É no habitáculo que se notam as diferenças maiores do nível de acabamento superior Vignale da Ford comparativamente às versões menos chiques da gama Focus. por incluir materiais de melhor qualidade: o interior é amplamente revestido a pele perfurada de elevada qualidade, com duplos pespontos de cor contrastante e padrão exclusivo, há aplicações em madeira no tablier e nos painéis interiores das portas e o logótipo Vignale nos excelentes bancos e nas embaladeiras específicas.
Estruturalmente, tudo igual aos outros Focus, merecendo elogio a boa posição de condução e a ergonomia correta, com realce para o ecrã central posicionado acima do tablier, bem ao alcance da mão e da vista do condutor.
Nesta versão Vignale são de série, o novo Head-up display (bastante nítido), o ar condicionado automático, o banco do condutor com regulações elétricas, as luzes ambiente em LED, o botão FordPower (chave inteligente e ignição e paragem do motor), o sistema de navegação, o volante e punho da caixa de velocidades em pele e os tapetes dianteiros e traseiros premium Vignale. Isto só para referir os adereços e equipamentos de conforto, pois a lista é bastante mais extensa, nomeadamente no capítulo dos auxiliares à condução, onde figuram o sistema de estacionamento automático, os sensores de estacionamento à frente e atrás, assistência à pré-colisão (com travagem ativa autónoma e deteção de peões e ciclistas) e assistência à manutenção de faixa, entre outros.
Exclusivo para o nível de equipamento Vignale é o 3 cilindros a gasolina de 1,5 litros e 150 cv, mecânica com distribuição variável e que se destaca pela suavidade, reduzido ruído de funcionamento e adequada capacidade de resposta, proporcionando uma condução tranquila e despachada. As prestações que apurámos através das nossas medições não revelam um automóvel muito rápido, mas a verdade é que não sentimos, em nenhum momento, que a carrinha fosse lenta ou estivesse submotorizada, o que joga a favor do agrado de utilização garantido pelo tricilíndrico, o qual é muito bem gerido por caixa de seis velocidades suave e precisa, cujo escalonamento longo – a 5.ª e a 6.ª são claramente para reduzir o regime de funcionamento do motor – pretende garantir consumos baixos. Um objetivo para o que contribui o sistema de desativação de um dos cilindros quando as condições de condução o permitem. Daqui resultam consumos baixos quando rolamos entre os 80 e os 120 km/h, em estrada e autoestrada, portanto. Contudo, em cidade, o 3 cilindros mostra um apetite maior, não sendo estranho atingir médias em torno dos 8,5 l/100 km. Contas feitas, média ponderada de 7 l/100 km, um valor longe do anunciado pelo fabricante (5,6 l/100 km), mas aceitável para o que a mecânica oferece.
Por fim, elogio grande à capacidade dinâmica da carrinha Focus, que em nada perde para a desenvoltura da berlina, mostrando agilidade notável, graças a chassis equilibradíssimo e direção precisa e afinada para fornecer todos os detalhes importantes sobre o que se passa com o eixo direcional. Chega a impressionar a forma rápida com que conseguimos curvar ao volante da carrinha Focus e sobretudo a facilidade e segurança que sentimos ao fazê-lo. Por outro lado, notámos índices de conforto menos elevados na unidade que guiámos e que estava equipada com jantes de 18 polegadas e pneus 235/40.