Neste Vitara parece que tudo faz sentido, pelo menos quando se avalia o modelo de forma mais objetiva. Ou seja, todos os dados mensuráveis são argumentos válidos a ter em conta, desde as capacidades do motor 1.4 a gasolina até à dinâmica em estrada e... fora dela. Sem renegar as origens do tipo jipe, o revisto crossover da Suzuki nem sequer tem uma altura de carroçaria demasiado exagerada (por isso é Classe 1 nas portagens...), mesmo que mantenha uma razoável distância ao solo (18,5 cm), a que se juntam também as capacidades da transmissão 4x4 (All Grip), incluindo programas de condução diferentes: Auto, Sport e Snow (neve), neste último caso com a hipótese de bloqueio do diferencial central (Lock). Por essas razões há maior segurança em estrada sempre que as condições resvalam ou pioram, tendo um estilo de condução mais SUV do que jipe, além de atitudes neutras e fraca oscilação da carroçaria a curvar, algo quase surpreendente, inclusive quando se compara com outros adversários. E as incursões TT nem sequer estão interditas, antes pelo contrário, desde que não haja demasiada hostilidade ou necessidade de enfrentar cenários quase impossíveis. Talvez o elogio óbvio resida exatamente nessa convergência, ou seja, de bem com o asfalto, sem medo do TT.
As prestações do motor 1.4 turbo também são meritórias, como se vê nas acelerações principais e nas capacidades de retoma, sem esquecer a facilidade com que se incrementa a intensidade da condução através do modo Sport, permitindo aí reações mais aceleradas, trocas de caixa rápidas e outra resposta por parte da direção. Nota positiva ainda para o baixo ruído do propulsor 1.4T, e isto independentemente do patamar em que funciona, sem que haja vibrações no interior.
Se a dinâmica surpreende, os consumos obtidos também, mesmo que haja uma certa bipolaridade consoante o andamento exigido. Maior pressão, menor autonomia! É fácil atingir médias entre 6,2 e 6,4 l/100 km, próximas dos registos anunciados. Mas também não se afigura nada difícil a obtenção de valores entre 7,7 e 8 litros por cada 100 km, algo que nem sequer é escandaloso para o tipo de motor e género de veículo, inclusive se se tiver em conta o peso e o tamanho. Já se sabe que as eventuais perícias fora do asfalto também projetam outros cálculos, mas as contas nunca são demasiado exageradas. E ainda bem que é assim, até porque se trata de uma versão que ocupa a vez do... Diesel.
Interessa ainda dizer que foram acrescentadas ajudas eletrónicas à condução, com a estreia do alerta de ângulo morto e aviso de tráfego à retaguarda, além de se contar com travagem automática (deteção de peões) e reconhecimento dos sinais de trânsito.
Outra novidade são os visores digitais existentes (ecrã de 4,2’’ a cores no painel defronte do condutor e de 7’’ no tablier, aí para controlo das funções de infoentretenimento), embora haja detalhes anacrónicos por parte de alguns comandos. A visualização maioritariamente digital (e gráfica) não combina assim tão bem com o facto de se pôr a zero vários dados do computador (como a quilometragem, por exemplo) através de botões do tipo parafuso inseridos no painel de instrumentos. Parece que se trata de uma solução quase enxertada!
Maior elogio, sem dúvida, para o nível do equipamento de série, que inclui navegação, estofos em pele/tecido, jantes em liga leve de 17’’, sensores à frente e atrás, câmara à retaguarda, além de aviso de mudança de faixa de rodagem e cruise-control com ajuste da distância para o carro da frente. Sem esquecer que se trata de um modelo AWD/4x4, o preço proposto é imbatível, inclusive se se beneficiar da redução (2700 €) da campanha em vigor. Quase sem igual.