Face à geração anterior, a pick-up Navara obteve várias melhorias, quer ao nível dos equipamentos, quer na condução propriamente dita. E essa é uma estória que conta... e da qual a nova versão N-Guard também passará a fazer parte, corroborando esses argumentos, até porque exibe uma imagem exterior aventureira e alguns detalhes inéditos, inclusive com acabamentos a negro. Na grelha frontal, na moldura dos faróis e dos retrovisores, e ainda nos puxadores das portas, no para-choques traseiro e nas barras longitudinais do tejadilho.
Outra diferença essencial reside nas jantes escurecidas em liga leve de 18’’, associadas a pneus Continental Conti Cross Contact com as medidas 255/60 (mistos). O teto de abrir elétrico (panorâmico) com vidro escuro também é de série, assim como a decoração específica (decalques a negro) junto aos estribos laterais, na base das portas, que se prolonga até à caixa de carga, sendo possível combiná-la com três cores de carroçaria (cinzento Dark, preto Metallic e branco Storm). Para que conste.
Além da imagem diferente, a N-Guard adota alguns equipamentos exclusivos, apenas inferior à listagem proposta pela versão Tekna, a mais cara da gama e na qual até se baseia. Destacam-se os bancos forrados parcialmente a couro (com pespontos a amarelo, extensivos aos tapetes, painéis das portas e apoio de braços), os da frente com função de aquecimento e o do condutor com ajustes por comando elétrico (8 regulações). Acrescentam-se ainda os faróis LED com ativação automática, assim como o sistema de navegação 3D (ecrã tátil no topo do tablier) e o ar condicionado automático bizona, entre outros luxos.
A câmara inteligente de marcha-atrás (360º) e os sensores traseiros são dispositivos bastante úteis para as manobras de parqueamento, até porque as dimensões não são nada fáceis (acima de 5,30 m) e a capacidade de brecagem é diminuta (12,4 m). Todo o cuidado é pouco para que não haja percalços inesperados, em especial junto à caixa de carga, exigindo até um certo esforço mediante o peso da assistência da direção.
Aliás, a dureza da condução é extensiva aos outros comandos, muito por culpa da pressão que é necessário efetuar nos pedais e no seletor da caixa manual. Ou seja, algo que é típico neste género de veículos, mesmo que os sintomas estejam agora mais atenuados e as reações dinâmicas quase se equivalem às das dos SUV.
É claro que o formato pick-up e as próprias dimensões aumentam a resistência aerodinâmica, algo que não é fácil de contornar, embora a força do motor 2.3 dCi (450 Nm às 1500 rpm) seja de levar em conta. E aí já é outra estória, que se traduz pela excelente progressão em estrada e... fora dela, neste último caso com possível permuta entre 2WD (tração traseira) e 4H (integral), incluindo modo de redutoras (4LO) e Hill Descend Control para descidas íngremes.
A eficácia em terrenos difíceis é... fácil, mesmo que as reações sejam firmes; entende-se que assim seja, num veículo que não exclui a vertente do lazer (até pela estética), mas que é essencialmente uma peça destinada ao mundo laboral, justificando-se, por vezes, o menor conforto obtido em estrada regular. Aliás, nos asfaltos degradados há reações trepidantes por parte da suspensão, e isto apesar do eixo multibraços atrás, algo que se percebe com maior evidência nos lugares traseiros.
A típica configuração de cabine dupla e a lotação para 5 ocupantes é vantajosa, embora os utentes da 2.ª fila fiquem com as pernas e os joelhos numa posição mais elevada, sem muito apoio, por culpa da curta distância entre a base dos assentos e o chão do habitáculo. Resta dizer que a plataforma de carga é ampla (aberta), tendo calhas laterais e ilhargas de fixação.