Quando se entra no CX-5 entende-se que existem melhorias percetíveis ao nível dos forros e dos materiais aplicados, mesmo que as alterações tenham sido discretas face à gama anterior. A perceção da qualidade é imediata e pressente-se a evolução em vários pormenores, ao mesmo tempo que a montagem continua irrepreensível, sem falhas ou folgas, tudo muito bem ajustado e rigorosamente encaixado.
Tal como acontece no mais compacto CX-3, o SUV-chave do emblema de Hiroshima (de 2012, tratando-se do modelo mas vendido na Europa) foi atualizado em vários aspetos, inclusive no tratamento das superfícies da carroçaria (frisos, molduras e para-choques), a que se juntam grupos óticos à frente e atrás com tecnologia LED. Mais elegante, em suma!
No habitáculo (quase à semelhança da revisão efetuada no Mazda6) destaca-se o novo layout e a melhoria dos materiais aplicados na consola central, no tablier e na zona das portas, a par do reforço do isolamento nalguns locais específicos. Mais uma vez, refira-se, o rigor em todos os acabamentos e junções. A ergonomia está bem definida e a posição ao volante (de nova geração) é confortável e muito fácil de ajustar, num interior bem equipado (Excellence Navi) e sólido.
A robustez estrutural é extensiva aos pontos fulcrais da carroçaria, tendo a aerodinâmica sido otimizada para diminuir o ruído de estrada, ao mesmo tempo que o conforto foi melhorado com novas afinações dos amortecedores e das molas, neste caso com recurso a pneus Toyo Proxes 225/55 com jantes de 19’’. Face ao anterior, as diferenças são ligeiras, mas as melhorias acabam por ser suficientes para entender que a Mazda não fez nenhum erro de cálculo e que o modelo está melhor nos aspetos enunciados, sendo possível repetir os elogios no que diz respeito à insonorização (com vidros duplos) e à qualidade geral. Não é demais apontá-lo...
O conforto de estrada também é dado pelo baixo ruído do bloco 2.0-G a gasolina, independentemente da rotação, cujo rendimento (165 cv) permite fazer avançar com facilidade a massa estrutural do CX-5, em especial nas situações de reduzida pressão. Nada de pressas! A unidade é expedita a baixo regime e no ambiente citadino, sem que haja aí maiores hesitações, ajudada pelo acerto da caixa manual, cujo escalonamento nem sequer é excessivamente longo, a par do engrenamento preciso por parte do seletor. Refira-se que não é possível registar grandes sprints, ao mesmo tempo que as recuperações são lentas, em especial em 5.ª e 6.ª, embora isso não seja notado em estrada, pelo menos quando não há preocupação para fazer... tempos. E é dessa maneira que o consumo se coloca num patamar equilibrado, constituindo quase uma surpresa, uma vez que é possível atingir médias entre 7,4 e 8,2 l/100 km, neste último caso exigindo-se mais. É muito frequente atingir-se o valor médio de 7,8 litros por cada 100 km.
Já na dinâmica, o CX-5 é... 5 estrelas, até porque a carroçaria não inclina demasiado em curva. É fácil de guiar e de controlar, tendo agora mais apoios eletrónicos à condução (câmaras, sensores e radar), com destaque para o alerta/aviso de transposição de faixa de rodagem (desligável) que integra correção automática da trajetória por alguns segundos. O sistema cruise control atua de forma conjugada, mas neste caso sem fazer abrandar o Mazda perante outros veículos à frente (stop&go incluído no Cruise Pack). A câmara frontal com vista aérea é outro auxílio bastante útil.
O CX-5 é modelo-chave da Mazda e representa cerca de 25% das vendas da marca em todo o mundo e o mais vendido na Europa. A atual revisão melhorou vários aspetos, entre os quais se destaca a insonorização a bordo, graças aos novos materiais e forros aplicados, além da meticulosa montagem. O conforto evoluiu e o ruído em estrada baixou, até porque, na versão em causa, a mecânica 2.0 SkyActiv-G tem um funcionamento suave, a par de rendimento equilibrado e consumo ajustado. Ótima condução, apesar das reprises lentas...