Para começar, o contexto: a variante da pick-up da Volkswagen com cabine de três lugares está homologada como viatura de categoria N1 (mercadorias), com todas as vantagens fiscais inerentes, designadamente dedução de IVA e isenção de tributação autónoma. Para se ter uma ideia do que falamos, em termos de dinheiro, a Amarok V6 TDI Highline King Cab, custa 42.831 €, enquanto a variante de 5 lugares com idêntico nível de equipamento chega aos 52.618 €. São quase 10.000 euros de diferença, o que remete para uma questão fundamental: o preço exorbitante para dispor dos três lugares traseiros e não apenas um pouco versátil banco atrás, em mais uma consequência da nossa estranha fiscalidade.
Contas à parte, elogie-se o Amarok. Não sendo um veículo adequado para utilizar em lugares apertados, como as suas dimensões deixam adivinhar, a verdade é que esta pick-up guia-se facilmente em curva, sentindo-se sempre elevada segurança. Naturalmente que o físico avantajado e pesado condiciona a agilidade, mas dentro do género, o Amarok surpreende pela positiva (sobretudo o eixo traseiro expedito), permitindo condução fluida e confortável em zonas mais sinuosas.
Mais: apesar do tamanho, é relativamente simples de manobrar e estacionar. Por outro lado, apesar da suspensão ser relativamente firme, o conforto está em muito bom plano, graças à excelente afinação de molas e amortecedores, que não levam muito tempo a assentar depois do impacto causado por buracos, depressões ou lombas sonoras. Não se notam nesta pick-up oscilações da carroçaria nos arranques ou solavancos quando se tranca o volante, que são característicos da maioria dos carros desta categoria. Nota ainda para a boa posição de condução, fazendo quase lembrar um Golf (ok, não tanto, mas é correta e cómoda) e para a boa ergonomia do habitáculo.
O motor V6 de 3 litros a gasóleo é um poço de força para explorar sem restrições, ou seja, de preferência longe do convívio com outros automóveis em espaços exíguos, preferencialmente (aqui confidenciamos as nossas preferências...), longe do asfalto. Com 258 cv – a função overboost permite aumentar temporariamente a potência máxima para os 272 cv – e 580 Nm geridos por rápida e suave caixa automática de 8 velocidades (a 1.ª velocidade foi especificamente otimizada para o arranque em circulação com reboque, enquanto a 8.ª velocidade reduz o consumo de combustível por baixar o regime do motor), o Amarok convida a acelerar.
Não são percetíveis vibrações ou ruídos de funcionamento desagradáveis, mais sim um agradável engrossar da voz, mesmo tratando-se de um Diesel, quando aceleramos a fundo.
Para utilização fora de estrada, o Amarok beneficia de ângulos específicos favoráveis e sistema de tração integral permanente com diferencial central Torsen autoblocante e distribuição 40:60 em todas as situações de condução, sendo que uma caixa de transferência permite que as rodas dianteiras sejam acopladas e desacopladas eletricamente durante a condução. Em inclinações mais íngremes, a descer ou a subir, ou trajetos mais complicados, há ainda a possibilidade de ativar o modo off-road ou as redutoras.
A plataforma de carga do Amarok tem 2,52 m2 e 1,222 m entre as rodas, permitindo carregar a plataforma com europaletes na transversal. Esta é uma informação mais útil para quem pretender dar uma utilização mais profissional à pick-up da VW, mas pode ajudar também quem a pretender utilizar para atividades lúdicas, transportando bicicletas, pranchas e afins. Em opção, há cobertura móvel num tom de alumínio prateado brilhante para a caixa de carga e que é muito fácil de utilizar.