No desenvolvimento da geração nova (JL) de ícone norte-americano e da indústria automóvel, os especialistas da Jeep, emblema do consórcio Fiat Chrysler Automobiles (FCA), não mexeram quase um milímetro nas formas e na silhueta quadradonas, mantendo-se fiéis ao desenho original do veículo de origem militar, o mesmo acontecendo com alguns pormenores deliciosamente retro, como as braçadeiras laterais que servem para fechar o compartimento do motor, a enorme grelha com sete barras verticais ou os faróis redondos, bem simples. E a fórmula conhecida de carroçaria de aço suportada por estrutura com longarinas e travessas, suspensões de eixos rígidos, molas helicoidais, escora transversal e barras estabilizadoras, também foi mantida. Entre os progressos, revisão integral do cockpit, que se aburguesou, também na dotação de equipamentos, ganhando ecrãs táteis policromáticos, que podem atingir 8,4’’, ligação aos sistemas Apple Car Play e Android Auto e, ainda, mão-cheia de sistemas de assistência à condução e segurança, com destaque para a monotorização dos ângulos mortos nos retrovisores exteriores, aviso de aproximação perigosa de outros carros ou câmara traseira.
Sob o capot, motor novo, um turbodiesel com 4 cilindros, 2,2 litros e 200 cv (precisa de aditivo Adblue para respeitar as emissões de gases de escape), associado a caixa automática de 8 velocidades, também nova, que é rápida q.b., além de oferecer uma sensação de robustez que faz acreditar que está preparada para resistir a todos os tipos castigos comuns quando decidimos acelerar fora de estrada...
O Wrangler novo tem, igualmente, direção melhorada, que não é tão lenta ou vaga como a do carro precedente, mas o Jeep mais puro e duro, embora apresentado- se mais leve do que o antecessor, tem dimensões e peso avantajados. Estas características, associadas ao curso longo das suspensões (eixos rígidos à frente e atrás), continuam a obrigar-nos à pratica de um estilo de condução defensivo, que pede habituação.
Rolando no asfalto, o Wrangler é rijo, desconfortável e pouco prático, mas quem o conduz não espera outra coisa. Este modelo emblemático da marca norte-americana especializada em TT é um autêntico automóvel de culto capaz de transformar qualquer viagem num exercício de afirmação de estilo. Sim, é um duro, como já não se faz, brilhante em TT, com tração 4x4 inserível, bloqueios de diferenciais e ângulos específicos para atacar qualquer obstáculo. Pela 1.ª vez, diferencial central permite circular com quatro rodas motrizes sobre superfícies muito aderentes, por exemplo em asfaltos lisos e secos. O novo Diesel de 200 cv, no lugar de motor VM de 2,8 litros com o mesmo nível de potência, é o que equipa o Cherokee. Esta mecânica de 4 cilindros tem potência e binário de sobra e, ainda, o mérito de ser ligeiramente mais poupado, além de mais refinado no funcionamento.
Como na geração que sai de cena, face à proposta de acesso à gama, com o acabamento Sport, o Rubicon (7000 € mais caro) acrescenta equipamentos específicos, com destaque para o verdadeiro arsenal técnico para o todo-o-terreno mais exigente. A lista de elementos exclusivos inclui, por exemplo, o sistema de tração integral Rock-Trac (rácio 4:1 nas relações baixas), diferenciais TruLok (é possível bloquear-se o diferencial traseiro ou ambos, em simultâneo), barra estabilizadora dianteira desconectável (desligando-a, aumenta-se o curso da suspensão) e proteções Rock Rails, que não servem apenas para a imagem, ao contrário do que possamos pensar... Estes resguardos laterais aplicados na carroçaria, sob as portas, contribuem efetivamente para melhorar a rigidez, garantindo maior resistência à torção. E, não menos importante, também existem pneus BFGoodrich Mud Terrain T/A KM2 de série, em vez dos Bridgestone Dueler H/T. Dotação que torna o Wrangler praticamente imparável quando o terreno se compõe de pó, terra e lama, apresentando-se escorregadio ou atulhado de pedras.
Nesta variante de 2 portas, muito curta distância entre eixos e ângulos otimizados (ataque: 44º em vez de 42,2º), (ventral: 27,8º em vez de 25,8º) e (saída: 37º em vez de 32,2º). Somem-se os 27,4 cm de altura livre ao solo. A passagem de cursos de água faz-se sem medos. No interior do Rubicon, no piso, locais específicos para drenagem.