Em 17 anos, espaço de tempo entre o lançamento da 1.ª geração do Jazz e o momento que vivemos, a Honda vendeu mais de sete milhões de unidades do utilitário em todo o mundo, pelo que se percebe facilmente a importância deste modelo para o fabricante japonês.
Nesta atualização da 3.ª geração, a Honda apostou em ligeiros retoques na imagem exterior e em pequena melhoria dos materiais do habitáculo e, muito mais relevante, na introdução de inédita versão Dynamic, a única que terá o motor 1.5 i-VTEC de 130 cv, alargando assim o leque de mecânicas propostas para o utilitário, até agora apenas disponível com o 1.3 de 102 cv. O ótimo 3 cilindros 1.0 turbo a gasolina com 130 cv, utilizado com tanto sucesso no Civic, continua a não estar nos planos da Honda para o Jazz, que tem no 1.5 atmosférico (disponível também em articulação com a caixa automática CVT) um trunfo de peso para os grandes mercados asiáticos, onde, a título de curiosidade, se chama Fit.
Antes de avaliarmos o 1.5 i-VTEC, passemos em revista a enormíssima qualidade do Jazz enquanto utilitário. O habitáculo é extraordinariamente amplo para um automóvel com menos de quatro metros de comprimento, sendo nesse particular uma referência no segmento – nos lugares traseiros, por exemplo, a distância para os encostos da frente chega aos 75 centímetros, equiparável a um modelo familiar dois segmentos acima –, assim como na capacidade da bagageira (354 litros), e nas múltiplas possibilidades de aproveitamento do espaço face aos esquemas de rebatimento dos bancos traseiros, os quais rebatem totalmente (divisão 60:40, com o piso de carga a ficar totalmente plano, oferecendo bagageira com volumetria de 1314 litros) e os assentos também podem ser fixados na vertical aos encostos, de modo a transportar objetos de maior altura. Depois, também o encosto do passageiro da frente também pode ser totalmente reclinado de forma a criar uma espécie de sofá-cama, sendo apenas necessário retirar o apoio de cabeça para o encaixar à base dos assentos traseiros.
Quanto ao 1,5 litros atmosférico, são evidentes as vantagens de utilização face ao 1.3, desde logo porque o primeiro torna o Jazz mais rápido em aceleração (0-100 km/h em 8,7, menos 2,5 segundos), não gastando muito mais, como adiante veremos. O motor desenvolve de forma suave, não é preguiçoso a recuperar e alcança e mantém velocidades de cruzeiro em autoestrada sem dificuldades, beneficiando ainda de caixa manual de seis velocidade com relações curtas, que ameniza o facto de o binário máximo ser atingido a regimes mais elevados do que os pequenos motores sobrealimentados que a maioria da concorrência já propõe.
Globalmente, é um motor agradável de utilizar, não se notando falta de genica em nenhum tipo de percurso, isto partindo do princípio que o potencial comprador não tem acesso livre a um circuito de corridas… Importantíssimo: o consumo médio é muito contido, dificilmente ultrapassando os 6,6 l/100 km, isto mesmo quando exageramos um pouco do pedal mais à direita, o que aconteceu, por exemplo, quando efetuámos as obrigatórias medições. Nem aí, com o motor puxado ao extremo, o consumo médio ultrapassou 7 litros/100 km, proeza digna de realce.
A condução é fácil e cómoda, ainda que o ruído do motor seja um pouco elevado em esforço e não tenhamos ficado convencidos pela capacidade de filtragem das ligações ao solo, pois o Jazz revela sensibilidade excessiva quando confrontado com maus pisos ou na travessia de lombas sonoras e buracos.
Por fim, não sendo naturalmente um automóvel que desperte o piloto que há em cada um de nós, chega a surpreender a agilidade que o Jazz demonstra a curvar, mesmo em velocidades exageradas, resistindo estoicamente à subviragem e mantendo a compostura da carroçaria, a qual não adorna excessivamente.