Os SUV/crossovers disseminam-se e deixam pouco terreno fértil para a subsistência de outras espécies, incluindo as mais raras, de nicho, como as carrinhas derivadas de modelos utilitários, de que o Skoda Fabia Break é um dos dois únicos exemplares (junta-se-lhe o Renault Clio Sport Tourer, e além destes havia apenas o descontinuado Seat Ibiza Sport Tourer). Todos estão a ser vítimas dos crossovers de segmento A, do Renault Captur ao Seat Arona, mencionando tão somente as marcas envolvidas, e a que se acrescentará a Skoda, sentindo que não poderia ficar de fora, com o estreante Kamiq.
Resta a carrinhas como o Fabia Break agarrarem-se à mais-valia original, incólume à invasão de crossovers, a capacidade incomparável maior da bagageira. A versão familiar do utilitário da marca checa do Grupo VW mede 4,26 metros de comprimento, mais 27 centímetros do que a berlina de cinco portas (enquanto o Kamiq terá 4,24 m, e à semelhança do Arona e do T-Cross, modelos irmãos do Grupo VW, também a mais moderna plataforma MQB, com maior distância entre eixos). Um acrescento de tamanho à traseira que permite à Fabia ostentar a invejável capacidade de 530 litros da bagageira (mais 200 litros do que o hatchback e 130 litros superior à do futuro Kamiq). E mais: também bastante mais do que a do único concorrente, Renault Clio ST (443 litros).
Essa volumetria inclui a de compartimentos laterais (sem tampa) úteis para pequenos objetos e poderá ampliar-se até mais três medidas, variáveis segundo o rebatimento, bipartido outotal, dos encostos dos bancos, até um máximo de 1395 litros. Há ainda a possibilidade de criar dois pisos de carga, através do posicionamento da plataforma (que faz de chão da bagageira e de tampa de alçapão) que pode ser colocada em duas alturas diferentes (e é removível), permitindo criar dois espaços de carga, por exemplo, para não misturar a carga. A cobrir a bagageira está uma cortina retrátil por enrolamento que se aciona facilmente, pressionando o manípulo na sua extremidade, que se alcança sem esforço para a puxar (e voltar a repor). O rebordo da bagageira está a apenas 61 cm do solo, o que facilita as operações de carga e descarga. Não é só na capacidade de carga invulgar (comparável à do segmento acima) que o Fabia Break poderá dirimir argumentos com os invasores crossovers, também na habitabilidade, com espaço suficiente para acomodar três passageiros no banco posterior, embora muito menor para o que se sentar no lugar central, mais estreito e parco de ergonomia.
Sob o capot está a mais recente aquisição da gama de motorizações, apenas com unidades a gasolina. Um bloco de três cilindros, 1 litro, turbo, de 110 cv, aqui em profícua associação a caixa automática de sete velocidades, na gestão otimizada do funcionamento da mecânica enérgica e suave q.b., adequando-a ao regime ideal, ora para responder com elasticidade à pressão no acelerador, ou deixá-la operar a baixas rotações para economizar combustível. Na satisfação desta dicotomia, o 1.0 TSI sai-se sempre a preceito. Garante fluidez e agrado às performances da carrinha e consumo comedido neste segmento. No final do nosso teste, após algumas centenas de quilómetros de condução sob diversas solicitações, desde o mais rigoroso zelo pela economia até à exigência máxima do rendimento requerida nas medições das prestações (ficha técnica), registámos uma média satisfatória de 6,7 l/100 km. Sem excessos, num ciclo misto de condução, não é difícil manter aquele registo mais próximo dos 6 litros redondos.
Resistente... aos crossovers. A variante familiar do Fabia é uma das raras carrinhas do segmento B (com o Renault Clio ST) e persiste, até ver, pela mais-valia da incomparável capacidade da bagageira: 530 litros (mais 200 do que a berlina Fabia e mais importante, 130 acima do concorrente interno, o futuro crossover Kamiq). E mais 87 litros do que o único... externo.