Não é muito frequente lidar com motor Diesel capaz de aflorar com enorme à vontade regimes acima das 4000 rpm. Mas este novo e mais pujante derivativo do recente bloco 2 litros turbodiesel da Mercedes, puxado dos 194 cv da versão 220 d até aos 245 cv deste 300 d, tem precisamente nesse comportamento incisivo e alma desportiva a diferença que justifica o acréscimo no investimento, na ordem dos 7600 €.
Os 245 cv e os generosos 500 Nm de binário máximo, mantidos em permanência de disponibilidade entre as 1600 e as 2400 rpm, emprestam ao agora E 300 d Coupé desempenho mais vigoroso e até bem mais condizente com o estatuto de grande e requintado coupé. Que nasceu para impressionar tanto por intermédio da forte presença em estrada, como pelo gabarito dinâmico a altas velocidades.
Sendo um estradista de gema, ao E Coupé fica-lhe bem a pujança permitida por este motor, que trabalha em sintonia com a caixa automática de 9 velocidades e com os diversos modos de condução do sistema Dynamic Select, que ajudam a moldar a entrega desses dois órgãos mecânicos: são bem evidentes as diferenças na resposta às solicitações no acelerador e nos tempos de passagem das relações de caixa – apenas existe, por vezes, um ligeiro arrasto entre 1.ª e 2.ª velocidade, desnecessário, face à força do motor...
Se no modo de condução mais regrado a caixa até inclui função velejar para minimização dos consumos, é em Sport+ que se percebem as reais intenções dos 245 cv e, acima de tudo, da generosa oferta de binário: as retomas de velocidade são bem mais lestas face à versão 220 d, com este 300 d a galgar velocidade com enorme ímpeto, aproveitando os regimes mais altos.
Na base do desempenho tão vivo deste motor 2 litros turbodiesel estará o incremento da pressão de injeção (que sobe dos 2050 bar no 220 d para os 2500 bar no 300 d), bem como o recurso a tecnologia de dupla sobrealimentação, o que muito ajuda à superior capacidade de atingir e manter velocidades elevadas em autoestrada. Neste cenário, vêm também ao cimo as excelentes qualidades do chassis que tornam a condução descontraída e relaxada.
Mas, querendo-se, é possível aproveitar as oferendas de um conjunto de tração traseira que, não obstante a motorização Diesel, consegue proporcionar prazer em curva. Prazer esse fruto da correta desmultiplicação informativa do mecanismo da direção e da capacidade do chassis em aguentar e recuperar de ângulos de deriva já bastante pronunciados. Mesmo tratando-se de coupé com quase 1,8 toneladas e 4,9 metros de comprimento – e só com um Diesel de 4 cilindros e de não mais que 2 litros de capacidade!
Em prol do vanguardismo concecional, o Classe E Coupé tem como uma das imagens de marca a ausência de pilar central, entre os vidros laterais da frente e traseiro, criando zona totalmente aberta quando ambos estão recolhidos. Falta botão que possibilite comandar os vidros elétricos traseiros a partir de quem se sente atrás – apenas pode ser feito a partir da porta do condutor. Os dois lugares posteriores são cómodos e espaçosos tendo em conta a configuração da carroçaria. Para chegar lá atrás, o ideal será contar com o opcional Pack Premium que, entre outros elementos, inclui ajustes totalmente elétricos para os bancos dianteiros, fazendo com que estes deslizem de forma automática, facilitando o acesso.
A gama do Classe E Coupé foi recentemente alvo de uma pequena reestruturação no equipamento de série, passando a oferecer o painel de instrumentos digital multiconfigurável (cockpit panorâmico, de excelente resolução gráfica e riqueza nos conteúdos) e o assistente de ângulo morto. Para abrilhantar habitáculo, que continua a ser exemplo de ergonomia e modernidade, revestimentos em pele no tablier e bancos e, com a adoção da linha de acabamentos AMG, madeira de freixo poroso e superfícies em alumínio, a que se junta volante desportivo com zonas de pega em pele perfurada, pedais metálicos e tapetes com assinatura específica.
A carroçaria Coupé surge com afinações específicas na suspensão face, por exemplo, à berlina de quatro portas, sendo notada uma nítida rigidez no amortecimento, em particular quando montadas as jantes de 20’’ em pneus Run Flat de baixo perfil. Por outro lado, conte-se com elevados níveis de aderência em baixa ou alta velocidade.