Para começar, uma certeza: o VW é, seguramente, um dos melhores utilitários do mercado, cumprindo com nota elevada as exigências deste concorrido segmento.
Habitabilidade e volumetria de bom nível, qualidade de materiais e de construção acima da média, desempenho dinâmico muito competente e gama completa de motorizações.
É precisamente uma motorização o que motiva este teste ao Polo, mais concretamente a introdução do 3 cilindros atmosférico de 80 cv na gama do utilitário, em substituição da antiga unidade também atmosférica de 75 cv.
Sejamos claros, o tricilíndrico de 1 litro e 80 cv da VW nada acrescenta qualitativamente à gama do utilitário alemão, parecendo-nos claramente uma versão destinada ao mercado do rent-a-car. Façamos uma comparação com o 1.0 TSI de 95 cv, que custa apenas mais 604 euros (comparando o nível Confortline; a versão Trendline não existe neste motor): na aceleração 0-100 km/h, 10,9 segundos no TSI contra 15 s no atmosférico; aos 400 metros, 17,9 vs 19,5; na recuperação 60-100 km/h em 4.ª, 14,1 vs 15,5; na recuperação 80-120 km/h em 4.ª, 11,1 vs 17 e na retoma 80-120 km/h em 5.ª, 15,3 vs 21,5. Naturalmente, os melhores resultados são sempre a favor do motor turbo. Vantagem que se estende à velocidade máxima, com diferença de 16 km/h (187 vs 171).
«Ah, então e os consumos?!», pode o leitor, e muito bem, questionar. Nesse caso, a vantagem vai (novamente) para o motor TSI, com média de 5,4 l/100 km contra 5,8 do 1.0 de 80 cv. Não é que o valor apurado para o motor atmosférico seja mau, nada disso, mas é importante para sustentar a nossa opinião de que nem isso justifica a existência deste motor na gama. A não ser, claro, para as frotas de carros de aluguer sem condutor, vulgo rent-a-car.
Além da relevância dos números, interessa as sensações ao volante. O novo tricilíndrico é um motor de utilização difícil e que exige paciência ou até bastante tolerância, pois a elasticidade é muito reduzida e as respostas são demoradas, obrigando-nos a recorrer demasiado à caixa de 5 velocidades (cujo seletor merece elogio pelo tato firme e o acerto) à procura de mais alguma genica que acabamos por não encontrar.
Contrastante com o desempenho do motor é o comportamento dinâmico e o conforto de rolamento, que se apresentam em elevados patamares de eficácia, complementando-se na perfeição. Naturalmente que o motor não tem força para exigir grande coisa do chassis, mas já o conhecemos de outras versões e sabemos do que é capaz: conforto referencial, pisando o asfalto de uma forma que habitualmente só encontramos em segmentos superiores, e grande facilidade de condução, para o qual muito contribui a direção precisa e comunicativa.
No caso concreto desta versão Confortline, e no que ao equipamento diz respeito, consideramos que a VW foi muito pouco generosa, pois faltam diversos elementos na dotação de série que são já praticamente considerados como obrigatórios no segmento, como os sensores de chuva e luz ou os sensores de ajuda ao estacionamento (pelo menos o traseiro!), itens que a esmagadora concorrência já apresenta de série nas versões de equipamento mais baixas dos seus produtos.