Há poucos dias, um responsável de uma marca de automóveis justificava que, devido às emergentes restrições europeias em matéria de emissões poluentes na certificação de veículos, a rentabilidade comercial de veículos com motores potentes dependeria, cada vez mais, de motorizações híbridas. Simplificando: num futuro próximo, automóveis potentes comercializáveis de marcas de grande volume só com motores híbridos, a única forma de as emissões permanecerem a níveis homologáveis.
A Land Rover, embora não sendo uma marca generalista, e ainda menos a sua gama superior Range Rover, começa por dar o exemplo e segue desde já a tendência da 'hibridização' com a versão que será certamente, perante o declínio do Diesel, a mais comercializável do SUV topo de gama a breve prazo, híbrida plug-in.
O modelo clássico topo de gama foi o primeiro da gama com tecnologia PHEV ou P400e (entretanto também a variante Sport), que associa motores a gasolina e elétrico, este último alimentado por bateria com carregamento externo que pode ser efetuado numa tomada da rede doméstica. O PHEV sucede ao congénere HEV, híbrido a gasóleo e sem carregamento externo, e no seu módulo conjuga um motor quatro cilindros e dois litros, a gasolina, de 300 cv, e uma unidade elétrica de 116 cv (85 kW), que funcionando com caixa automática de oito velocidades, debita um total de 404 cv e 640 Nm. Primeiro imperativo atingido: motor de elevado rendimento, que assegura ao Range Rover performances condizentes com o seu estatuto na gama e prestígio como automóvel de luxo com consagradas aptidões para o topo o terreno, embora historicamente um bem reconhecido e apreciado estradista. Nunca falta energia ao agregado propulsor térmico-elétrico para agilizar as prestações do imponente SUV. Mas os maiores louvores à motorização do automóvel tão avantajado gabarito, de tamanho e peso, devem-se a outro componente…
O segundo imperativo, a eficiência, resulta em grande parte da capacidade da bateria que alimenta o motor elétrico suportar o seu funcionamento autónomo (livre de emissões) durante o maior número de quilómetros possível, para baixar o consumo de combustível e as emissões homologados. Garante-o, segundo a marca, até 51 km, e com a fundamental virtude de permitir a condução do veículo sem restrições até aos 137 km/h sem ligar o motor a combustão. Promessa cumprida pelo fabricante, uma vez o Range Rover PHEV funciona exclusivamente a energia de bateria durante 40 a 45 km sem mais do que moderação no acelerador e que não deixa de constituir um esforço hercúleo para a bateria, por isso com elogiável mérito, uma vez que o SUV pesa mais de duas toneladas e meia.
O consumo médio e as emissões são homologadas ainda segundo cessante ciclo NEDC, pelo que os 3,1 litros aos 100 km são extremamente otimistas, para não dizer impossíveis na utilização do veículo em condições reais, referindo-se ao funcionamento do Range Rover em modo elétrico (sem consumo de combustível) durante metade (anunciada: 51 km) daquela distância. E a que corresponde não mais do que igualmente subestimados 68 g/km de CO2. Revelando estas últimas um valor tão contido para efeitos de homologação, o objetivo da tecnologia PHEV para a competitividade comercial do Range Rover foi totalmente alcançado. Na prática, conte-se com consumo médio de 7 l/100 km, e com a condição incontornável, de arrancar sempre com a bateria a 100% da sua capacidade.
O sistema híbrido permite a seleção de diversos modos de condução, incluindo função Save (impede que a energia elétrica armazenada nas baterias desça abaixo de uma percentagem previamente estabelecida) e um inteligente Predictive Energy Optimisation (PEO) que mediante prévia introdução de um destino no sistema de navegação, faz com que o sistema possa gerir de forma automática qual a melhor fonte de alimentação (ou ambas) a utilizar em todo o percurso. Não poderia faltar modo EV, forçando a utilização apenas do modo elétrico, especialmente útil em ambientes urbanos.
As baterias são de iões de lítio, com 13,1 kWh de capacidade, estando alojadas sob o piso da mala. A tomada externa está bem disfarçada, embutida sob a grelha frontal, mal se notando o recorte da abertura face às versões não híbridas do Range Rover. São necessárias 7h30 para carregar as baterias quando ligado o automóvel a tomada doméstica de 10 A, embora a marca anuncie 2h30 em carregadores de 32 A.
No resto, a atualização da quarta geração do Range Rover trouxe retoques na estética, com modernização do design dos grupos óticos, os dianteiros com tecnologia LED Pixer Laser (opcional). No habitáculo destaca-se a mais recente geração do sistema de infoentretenimento do Grupo Jaguar Land Rover, dotado de dois ecrãs táteis de 10’’, o aprimoramento dos bancos e de alguns detalhes, provando que é sempre possível sublimar o luxo.
Para um automóvel com centro de gravidade tão elevado, o Range Rover tem extraordinário dinamismo, mantendo- se estável, sem excessivo adorno da carroçaria em curva ou balanceamentos em lombas. Para o que contribui, em Modo Dinâmico do programa de condução, uma lei de amortecimento mais firme, e as barras estabilizadores ativas. Ao que se acrescenta o Controlo Ativo do Rolamento e a Vetorização do Binário para estabilidade em curva ainda superior. A transferência de potência e de binário entre cada eixo é efetuada por diferencial central, até uma repartição quase equitativa (42-58%) e em separado entre cada roda do mesmo eixo.