Na terceira geração do Classe A (2013-18), a Mercedes-Benz passou do anonimato na construção de desportivos compactos para o estatuto de excelência na qualidade da oferta neste segmento com vastíssima tradição. O responsável por essa ascensão da estrela ao galarim destes automóveis cativadores de fervorosas paixões tem um sufixo de origem certificada, o braço desportivo da Mercedes. O Mercedes-AMG A 45 4Matic torna-se referência no seu segmento, na eficiência do desempenho e nas performances do motor de quatro cilindros de 381 cv (originalmente com 360 cv), a mecânica de produção em série mais potente do mercado, a fórmula estendeu- se a toda a gama de compactos da marca, CLA e GLA.
Com a mais recente geração do Classe A, os alemães rentabilizam o êxito pioneiro e procedem à duplicação da espécie com a estreia de versão posicionada abaixo, AMG A 35, a preço mais acessível, e com a promessa de prestações otimizada pelo recurso a uma plataforma técnica mais moderna (nova base para veículos compactos em que se baseia o atual Classe A), um mais sofisticado pacote tecnológico de apoio à dinâmica e novo motor.
Com a mesma arquitetura e cilindrada, e desenvolvido a partir do bloco M 260 do novo Classe A, o propulsor dispõe de um turbo de dupla entrada (twin-scroll) com funcionamento aprimorado, de sistema de controlo variável das válvulas, de gestão térmica inteligente para a mecânica e óleo, injetores piezo mais precisos e novo sistema de ignição. É um compêndio tecnológico em formato compacto e leve (bloco de alumínio), que impressiona desde logo pela resposta espontânea ao acelerador (binário máximo de 400 Nm às 3000 rpm), a elevada progressividade ao longo de toda a faixa de regime e a consistência nos mais altos (306 cv às 5800 rpm), o que lhe confere uma enorme elasticidade e ainda uma sonoridade cativante, e ainda mais, pelo acompanhamento acústico do escape, muito bem trabalhado.
As potencialidades do motor são exploradas otimamente pela caixa automática AMG Speedshift DCT 7G de dupla embraiagem e sete velocidades, que contribui para a agilidade e o dinamismo gerais do veículo. As relações de transmissão têm o rapport correto, garantindo a adequação rapidíssima e precisão máxima nas passagens, quer sejam automáticas ou manuais. A completá-la, a função Race-Start, de arranque eletronicamente controlado, que permite a todos os condutores igualarem a aceleração 0-100 km/h anunciada de fábrica (4,7 segundos), numa experiência sensorial entusiasmante.
A compor esta sinfonia está igualmente o sistema de tração integral variável AMG Performance 4Matic, que assegura a melhor motricidade sem restringir a diversão de condução. A distribuição de binário varia de 100 por cento no eixo dianteiro até equitativos 50:50% em ambos, através de embraiagem multidisco integrada na transmissão do eixo traseiro, de controlo eletromecânico. Os fatores que influenciam a distribuição do binário não são apenas a velocidade do automóvel, a aceleração lateral e longitudinal e o ângulo da direção, mas também a diferença de rotação entre cada uma das rodas, a engrenagem selecionada e a posição do acelerador. Mas não só. O AMG Performance 4Matic adequa a tração em harmonia com o controlo de estabilidade (e de tração) quando o condutor pretende uma intervenção menos intrusiva destes na dinâmica do veículo (pressionando o botão ESP Handling ou ESP Off) e assim reduzindo o espetro de ação destes anjos da guarda.
Na intrincada eletrónica de condução do AMG A 35 inclui-se, ainda, a estreante tecnologia AMG Dynamics, que amplia as funções do ESP com um efeito de controlo de sobreviragem. Mas não são só chips e centralinas a comandar a dinâmica do delfim da família AMG. No chassis e na carroçaria, reforços estruturais cirúrgicos aumentam a rigidez torsional do automóvel, e mais especificamente os que foram introduzidos na secção dianteira do carro (uma placa de alumínio sob o motor e duas travessas diagonais da parte inferior da carroçaria), conspiram, em parceria, para a impressionante precisão e assertividade na entrada em curva. O mais compacto dos AMG tem elevadas prestações, é eficiente, fácil de conduzir e diverte. Muito!
O esquema da suspensão dianteira McPherson também foi revisto e é formado por um triângulo em alumínio abaixo do centro da roda, um suporte para a mola e um tirante. Esta geometria especial reduz a sua influência na direção, aprimorando a sua maneabilidade, e a adoção de alumínio no novo triângulo reduz as massas não suspensas, permitindo ainda uma resposta mais sensível das molas. Por referir a direção, no seu mecanismo a barra transversal beneficia de uma tecnologia originária da competição. O know-how da AMG também se aplica ao eixo traseiro de quatro braços, que está unido ao chassis através de um subchassis e em outras pequenas, mas profícuas soluções técnicas.
O amortecimento adaptativo é cada vez mais indispensável ao desempenho dos desportivos e no AMG A 35 impõe-se com um opcional obrigatório, que permite ao condutor escolher entre três diferentes níveis de rigidez da suspensão, se não quiser deixar à eletrónica a regulação automática, de acordo com a condução e as condições da estrada. A definição de firmeza, segundo a preferência ou a atitude do condutor, entre a confortável (que obviamente nunca é) e a mais desportiva, pode fazer em botão próprio ou dos cinco programas do sistema de controlo do funcionamento dinâmico do carro – Piso escorregadio, Confort, Sport, Sport+ e Individual – que modificam parâmetros relevantes, como a resposta do motor, da transmissão, a sonoridade do escape e o amortecimento da suspensão (com o referido opcional). O condutor ajusta os settings do seu automóvel cada vez mais como num carro de corrida, incluindo, em novidade no AMG A 35, também no volante.
Mas não há bom desportivo sem um bom sistema de travagem, e o novo compacto da AMG não destoaria, garantindo desacelerações fortes, reduzidas distâncias de imobilização e resistência à fadiga. O eixo dianteiro tem pinças fixas monobloco de quatro pistões melhoradas e discos de 350 mm e o eixo traseiro pinças deslizantes de um pistão e discos 330 mm, e os todos os discos são ventilados e perfurados.
E o mesmo de ser bom desportivo se pode dizer da direção. No AMG A 35, tem assistência eletromecânica com afinação desportiva, sensível à velocidade (além de configurável mediante o programa de modos de condução supracitado) e é um dos elementos que mais contribui para o rigor da dinâmica da nova coqueluche do Classe A
Em Portugal, continua a não ser acessível a entrada, por um patamar inferior, no estimulante universo desportivo AMG, que não se faz por menos de 61.300 euros. Todavia, a pretensão da Mercedes com o A 35 de 306 cv foi bem concretizada, com o downgrade, desde logo na potência, face ao antecessor (AMG A 45, que terá sucessor com 400 cv), a esbater-se com compensador aperfeiçoamento técnico e tecnológico, criando um automóvel tão ou mais eficiente e eficaz e mais fácil e divertido de conduzir.