A explicação da origem do universo é dada de forma espantosa pelo brilhante astrofísico britânico Stephen Hawking, entretanto falecido. A famosa teoria dá conta de uma certa explosão que preparou as condições (há milhares de milhões de anos...) para a origem das estrelas, das galáxias e dos planetas. Falamos, claro, do início de todas as coisas! Da força criadora, do famoso Big Bang. Provavelmente de Deus, se se enquadrar esse desígnio nas leis da natureza, diz Stephen. E porquê esta narrativa? O caso não é para menos e é talvez a única forma de abordar a substância e a formulação deste Mercedes-AMG GT 63 S (4 portas), cuja força/energia se equivalerá à origem de todas as coisas, naquilo que se definirá como algo de extraordinário. Ou melhor, como fora de série, usando um termo do futebol e do automobilês.
É essa a perceção no momento de acelerar, tanto mais se se ativar o denominado programa Launch Control. Nessa situação, com os modos Sport+ e/ou Race ligados e o sistema de controlo de estabilidade (ESP) na função intermédia (Sport), o arranque é violentíssimo e as forças G tremendas... Quase cósmico! O corpo do condutor é autenticamente atirado para a frente, numa sensação que só é possível de atingir num carro de competição. E mesmo assim não em todos. Incrível! Parece que a mente e o cerébro são transportados para outro local, como se se tratasse de uma espécie de telepatia. Estás aqui, estás ali..., e enquanto se diz isto o tempo esgota: 3 segundos até 100 km/h. Melhor: 10,2 segundos para se chegar aos 200 km/h. Rápido, não? É possível que não se seja capaz de identificar tamanha vertigem, quase sem se perceber o que se passa, e o que provoca tão agitadora tontura e o aperto no peito, como se se estivesse à beira de um... buraco negro, onde o tempo estaciona e em que a matéria se desloca a uma velocidade frenética. Há quase a sensação de que a alma se separa da parte corporal e que avança para a frente, como um holograma, para regressar após breves instantes. E o melhor é que tudo isto não acontece de forma caótica, até porque o condutor acaba por se adaptar à própria violência dessas acelerações. Basta ir repetindo, para depois ser quase natural! Pudera. E isto até ao ponto em que se percebe que há mais mérito por parte do V8 de 639 cv do que do... piloto que existe em cada um.
Para os mais experientes, após desligar o ESP (modo Sport+ ou Race), são permitidos drifts controlados, algo que até se podia julgar impensável num modelo familiar de 4 rodas motrizes (4Matic+). Mas não! Por estranho que pareça, as derivas por parte do eixo traseiro podem ser suscitadas, corrigidas com golpes atempados de volante, mesmo que a frente seja perentória ao alargar a trajetória. Exige-se delicadeza e rapidez de gestos, até porque o peso do conjunto é elevado (2120 kg), embora a distribuição seja equilibrada (54% à frente e 46% atrás) e haja vários componentes de fibra de carbono.
Perante tão grande massa corporal, a restante estrutura está à altura do desafio, incluindo travões carbocerâmicos (por 8600 €), pneus Michelin Pilot Sport Cup2 (750 €), suspensão pneumática Airmatic (de série), além de direção ativa no eixo traseiro e diferencial autoblocante. As várias tecnologias de apoio à condução (incluindo aileron retrátil posterior) não permitem quaisquer deslizes, capazes de assegurar uma dinâmica eficaz, competente e segura, como se entende na perfeição dos movimentos em estrada. E é vê-lo a curvar como se se tratasse de um desportivo de tamanho compacto, chegando também a impressionar a medição obtida na travagem: nada menos do que 32,1 metros a partir de 100 km/h. Incrível!
A maior firmeza em mau piso não invalida que o conforto seja elevado, algo que é igualmente projetado pela vivência a bordo e pelo terrível luxo de todos os equipamentos, razão pela qual o preço da unidade testada atinge a quantia astronómica de 249.650 €, acima do valor base: 213.850 €. Ainda assim!
Não se pense que a funcionalidade do habitáculo é menos meritória, uma vez que a área para bagagens é enorme e há, ainda, imenso espaço para os passageiros nos lugares à retaguarda, um pouco à semelhança do adversário Porsche Panamera, por exemplo, comparável na versão V8 biturbo S e-Hybrid de 680 cv. Existem também inúmeros acabamentos específicos e detalhes exclusivos da AMG, num portefólio quase interminável no que diz respeito a várias mordomias extravagantes, como é usual nestes casos. Nada falta!
Por fim, registe-se que o efeito termodinâmico tão elevado (a física do calor...) é responsável pelo aumento da temperatura no habitáculo (extintor sob o assento do condutor por 150 €), algo que se sente, mas que não é problemático. Menos ponderado é o consumo médio (desde 15 l/100 km), embora o bloco V8 usufrua da possibilidade de desligar metade dos cilindros se a condução for mais moderada. Por último, a transmissão automática (de 9 relações) permite trocas rápidas, quase supersónicas no modo Race, aí a gerar uma acústica grave, típica de competição. Big Bang!