só carga de bateria, entre cidade, muita autoestrada e vias secundárias. Através das funções Save e Charge o condutor pode gerir os níveis de carga elétrica, preservando-a para percursos mais lentos ou até servir-se do motor a combustão como gerador (o que não fizemos neste percurso alongado). O certo é que ao final do dia o computador de bordo rubricou média de 6 l/100 km, com a surpresa de indicar que durante mais de 50% do tempo o motor a combustão esteve desligado. Saindo de casa com baterias carregadas, ao final de 100 km, o consumo médio de combustível rondará os 3 l/100 km.
A adoção desta nova unidade de 2.4 litros contribui não só para a redução efetiva do consumo médio como também para a redução do ruído quer em aceleração, quer a velocidades constantes em autoestrada – quer esteja a servir como gerador, impulsionador ou ambas as ações em simultâneo.
Na atualização do Outlander PHEV, além de diferenciações estéticas no exterior, alguns comandos foram reposicionados e existe novo grafismo na instrumentação. Pena que o habitáculo continue pouco acolhedor, escuro e visualmente pouco tecnologicamente apelativo.