A equação aparenta ser muito simples: muito luxo, muita potência, igual a ‘x’. Sem negar o maior peso da estrutura do E 53 Cabrio, devido aos reforços exigíveis a um modelo deste género, acima do equivalente E 53 Coupé, a natureza mecânica a jogo não coloca dificuldades a um automóvel que tem mais de duas toneladas. Assim, apesar dessa contrariedade e do tamanho em causa (4,84 metros de comprimento), a força projetada pelo bloco 3.0 de injeção direta a gasolina, biturbo (de 435 cv), auxiliado por unidade elétrica (alternador) colocada junto à transmissão automática (9G-Tronic) é mais do que suficiente para movimentar depressa (e bem) o elegante descapotável da marca alemã.
A sofisticação e a atuação semi-híbrida (através de rede suplementar de 48V) permite que as prestações sejam tão ou mais prestigiantes do que a eloquência transmitida pelos equipamentos de verdadeiro luxo existentes no habitáculo. E é logo por aí que este exclusivo E Cabrio parece distanciar-se dos restantes, quer pela linha de design AMG no interior, quer no exterior, agregando ainda alguns opcionais importantes, tais como o pack Premium, por 3550 €, que inclui faróis adaptativos Multibeam LED, por exemplo.
As jantes AMG de 20’’ (1600 €) e os pneus Michelin Pilot Sport com medidas 245/35 e 275/30 (frente/traseira) são outros traços distintivos, a que se junta o equipamento adicional (de série) da versão em teste: estofos forrados a pele Artico/Dinamica ou pele Nappa, volante desportivo Performance e suspensão Ride Control+, neste último caso com molas pneumáticas e a possibilidade de variação da altura, mesmo que este E esteja 15 mm mais próximo do solo. Está assim garantido o elevado nível de motricidade que é possível verificar em quase todas as situações, mesmo nos casos em que se desliga o controlo de estabilidade (ESP), o qual também adota modo intermédio (Sport), este mais permissivo, embora pouco radical. Como se exige a um automóvel familiar...
Mesmo nessas circunstâncias é difícil que o pesado E 53 Cabrio tenha gestos nada ortodoxos, sendo fácil controlá-lo e efetuar a gestão da potência que é enviada (de forma preferencial) às rodas traseiras. Nada a temer! A tração integral 4Matic de gestão eletrónica corrobora essa eficácia e permite que a repartição do binário (e respetiva aderência) seja quase impercetível. As reações dinâmicas são facilmente geridas pela precisão da direção, mesmo nos casos em a condução sugere outro tipo de pressas (momentâneas ou não!) ou nas acelerações mais violentas. Vale tudo! O programa Sport+ projeta outro tipo de agressividade graças à afinação mais ríspida do motor (e que som!), da suspensão e da própria transmissão automática, esta última sempre rápida nas diversas trocas/transições, inclusive no modo sequencial. Gratificante!
No entanto, os elogios não terminam por aqui, sendo possível aproveitar toda a potência do agregado (457 cv) para arranques até 100 km/h em apenas 4,5 segundos, em simultâneo com tremenda elasticidade ao nível das recuperações, como se observa nas retomas principais abaixo dos 3 s. Pesado e... despachado! Também aí a voz do escape é mais grave, elevando o próprio timbre e até com uma certa variação de tom que dá a entender a aristocracia mecânica. Já agora, o habitáculo está bem isolado pela capota têxtil (automática) e na configuração aberta a proteção está bem definida até aos 100 km/h ou mais...
Outra particularidade assenta na forma civilizada e na suavidade de funcionamento do propulsor, mais uma vez por culpa do tal apoio elétrico, algo que se pressente no momento em que se liga a ignição e nos arranques, assim como nas manobras de parque a baixa velocidade. Quase a confundir-se com um modelo híbrido ou elétrico, tendo em conta o baixo ruído de rolamento, embora não haja propulsão puramente elétrica e/ou modo zero emissões, mesmo que a atuação do sistema start-stop seja inteligente e discreta. Ótimo!
Nas velocidades elevadas, o modo velejar está incluído e se se selecionar o programa ECO é muito natural que se possa poupar combustível, até porque as médias mais comuns estão bem próximas de 10 litros por cada 100 km, sendo fácil divergir para patamares de 11,7 a 12,5 l/100 km, aí sem qualquer preocupação ao nível da condução e/ou dos percursos. Sem táticas, portanto.
Considerando a cilindrada e a potência, assim como as prestações, a eficiência em causa não é particularmente elevada, ainda para mais numa versão tão equipada. Logo mais pesada.
Mas, de facto, é muito fácil perder a serenidade (ou a calma...) face ao rendimento que o motor 3.0 de 6 cilindros (biturbo) é capaz de projetar, mais uma vez a permitir ao condutor abusar dessa(s) velocidade(s) sem sequer beliscar a segurança, graças ao comportamento do chassis e das ligações ao solo, independentemente do peso que é sentido no eixo da frente. Poderoso!
A capacidade da travagem é outro aspeto que importa elogiar, sendo resistente à fadiga (discos ventilados e perfurados à frente) e com o resultado quase surpreendente de 35,3 metros a partir de 100 km/h até à imobilização total. Nada mau para um modelo do género; sem evasivas, ruído excessivo ou demasiado bailado da estrutura, que justifica uma observação final menos lisonjeira e que se refere à trepidação no mau piso (ruídos), sintoma que também se deve à dureza da suspensão. Mas essa firmeza é cúmplice do que está no asfalto: um Cabrio dos diabos!