Nissan Qashqai DIG-T N-CONNECTA

Outro impacto

TESTE

Por João Ouro 26-05-2019 13:00

Fotos: Gonçalo Martins

Perante o ambiente hostil aos motores Diesel, algo que nem sempre se justificará, é muito natural que a gasolina tenha agora outro tipo de protagonismo. E é nesse alinhamento que se enquadra o novo bloco 1.3 DIG-T de 140 cv do revisto Nissan Qashqai, que sucede ao homólogo de igual combustível 1.2 de 115 cv.

A estreante mecânica é resultado da parceria entre a Aliança Renault/Nissan/ Mitsubishi e a Daimler (que a utiliza nalguns modelos da Mercedes-Benz), e ostenta variados argumentos técnicos inovadores e a conceção compacta. Nesse domínio destaca-se a configuração da cabeça dos cilindros, assim como o revestimento dos mesmos, além da adoção de filtro de partículas, nova válvula e-waste gate (turbo) de controlo elétrico, câmara de combustão redesenhada e fricção interna reduzida. Tudo para que haja maior eficiência térmica e menor emissões, inclusive perante os exigentes testes WLTP, cumprindo-se assim o nível Euro6D-Temp.

Em concreto, este propulsor tem um rendimento acima do anterior 1.2 DIG-T (mais 25 cv e 50 Nm) e, simultaneamente, consumos e emissões inferiores, revelando um funcionamento muito discreto. De facto, esse é um sintoma que se apreende de imediato, no baixo ruído emitido, independentemente do regime. Como um bom motor a gasolina que se preze...

A forma como o 1.3 DIG-T é capaz de empurrar o SUV da Nissan é outra qualidade evidente, mensurável nas respostas, quer nas acelerações, apoiando-se na bem escalonada e muito precisa caixa manual de seis velocidades, quer nas retomas de velocidade desde baixos regimes, embora nestas se tenha de acautelar o alongamento das últimas relações (5.ª e 6.ª), o que contribui para potenciar a economia do consumo. Neste, é possível atingir médias moderadas de 5,6 a 6 litros por cada 100 km, aferidas neste teste, se se fizer uma condução regrada e a velocidades estáveis, num registo coerente com a média divulgada pela marca segundo o ciclo WLTP (5,7 litros/100 km), muito pouco acima do antigo motor 1.2 DIG-T medido segundo o laboratorial ciclo NEDC.

Nem tudo são ‘rosas’...

Com esta moderna proposta a gasolina, as versões Diesel que se... cuidem. Todavia, ainda no âmbito do consumo, há outros registos que interessa sublinhar. Desde logo, aumentando a pressão no acelerador garantem-se prestações bastante enérgicas, mas igualmente gastos de gasolina condizentes, atingindo médias (muito) mais elevadas que podem ultrapassar com facilidade 8 litros/100 km. E às vezes mais! Nos trajetos curtos e/ou em ambiente urbano replica-se essa tendência. Ou seja, nos casos em que se exige resposta encorpada ao 1.3 DIG-T, ao aumento da elasticidade corresponde similar acréscimo de consumo.

Uma coisa é certa, os números ajudam a perceber que há melhorias significativas (acelerações, recuperações e consumos) face ao anterior motor, mas é o agrado na condução que melhor reivindica os méritos a esta mecânica, tanto mais que se está na presença de um SUV de tonelada e meia. E isso não é pouco! Se o pé direito tiver juízo, o gasto de combustível é equilibrado, mas se isso não acontecer, então, há que contar com esse inconveniente.

Face às versões Diesel da gama (1.5 dCi de 110 cv, por exemplo) com nível de equipamento equivalente, a poupança implícita atinge cerca de 2200 €, que poderá fazer muito sentido. Sem negligenciar as prestações, importa ter em conta a maior suavidade e a ausência de vibrações deste 1.3 a gasolina contra aquele Diesel. Tudo isto, num SUV que melhorou alguns aspetos essenciais (bancos, novo volante e outros acabamentos, por exemplo) mantendo dinâmica quase irrepreensível.

Outras qualidades, estas estruturais do automóvel, referem-se ao conforto (beneficiando nesta modernização do modelo, de ajustes no amortecimento e nas barras estabilizadoras) e ao baixo ruído de rolamento. As jantes em liga leve de 18’’ com pneus Continental Conti Eco Contact5 não provocam excessiva firmeza, nem sequer nos pisos irregulares. A correta insonorização a bordo também contribui para o referido baixo ruído de rolamento percetível, num habitáculo funcional, amplo e bem equipado, como é característico das versões N-Connecta da Nissan.

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Ficha Técnica

Caracteristicas

NISSAN QASHQAI

DIG-T N-CONNECTA

Motor
Arquitetura 4 cilindros em linha
Capacidade 1332 cc
Alimentação Injeção direta, turbo, intercooler
Distribuição 2 a.c.c./16v
Potência 140 cv/5000 rpm
Binário 240 Nm/1600-3500 rpm
Transmissão
Tração Dianteira
Caixa de velocidades Manual de 6 velocidades
Chassis
Suspensão F Ind. McPherson
Suspensão T Eixo de torção
Travões F/T Discos ventilados/Discos
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/10,72 m
Dimensões e Capacidades
Compr./Largura/Altura 4,394/1,806/1,590 m
Distância entre eixos 2,646m
Mala 401 (430) - 1598 litros
Depósito de combustível 55 litros
Pneus F 7jx18 - 215/55 R18
Pneus T 7jx18 - 215/55 R18
Peso 1435 kg
Relação peso/potência 10,25 kg/cv
Prestações e consumos oficiais
Vel. máxima 193 km/h
Acel. 0-100 km/h 10,5 s
Consumo médio 5,7 l/100 km
Emissões de CO2 130 g/km
Garantias/Manutenção
Mecânica 3 anos ou 100.000 km
Pintura/Corrosão 3/12 anos
Intervalos entre revisões 30000 km
Imposto de circulação (IUC) 136,72 €

Medições

NISSAN

Acelerações
0-50 km/h 3,3 s
0-100 / 130 km/h 9,2 s
0-400 / 0-1000 m 16,6/30 s
Recuperações
40-80 km/h 3.ª 5,3 s
60-100 km/h 3.ª/4.ª/5.ª 5,5/7,1/9,3 s
80-120 km/h 4.ª/5.ª/6.ª 8/9,5/12 s
Travagem
100-0/50-0km/h 37,6/9,5 m
Consumos
Consumo médio 7,2 l/100km
Autonomia 764 km

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