Carro ou carrinha? Ainda que seja verdade que nos últimos tempos a dúvida entre os compradores de automóveis seja «SUV ou... SUV?», a verdade é que ainda há quem prefira os formatos mais académicos, digamos assim.
No caso do Skoda Fabia, utilitário checo bastante procurado e que está a viver a sua 3.ª geração, tendo passado por renovação no ano passado, a diferença entre a versão de 5 portas e a carrinha está, exclusivamente, na volumetria da bagageira, uma vez que as cotas de habitabilidade são exatamente iguais. Recordemo-las: na largura à frente, o Fabia, carro ou carrinha, oferece 137 cm de largura e entre 93 e 103 cm (o segundo valor para as versões com teto panorâmico); atrás, 68 cm no espaço em comprimento para pernas, 132 na largura e 95 na altura. Valores razoáveis para o segmento e que permitem que viajem três adultos em condições aceitáveis de conforto, sendo certo que o lugar central traseiro é, como de costume, menos confortável que os laterais.
Já na bagageira reside o ponto de maior discórdia entre as versões de 5 portas e Break do Fabia: há 200 litros a separá-las: 330 na primeira, 530 na segunda, sendo que com o rebatimento dos encostos dos bancos traseiros, essa diferença cresce para 245 litros – ou 1150 litros contra 1395. E pronto, está na bagageira a dissemelhança maior entre Fabia carro e Fabia carrinha, que também partilham a gama de motores.
Quanto às prestações, e no caso concreto das versões equipadas com o tricilíndrico 1.0 TSI de 95 cv acoplado a caixa manual de 5 velocidades, a marca anuncia diferença de 0,1 s no arranque 0-100 km/h (a favor do Fabia 5 portas) e velocidade máxima e consumo médio iguais, respetivamente 195 km/h e 4,5 l/100 km. Nada de espantar, tendo em conta que a diferença de peso entre as carroçarias (e tratando-se de unidades com o mesmo nível de equipamento: Ambition) é de 20 kg. O 1.0 TSI não esbanja força, naturalmente, mas tem resposta expedita acima das 1500 rpm, deixando-nos guiar de forma tranquila sem recorrer em demasia à caixa de 5 velocidades, cujo seletor merece louvor pelo acerto.
Gostámos de guiar o Fabia Break, um automóvel seguro e com comportamento dinâmico competente que beneficia de direção precisa e com peso correto, além de suficientemente comunicativa para percebermos o que se passa com as rodas direcionais. Achamos que o conforto não está num patamar tão elevado quanto seria de desejar, sobretudo na transição de buracos e lombas sonoras e pisos mais rugosos, com as suspensões a deixarem chegar ao habitáculo réplicas um pouco acentuadas da energia resultante do impacto dos pneus com obstáculos indesejáveis.
O habitáculo do Fábia é composto quase exclusivamente por plásticos rijos, algo de normal no segmento. Elogio merece a excelência da construção, percebendo-se facilmente que é automóvel que vai durar sem ruídos parasitas resultantes de superfícies mais coladas. Referência, ainda, para a posição do ecrã central, o qual deveria estar um pouco mais acima, evitando que o condutor tivesse que desviar tanto os olhos da estrada para o utilizar...