O descrédito das mecânicas a gasóleo aumentou com o Dieselgate, escândalo que teve o consórcio VW como protagonista da manipulação dos gases de escape denunciada em setembro de 2015. A história surpreendeu tanto pela dimensão, como pelo impacto na procura, sobretudo na Europa, onde a tecnologia era dominante. Desde então, aumento da popularidade dos motores a gasolina e eletrificação na linha da frente das prioridades dos fabricantes de automóveis. Mas, nunca há regra sem exceção. Na Mercedes, entende-se (e bem!) que o cumprimento da média de emissões de CO2 de 95 g/km, obrigatório na União Europeia a partir de 2020, é possível apenas com combinação de sistemas de propulsão que inclui os alimentados a gasóleo. Por isso mantém-nos na gama, ainda que muito otimizados.
Na prova dos nove, CLS 300 d equipado com a variante de topo da geração nova de mecânicas de 4 cilindros a gasóleo. A Mercedes designa-a pelo nome de código «OM654» e estreou-a em 2016, quando substituiu o Classe E. Simultaneamente, iniciou o processo de abandono dos OM651, que propunha desde 2008, com 1,8 e 2,1 litros. A maior encontrava-se, por exemplo, no antecessor deste automóvel, na versão 250 BlueTEC. O progresso expressa-se quer na redução da capacidade do motor, que diminuiu para 2 litros, quer no aumento da potência, de 204 cv para 245 cv, quer, ainda, na diminuição relevante do consumo de combustível: menos 13%, de acordo com a marca. Logo, nas emissões, menos em vez de mais!
O motor do 300 d, versão mais acessível da 3.ª geração do CLS (C257), de 2018, tem qualidades suplementares, exponenciadas pelo apoio de caixa automática de 9 velocidades com função manual selecionada sequencialmente no volante, em patilhas (pequenas). O funcionamento combina sobriedade, suavidade, silêncio e ausência de vibrações. Somando-lhe a resposta rápida e vigorosa ao pedal do acelerador, que sobressai mais nos modos de condução desportivos do Dynamic Select (Sport e Sport+), mecânica mais do que qualificada para a satisfação dos proprietários do Coupé, que valorizam a condução dinâmica e veloz, mas não desprezam o conforto acima da média, ao nível do que encontram, por exemplo, no Classe E.
As performances do CLS 300 d não são superlativas, é verdade, mas considerando quer a capacidade e a potência do motor, quer as dimensões e o peso do automóvel, impressionaram-nos pela positiva. Os números registados nas nossas medições confirmam tanto a disponibilidade do 2.0 Diesel, independentemente dos regimes de funcionamento, como o talento da 9G-Tronic: nas acelerações, 0-100 km/h em 6,5 s, 0-130 km/h em 10,4 s ou 0-1000 m em 26,7 s; nas recuperações, no programa automático (D), 60-100 km/h em 3,5 s e 80-120 km/h em 4,3 s. Não menos relevante: conduzindo despreocupadamente, aproveitando as qualidades desportivas do Mercedes-Benz, consumo médio abaixo da barreira dos 7 l/100 km. E consegue-o sem o apoio do EQ Boost que encontramos nas versões a gasolina! O sistema elétrico de 48V alimenta diversas funções auxiliares de bordo, mas gera, também, suplemento de 22 cv e 250 Nm, sempre que aciona máquina que atua como alternador ou motor e socorre a mecânica principal, quando procuramos ganhar velocidade depressa.
No catálogo do CLS, só o 300 d tem apenas tração às rodas posteriores. A plataforma é a mesma de Classe E e Classe S, a arquitetura MRA, e a suspensão combina amortecedores controlados de forma eletrónica com molas pneumáticas. Trata-se de associação de virtudes, que explica as qualidades dinâmicas acima da média: este automóvel conduz-se quer como berlina de luxo, com conforto e isolamento acústico excecionais, quer como desportivo, com muita estabilidade nas curvas rápidas, devido à anulação dos perigos dos desequilíbrios durante as transferências de massa. O tato correto da direção e a potência do sistema de trava gem somam-se às mais-valias de modelo que renova o estatuto de referência no segmento de que foi pioneiro.