A próxima proposta SUV da VW está prevista para 2020 e será totalmente elétrica: o I.D. Crozz. Para já, outro Cross, sem zês, com esses, que se junta à família crossover da marca, num portefólio europeu que inclui Tiguan, T-Roc, Tiguan Allspace (7 lugares) e Touareg.
O novíssimo produto é (quase) uma espécie de míni Tiguan e, em termos de dimensões, está posicionado abaixo do T-Roc de Palmela (fábrica de Setúbal da VW) e acima do utilitário Polo, do qual herda a base/chassis, recorrendo também à plataforma MQB A0, ambos com a produção em Pamplona (Espanha). Com o total de 4,11 m de comprimento, tem menos 12 cm do que o T-Roc e mais 5,4 cm que o Polo, acrescentando 11,2 cm na altura em relação ao último.
A gama propõe o motor 1.0 TSI de injeção direta a gasolina nas configurações de 95 cv e 115 cv, com transmissão manual de 5 e 6 velocidades, respetivamente, embora também se possa optar pela automática DSG (7 relações) no TSI mais potente. Mais tarde surgirá o propulsor Diesel 1.6 TDI de 95 cv e, provavelmente, a unidade 1.5 TSI de 150 cv (DSG de 7 velocidades) com sistema de desativação de cilindros para menores consumos e emissões.
Na versão 1.0 TSI examinada (que inclui filtro de partículas) sobressaem o baixo ruído e a suavidade de funcionamento do bloco de 3 cilindros, mesmo que se possam apontar certas vibrações ou ressonâncias a frio e ao ralenti, embora sem gravidade. Após alguns quilómetros essa acústica dissipa-se e, por vezes, sobrepõe-se a da ação do turbo...
Outra das evidências diz respeito ao consumo equilibrado que é registado no computador de bordo, sendo possível atingir valores entre 5,8 e 6,2 l/100 km, sem quaisquer preocupações ou táticas de condução ecológica. Ainda bem!
A relação com a estrada é fluída e o motor TSI progride sem esforço, embora as retomas de velocidade sejam tímidas, especialmente em 4.ª e 5.ª e em situações exigentes. Nada de mais!
A capacidade de aceleração (12,6 s até 100 km/h) e os registos das recuperações estão de acordo com o tipo de rendimento (175 Nm a partir das 2000 rpm), ao mesmo tempo que a elasticidade da mecânica não desilude, com as devidas ressalvas. O curso do seletor está bem ajustado (nada longo) e o engrenamento revela precisão, a par do escalonamento mais alongado da última relação, exatamente para a moderação do consumo. Apesar disso, em autoestrada nota-se a ausência de uma 6.ª relação, já que há a sensação de que a 5.ª engrenada é demasiado... curta para o esforço.
A resposta da direção merece ser elogiada, tendo em conta a rapidez, a precisão e a leveza da assistência (elétrica). A condução é, assim, muito fácil (e suave), sendo auxiliada pelas dimensões e formato compacto do T-Cross, em simultâneo com a ótima posição ao volante, ligeiramente sobreelevada e 11 centímetros acima da do Polo, por exemplo, equivalendo-se à da dos adversários mais conhecidos da categoria, nada menos do que Renault Captur, Peugeot 2008 ou Seat Arona, fazendo até lembrar este último, uma vez que ambos partilham a maioria dos órgãos mecânicos e das ligações ao solo, mediante as sinergias do grupo VW a que pertencem. Poderá existir uma pequena embirração que consiste no facto da perna direita do condutor ficar muito em cima da consola central (de lado), também por causa da posição do pedal do acelerador, mas sem prejuízo de maior. O habitáculo é espaçoso e bastante prático, inclusive com alguns truques que aumentam a funcionalidade, algo que é patente no deslizar dos bancos traseiros (alavanca a meio), mecanismo que permite variar a volumetria da bagageira (de 385 a 455 litros), embora seja estranho que passe a existir um espaço a descoberto (tipo vão) quando se avançam os bancos para a frente (no chão). O estrado da mala não o tapa (não chega lá!) e não parece existir uma cobertura extra. Valerá a pena remediar isso!
Regressando à estrada, o ruído de rolamento não é elevado (pneus Bridgestone Turanza 205/60 R16) e as reações da suspensão são confortáveis, sem deterioração em mau piso, embora aí com atitudes mais secas. Nem parece um automóvel desta categoria, ao mesmo tempo que a insonorização está muito bem resolvida. Outra (boa) surpresa é o excelente comportamento, quer a curvar, quer nas travagens fortes, sem inclinação exagerada da carroçaria, e isto apesar do formato SUV. Impecável!
A sensibilidade do radar do Front Assist (travagem automática) pode causar estranheza (e sustos!), mas já o cruise-control ativo com alerta de faixa funciona bem e é pouco usual na classe.
O pequeno SUV da VW (adversário de Captur, Arona e 2008, por exemplo) está cheiinho de razões válidas para que se possa perspetivar uma carreira de sucesso. A imagem exterior inclui alguns detalhes invulgares, tais como a dimensão da grelha e a faixa refletora que une as óticas atrás. O habitáculo é amplo e prático, a par de uma qualidade geral bem ajustada à categoria. Conduz-se muito bem, é confortável e eficaz. Pena que este motor TSI não seja mais vitaminado...