As versões desportivas RS têm estatuto referencial na gama Octavia, e em especial na carrinha. Na renovação desta 3.ª geração, prestações mais convincentes proporcionadas por um motor a gasolina acrescido de potência até aos 245 cv e com desenvolvimento da dinâmica através da afinação das suspensões para eficácia superior e ainda maior divertimento na condução. Reforço do tal factor X, que a carrinha mais racing da Skoda consegue brilhantemente combinar com quase tudo o que poderá agradar a chefes de família com filhos: o espaço necessário para transportar a prole e as suas tralhas sem apertos, a que se acrescenta a abundante dotação de equipamento de conforto e segurança. Para começar, é uma carrinha (sublinhe-se o formato, em teoria, pouco dado a correrias…), ainda o veículo familiar por excelência, com níveis de habitabilidade muito bons e generosa bagageira com 610 litros de capacidade, isto na configuração de cinco lugares, um valor que sobe para impressionantes 1740 litros com os bancos traseiros rebatidos. Quanto a funcionalidade/versatilidade, estamos praticamente conversados, faltando apenas referir que o interior é ergonómico, sobretudo à frente (posição onde, aliás, essa avaliação terá mais peso), além da ótima posição de condução e fartura de pequenos espaços para arrumação de pequenos objetos.
Nesta versão que é a mais musculada na gama, motor a gasolina de 4 cilindros e 2 litros, o mesmíssimo EA888 que encontramos sob o capot de tantos modelos do Grupo VW, do icónico Golf GTI. Este 2.0 TSI, cuja potência se anuncia na designação do modelo (245 cv), ganhou 15 cv ao anterior RS 230 (230 cv) e 20 Nm de binário máximo (de 350 Nm subiu para 370 Nm). O acréscimo de rendimento deve-se, principalmente, à reprogramação da gestão eletrónica do motor (centralina) e aos aperfeiçoamentos na bomba de óleo e nos pistões, mais ainda a proveitosas afinações.
O desenvolvimento do motor permite-lhe ter mais elasticidade nos regimes mais baixos, com o contributo de se atingir o binário máximo logo às 1600 rpm e de o manter até às 4300 rpm. Ao pisarmos o pedal do acelerador com enorme determinação obtemos resposta tão poderosa como em desportivos de maior gabarito, que é ampliada por sistema de escape trabalhado de acordo com mecânica com temperamento bipolar, variando a sonoridade do motor em função da carga do turbo. Mas só a fundo agradará a amantes de géneros musicais mais frenéticos…
O insuflado pulmão deste familiar garante recuperações rapidíssimas suportadas, também neste particular, por esta espécie de dupla personalidade, a permitir desempenhos tão surpreendentes como a funcionar em 6.ª velocidade abaixo das 1000 rpm e, de seguida, disparar para ritmos proibitivos! Na nossa sessão de medições dinâmicas, os primeiros 1000 metros arrumaram-se em apenas 26 segundos…
A condução sai a ganhar com a rapidez (mas apenas relativa precisão!) da caixa manual de 6 velocidades, com escalonamento curto (exceto a 6.ª, que é longa) pensado para aproveitar este motor na sua plenitude e agradar a quem se senta atrás do ótimo volante Supersport, revestido a pele perfurada, com pega ergonómica, base cortada e sigla vRS no braço inferior.
O rol de virtudes continua no comportamento dinâmico. O Octavia Break RS 245 está 15 mm mais perto do solo e tem as vias traseiras 30 mm mais largas do que as das versões convencionais da gama Octavia, assente em plataforma sã, amortecimento de acrescida firmeza, corretamente ajustado a restringir os movimentos da carroçaria, mecanismo da direção que a torna precisa e comunicativa, imunizando-a de vibrações provenientes das valentes descargas de binário. A tudo isto, some-se a capacidade de ainda se adaptar o comportamento da carrinha às preferências do condutor, através do programa Performance Mode Selection (de série), com cinco modos de condução (ECO, Comfort, Normal, Sport e Individual), que altera o funcionamento de órgãos vitais ao desempenho do automóvel, como o motor, transmissão, direção e amortecimento da suspensão (opcional por 830 €, incluído na unidade em teste), diferencial eletrónico e sonoridade do escape. Por seu turno, o bloqueio eletrónico do diferencial dianteiro (XDS+), integrado no controlo eletrónico de estabilidade (ESC), melhora a aderência e reduz a tendência para eventual subviragem em curvas rápidas, com auxílio de bons pneus 225/45 montados em jantes de liga leve de 18’’, ambos de série. Quem precisa de mais?