Nesta série especial Sport da Mitsubishi L200 Strakar, uma das duas que celebram os 40 anos do modelo japonês – a outra é a Strakar Extreme – e que tem por base o chassis de cabina dupla, há importante reforço de equipamento de conforto e de estilo para conferir a esta pick-up maior exclusividade e aparência mais desportiva.
Passemos então, então, em revista os acrescentos: por fora, grelha do radiador, protecção inferior dianteira, anéis dos faróis de nevoeiro, abas laterais, jantes de 17’’, espelhos retrovisores com indicadores de mudança de direção, puxadores exteriores, estribos laterais e para-choques traseiro específico, pneus BF Goodrich AT 245/65 R17, caixa de carga forrada e rollbar em preto; no habitáculo, bancos dianteiros exclusivos em pele com logótipo Strakar bordado, tapetes de borracha, emblema Sport na carroçaria e no habitáculo, faróis bixénon com luzes diurnas LED e acesso sem chave.
Esta série especial da L200 Strakar Sport custa 43.705 €, acrescentando 3500 € de equipamento (ao qual não há que acrescentar IVA) à L200 Strakar Cabina Dupla de 5 lugares com equipamento base, proposta por 39.400 €. Um negócio claramente vantajoso para quem dá valor à imagem do automóvel que conduz.
Na mecânica, não há novidades, mantendo-se no ativo o conhecido Diesel 2.4 DI-D MIVEC, com 181 cv e 430 Nm de binário máximo às 2500 rpm, o qual está acoplado a caixa manual de 6 velocidades. E, claro, referência obrigatória merece o muito eficaz sistema de tração integral inserível que a marca japonesa denomina de Super Select 4WD-II, com seleção por via eletrónica dos eixos motrizes – apenas o traseiro (2H); ambos (4H), e ainda o bloqueio do diferencial central (4HLc) e as redutoras (4LLc) –, através de comando manual giratório posicionado no prolongamento da consola central, paralelamente ao travão de mão.
A condução da L200 Strakar não é confortável, pois trata-se de veículo duro – os principais elementos afetos à condução, ou seja, a direção, embraiagem e engrenamento da caixa revelam peso e aspereza excessivos – com comportamento em estrada pouco ágil e resposta muito seca das ligações ao solo (principalmente do eixo traseiro rígido com lâminas), adornando em demasia a carroçaria em curva. Contudo, fora de estrada, esta pick-up transforma-se para muito melhor, mostrando uma eficácia notável, levando-nos sem dificuldade por caminhos inacessíveis aos automóveis comuns e também à maioria dos SUV que apregoam capacidades em todo-o-terreno... bastante boas.
Merecedor de elogio é ainda o desempenho do motor, que se mostra competente e sempre disponível, embora o escalonamento das relações iniciais da caixa (muito curtas), aliado à referida dureza do engrenamento, tornam a condução cansativa na utilização urbana. Não é, não haja quaisquer dúvidas sobre isso, um veículo fácil de utilizar no dia-a-dia. Contudo, o consumo até acaba por contrariar essa ideia, sendo aceitável para tamanha potência, respetivas prestações, peso e características do modelo, apresentando média a rondar 8 litros/100 km, valor que, naturalmente, sobe de forma significativa em para-arranca ou utilização em modo quatro rodas motrizes.
O habitáculo da pick-up japonesa tem qualidade de construção muito elevada, como se exige num veículo de trabalho e de lazer com capacidades para ser utilizado em ambientes austeros, mas o material predominante é o plástico rijo. Todavia, a aparência é agradavelmente moderna e, embora a posição de condução seja incómoda, como é habitual nestes veículos, os níveis de ergonomia são aceitáveis, pois os comandos relativos à condução estão bem posicionados, assim como o ecrã que serve o sistema de infoentretenimento, onde se pode também ver as muito úteis imagens captadas pela câmara traseira de auxílio ao estacionamento. A unidade que guiámos está homologada para cinco pessoas, mas a verdade é que o lugar central traseiro é mais estreito e desconfortável que os laterais.