O novo 3 é fundamental para a Mazda, que desde o seu lançamento já vendeu mais de 6 milhões de unidades do compacto, 1 milhão na Europa.
A nova imagem reflete abordagem estética assente na linguagem de design KODO, que se liberta «de todos os elementos supérfluos, de forma a exprimir a essência da estética japonesa». Gostamos do resultado final, quer na carroçaria, que consideramos simples e dinâmica, como no habitáculo, igualmente minimalista, onde chamamos a atenção para a curiosa colocação do ecrã central num rasgo entre duas camadas do tablier.
Também nos agradou a qualidade do habitáculo, onde há maioria de materiais macios e de boa estirpe, e a habitual solidez e rigor nas junções entre painéis. A posição de condução não tem falhas – ótima a amplitude das regulações do banco – e oferece boa visibilidade. Há espaço razoável para cinco pessoas, sendo que os lugares traseiros são ligeiramente inclinados para permitir que os passageiros mais altos não sejam importunados pelo tejadilho. Alto ou baixo, quem ocupa o lugar central posterior tem sempre queixas ao arrumar os pés devido ao túnel central. Nota menos positiva merece ainda o acesso aos lugares traseiros, culpa da carroçaria que desce muito para a retaguarda.
Mas uma vez sentados, os ocupantes usufruem de níveis de conforto ótimos (mesmo numa unidade com jantes de 18’’), bem como de sensação de segurança elevada, pois o pisar deste automóvel é muito sólido e estável. Grande é a eficácia do chassis, cujas respostas são sempre muito previsíveis e fluidas, sem exageros torcionais. Não será tão divertido de guiar como o Ford Focus, mas garante, sem dúvida alguma, bons momentos de condução em estradas encaracoladas. Nota elevada merece ainda o compromisso ótimo entre a suavidade e o acerto da direção. Sendo a suavidade a nota dominante no novo Mazda3, que melhor escolha para o primeiro teste do que o 2 litros a gasolina de 122 cv?
Desde o arranque que o 2.0 Skyactiv-G, acoplado a caixa manual de 6 velocidades, impressiona pela funcionamento silencioso e fluido, a que não é alheio o sistema semi-híbrido que incorpora, que não só promove ganhos em economia de combustível – apurámos consumo médio de 6,8 l/100 km, mas a unidade tinha menos de 1000 km quando lhe pegámos; num carro mais rodado, a média será certamente mais baixa –, aproveitando a energia recuperada durante a desaceleração, mas também na agradabilidade de utilização. Não se sente qualquer hiato entre as passagens de caixa, solavancos ou hesitações nos pontos de embraiagem.
Por fim, nota para a atualização do conjunto de tecnologias de segurança i-Activsense, que conta com três novos dispositivos: o Driver Monitoring, em que uma câmara observa o nível de atenção do condutor, monitorizando se os olhos do condutor estão bem abertos, o número de vezes que pisca os olhos, e também o ângulo da boca e do rosto, usando essas informações para avaliar o seu nível de sonolência ou fadiga. Se o sistema detetar que o condutor está prestes a adormecer ou antecipa uma possível colisão com o veículo da frente, emite um alerta sonoro e, em conjunto com o sistema Smart Brake Support (SBS), diminui o tempo necessário para a ativação do alerta sonoro de travagem; Front Cross Traffic Alert, que deteta a aproximação de outros veículos nos ângulos mortos e alerta o condutor da sua presença; Cruising & Traffic Support (CTS), quando o carro está imobilizado num engarrafamento, o CTS opera automaticamente os pedais do acelerador e dos travões para manter uma distância adequada para o veículo da frente. Além disso, auxilia também a condução através de movimentos autónomos da direção para manter o carro na sua faixa. O controlo autónomo da direção limita-se a ajudar o condutor, mas não conduz o carro por si próprio.