Há muito para analisar na abordagem nova da Mercedes para o Classe B. Vejamos: embora tenham sido vendidas milhões de unidades das duas gerações anteriores deste modelo (1,9 milhões só na Europa) que a marca alemã classifica como um Sports Tourer, a verdade é que a sua imagem nunca foi consensual. E tanto assim é que a Mercedes operou uma verdadeira transformação no design do B, tornando-o num clone insuflado do Classe A, esse sim unanimemente reconhecido como uma estampa de automóvel.
Ora, isto leva-nos a uma questão: se os dois automóveis estão tão parecidos, não será redundante tê-los a ambos no catálogo? Certamente que os especialistas da Mercedes fizeram todas as contas possíveis e imaginárias para o justificar – porque é a rentabilidade económica que tudo justifica –, mas isso não faz com que desapareça aquela sensação que algumas pessoas nos verbalizaram durante o tempo que testámos o novo Classe B: «este só tem mais espaço na mala, não é?».
Não, não é. Pese embora encontremos idênticas soluções de estilo, o tejadilho é mais alto, o que se traduz numa maior superfície vidrada e, aponte-se já, a posição de condução mais elevada 90 mm do que no Classe A, o que naturalmente melhora a visibilidade geral.
Entretanto, face à anterior geração, o B cresceu em comprimento, largura e na distância entre eixos (mais 26, 10 e 30 mm, respetivamente), mas tem menos 4 mm em altura. Isto traduz-se em alguns ganhos na habitabilidade: mais 5 mm na altura à frente e mais 8 mm atrás, e mais 8 mm à frente e 10 mm atrás na largura à altura dos ombros. Contudo, o que é que isto representa face ao Classe A? Medimos: mais 1 cm na largura à frente e atrás e mais 1 cm no comprimento para pernas atrás. Na altura, e considerando versões com teto panorâmico, mais 10 cm à frente e 2 atrás em altura.
Avancemos para as bagageiras, deixando o balanço para o final. A mala do novo Classe B tem 455 litros (menos 33 do que na geração anterior) e mais 85 litros que a do Classe A. Rebatendo os bancos, o B oferece compartimento com 1530 litros, enquanto o A se fica pelos 1200. Acrescente-se que em meados deste ano, o Classe B contará com argumento extra na funcionalidade: a possibilidade de adotar mecanismo que faz avançar e recuar a posição dos bancos da 2.ª fila em 14 cm, variando também a volumetria da zona de carga entre 455 e 705 litros.
Analisando tudo o que escrevemos no parágrafo anterior, e à exceção da mala (e enquanto não é possível mover os bancos traseiros), não é gigantesca a vantagem do B face ao A na vertente familiar, mesmo que a acessibilidade do primeiro seja muito melhor e, seguramente, uma vantagem.
Mantendo-nos no interior, é evidente que se trata do mesmo do A, o que é ótima notícia e uma tremenda evolução para o B. A secção dianteira é dominada pelos enormes ecrãs da instrumentação e do sistema de infoentretenimento que conferem ao Classe B uma impressionante ambiência high-tech. O ecrã de infoentretenimento de 10,25’’ é opcional e pode ser gerido de três formas: tocando no próprio ecrã, num botão sensível ao toque no volante, no touch-pad da consola central e ainda através da simpática «Mercedes» (MBUX, o sistema multimédia da Mercedes- Benz, que integra o sistema de conectividade «Mercedes me»), que se apresta a oferecer os seus serviços sempre que lhe dizemos o nome. Muitas soluções para gerir a informação dos dois ecrãs, que garantem que todos se poderão adaptar à gestão da farta tecnologia.
A mecânica que testámos, 200 d com 150 cv, gerida pela caixa de dupla embraiagem de 8 velocidades, garante uma utilização confortável e prestações razoáveis. Contudo, desagradou-nos o elevado ruído de funcionamento em esforço, bem como a dificuldade da caixa em gerir a pressão do pedal do acelerador a fundo, demorando a responder em termos de aceleração. Por fim, o consumo médio de 6,5 l/100 km é um pouco excessivo tendo em conta as prestações, culpas repartidas entre a juventude da unidade e, eventualmente, da referida dificuldade da caixa em gerir a utilização do acelerador. A título de curiosidade, refira-se que em setembro chegará versão híbrida plug-in (B 250 e), que deverá ser bastante interessante para o modelo em questão.
Quanto ao conforto e à dinâmica, apreciação idêntica à que já fizemos ao Classe A, o B é ágil, equilibrado, eficaz, seguro e até divertido, com a altura da carroçaria a não beliscar em nada o seu desempenho face ao A, mesmo em zonas com curvas sucessivas. Por fim, achamos que as jantes de 18’’ acabam por tornar o carro demasiado sensível em mau piso, mas regra geral o conforto é elevado.