A pergunta é recorrente: «mas isso vale alguma coisa em todo-o-terreno? É tão pequeno...». Não ficamos espantados com a dúvida colocada por algumas pessoas sobre as capacidades do Suzuki Jimny em condições de terreno mais adversas, pois o tamanho da embalagem sugere alguma fragilidade. Contudo, quem conhece o pequeno jipe japonês, o mais pequeno todo-o-terreno do mercado, sabe que, pelo menos neste caso, quem vê cara não vê competência. Há quase 50 anos que o Jimny dá provas de pertencer a uma elite de veículos capazes de enfrentar terrenos, digamos, muito pouco académicos. Mas antes da análise das capacidades do jipe da Suzuki, vejamos o que há de novo nesta 4.ª geração.
O Jimny mantém a imagem robusta que sempre o caracterizou – sendo que a pintura da unidade que testámos, que copia a cor habitual dos veículos militares, reforça a aparência pura e dura –, com linhas retas, faróis redondos, piscas independentes e grelha de aberturas verticais. No novo modelo, destaque para o número superior de proteções plásticas na carroçaria.
O pequeno habitáculo (3,65 m de comprimento) acolhe quatro adultos, mas é escasso o espaço em comprimento para as pernas nos lugares traseiros. A largura (carroçaria com 1,645) também não é famosa, sobretudo nos lugares traseiros. Já a posição de condução é correta (ainda que acanhada), sendo sobrelevada, como se recomenda nos TT, mas o assento não dispõe de regulação em altura, pelo que os condutores mais altos poderão ter algumas dificuldades em encontrar a melhor posição em frente ao volante. Este, dispõe somente de regulação em altura, dispensando o ajuste em profundidade/alcance. Com apenas três portas, para aceder aos bancos traseiros é necessário mover os da frente, em dois movimentos, sobrando espaço exíguo para entrar, operação que é dificultada ainda pela altura ao solo elevada.
A bagageira tem apenas 85 litros, não dispondo de chapeleira ou cortina, pelo que qualquer mercadoria (necessariamente de pequenas dimensões) fica à vista de todos, a não ser que seja guardada no pequeno alçapão escondido no piso do compartimento que é disponibilizado na versão mais equipada (Mode 3), que conta também com uma tomada de 12V. Com o rebatimento dos bancos traseiros, e consequente redução da lotação para duas pessoas, o volume de carga aumenta para mais razoáveis 377 litros.
Os plásticos dos interiores são simples, mas robustos, não sendo de esperar o aparecimento prematuro de ruídos parasitas. Nesta geração, destaca-se o design do painel e do tablier mais moderno e tecnológico, contando com ecrã tátil de 7 polegadas para o sistema de infoentretenimento. Botões e comandos são fáceis de operar.
Novidade muito importante encontra-se debaixo do capot, onde encontramos o quatro cilindros a gasolina de 1,5 litros e 102 cv, que substitui o 1.3 da geração anterior, com 83 cv. Acoplado a caixa manual de cinco velocidades, a mecânica tem um pouco mais de músculo face à anterior, o que lhe confere sobretudo capacidade superior para enfrentar terrenos mais difíceis, pois as vantagens em estrada, embora existam, não sejam muito relevantes, com o Jimny a continuar a ser um automóvel lento. Não se entenda isto como uma crítica, pois parece-nos que ninguém espera que este pequeno caixote com rodas (não é uma avaliação depreciativa) e pequeno motor com 102 cv seja um velocista. Mas é, sem dúvida, um valoroso soldado em percursos agrestes.
O novo Jimny herda do antecessor o bom desempenho em off-road sem grandes recursos eletrónicos: a tração acontece, por defeito, nas rodas traseiras e o eixo dianteiro (4H) é conectado manualmente num seletor posicionado atrás da caixa de velocidades, uma solução à antiga onde se engrenam também as redutoras (4L), num regresso às origens que se saúda, visto que na geração anterior as funções referidas eram inseríveis por botão.
É sem temores que nos atiramos para fora de estrada com o Jimny, enfrentando logo de início uma zona com alguns pedregulhos mais altos, os quais ultrapassamos devagar, mas confiantes nos amplos ângulos de TT – 37.º de ataque, 28.º ventral (antes 31.º) e 49.º de saída. Ultrapassada a primeira dificuldade, avançamos estrada fora, ultrapassando em velocidade largas poças de água para depois lidar com um escorregadio e enlameado terreno. As rodas traseiras patinam um pouco à procura de tração, mas o Jimny vai avançando lentamente até chegar a terra mais firme. Depois de alguns quilómetros em velocidade de cruzeiro, uma descida íngreme permite- nos testar o controlo de descida, um dos dois elementos eletrónicos (o outro é o auxílio ao arranque em subida) que ajudam no off-road. Chegamos ao fim do declive sem sobressaltos, prosseguindo com sucesso uma viagem que dura há já 48 anos.