A versão B-Tech do Giulia vem acabar com as dúvidas, se as houvesse, sobre a pretensão, a vocação e as atribuições desportivas da berlina de segmento médio (D) da Alfa Romeo, e um dos modelos topo de gama, alinhado com o SUV Stelvio.
No exterior do automóvel destacam-se detalhes exclusivos negros – friso da grelha frontal, a moldura dos vidros traseiros, espelhos retrovisores, saídas de escape e as jantes específicas de 18’’ com tampas dos cubos monocromáticas, e ainda os emblemas na porta da bagageira.
No interior, o botão de start e stop do motor em preto (normalmente é vermelho) integrado no volante em pele e bancos dianteiros têm regulação elétrica, enquanto, em opção exclusiva para esta edição B-Tech, uma aplicação metalizada com o emblema Alfa Romeo para a soleira das portas.

A imagem é impactante. Aponta aos alfistas, apreciadores inveterados do carácter desportivo da marca italiana e de alguns trejeitos tão específicos dos seus automóveis, do que ao público comum deste segmento, e ainda mais ao que pretensamente a Alfa Romeo apela, os premium dominados por alemães. Mas há mais do que a estética racing e o visual carregado de emoção no Giulia, que assume, ainda, regresso ao conceito do modelo original produzido entre 1962 e 1978. O comportamento dinâmico é uma referência na classe e deverá encher de orgulho os alfistas. Deve-o ao chassis competente e à conceção que garante a repartição equitativa do peso entre eixos (característica própria de desportivos), e ainda a leveza fundamental à otimização da dinâmica e das performances e não só, da eficiência do consumo de combustível. Para isso contribui a aplicação extensiva de materiais leves e ultrarresistentes, como o alumínio, em toda a estrutura, plataforma e motor, mas também na carroçaria (portas, capot, cavas das rodas), na suspensão e nos componentes periféricos, como as pinças dos travões. Na transmissão acrescenta-se até o luxo de um material compósito, a fibra de carbono.

Após a seleção do conhecido programa de condução «dna» da Alfa Romeo no modo Dynamic (D), que afina o desempenho dos parâmetros do motor, da direção e dos travões, para otimizar as prestações do veículo, torna-se difícil regredir para os modos básicos (Natural ou N) e de eficiência do consumo (Advanced Efficient ou A), e é naquele que as referidas qualidades do chassis são mais requeridas pelas performances do modernizado motor Diesel de 190 cv (no final de 2018). Bloco de 4 cilindros e 2,2 litros, sempre pronto a subir de rotação, com acelerações enérgicas desde baixos regimes. Todavia, há uma lacuna que não se compadece com o avanço tecnológico dos Diesel: o excesso de ruído do funcionamento da mecânica, demasiado audível no habitáculo, onde também chegam vibrações (a ignição através do sistema start-stop é disso exemplo).
Para mais rápidas retomas de velocidade (ver ficha técnica) conta-se com os préstimos da transmissão automática de 8 velocidades, com escalonamento correto, célere nas passagens e mais desportiva se selecionada nas patilhas (metálicas) no volante.
A agilidade é a mais-valia desta berlina e o seu comportamento eficaz, com aquela sensação de bom desportivo de estar sempre colado à estrada. Não há perdas de motricidade em carga ou de aderência em curva e a direção precisa. A capacidade de travagem também merece elogios, como se comprova nos escassos 36 metros que demora a imobilizar-se a partir de 100 km/h.

A posição de condução é correta, com o volante e os pedais bem centrados, e o banco a garantir boa sustentação lombar e ainda multiregulações elétricas.
O ambiente a bordo prima por uma elegante inspiração desportiva, mas misturando materiais de qualidade e superfícies de tato suave (no tablier e na consola) com outros mais sofríveis (para pretenso posicionamento premium). O monitor de bordo de 8,8’’ está devidamente orientado para o condutor, mas alguns reflexos de luz dificultam a sua leitura.
As berlinas de marcas premium, principalmente as alemãs, podem ter um comportamento em estrada mais eclético, elevando o dinamismo e o conforto de rolamento a um nível inalcançável para o Alfa Romeo Giulia, mas este pretenso (pelo menos assumido) concorrente italiano tem o mérito de ser a referência no desempenho (mais) desportivo, ainda que depreciando a comodidade que é padrão (e bem apreciada) neste segmento. O motor Diesel de 190 cv e a caixa automática têm prestações que cumprem com as atribuições dinâmicas do chassis.