O CX-3 tem design que é dos mais bem conseguidos e interessantes na classe, porventura a melhor interpretação da linguagem Kodo, a assinatura de estilo da Mazda, com um elemento distintivo que é a ilusão de uma superfície vidrada contínua dada pelo pilar C de cor preta.
Ainda assim, no processo de reposicionamento do pequeno SUV face ao novo protocolo de homologação de consumos e gases de escape, a marca japonesa não deixou de operar atualização cirúrgica na imagem, com a introdução de novos elementos de estilo (grelha dianteira redesenhada, alterações no formato das tomadas de ar e na base do spoiler, pequena mudança nos grupos óticos traseiros, novas jantes em liga leve de 18 polegadas), e na suspensão, com novo acerto para aprimorar o conforto acústico e de rolamento, procurando também um comportamento dinâmico mais cativante.
Bem mais significativas foram as mudanças operadas na gama de mecânicas, primeiro com a chegada de um novo 1.8 a gasóleo de 115 cv (para o lugar de 1.5 (105 cv) fora de forma. E agora, com a adoção do motor 2.0 Skyactiv-G a gasolina, mecânica que faria sentido posicionar como versão de acesso à gama do refrescado modelo da marca de Hiroshima, não fosse o preço, que é superior ao do Diesel!
O 4 cilindros é um poço de força com 121 cv e 207 Nm disponíveis às 4000 rpm, por isso pedindo caixa e (mais!) acelerador para retribuir com condução agradável e despachada. Tecnicamente, é peça de engenharia notável, refinado e com linearidade caraterística das boas mecânicas atmosféricas. Todavia, a ritmos vivos, acentua-se a falta da resposta imediata e musculada dos motores sobrealimentados.
A caixa manual, de seis relações algo longas, para especial contenção nos consumos, também não ajuda na hora de espicaçar a mecânica. É, sem dúvida, nos médios e altos regimes que o 2 litros naturalmente aspirado a gasolina deixa muito melhores impressões, ainda que à custa de muito menor discrição, quer em matéria de ruído de funcionamento, quer na despesa média de combustível.
Ainda assim, é a partir da ótima posição de condução que confirmamos o comportamento dinâmico exemplar. A japonesa Mazda há muito já percebeu ter na maneabilidade dos seus automóveis autêntico ponto forte, conseguindo sempre tipo de ligação homem/máquina/estrada bem apreciado, independentemente do formato.
O chassis é brilhantemente afinado e o Mazda também dispõe de uma direção com um feeling elétrico, mas surpreendentemente fidedigno. Se há pequeno SUV que dá prazer conduzir, em cidade ou fora dela, é este. Mas talvez não com o atmosférico…
O CX-3 é modelo baseado no 2, utilitário com que partilha plataforma, distância entre eixos de 2,57 m e a maioria dos componentes técnicos. Já as dimensões exteriores cresceram um bom palmo, mesmo sendo automóvel baixo e estreito quando comparado com maior parte da concorrência direta.
No interior do SUV compacto, superfícies agradáveis ao toque e com ótima perceção de qualidade nos acabamentos e robustez. Depois, o CX-3 tem painel de bordo que integra o condutor no posto de condução, de linhas simples e corretíssimo do ponto de vista da ergonomia.
Ainda especificamente para esta edição-2019 do pequeno SUV da marca de Hiroshima, novas cores e detalhes nos estofos e novo apoio de braços na consola central, que foi reformulada para integrar o travão de mão elétrico e receber inédita caixa porta-objetos.
A Mazda continua fiel à sua política no que respeita às motorizações a gasolina, que resistem ao fenómeno generalizado do downsizing de motores e sem turbo… Em estrada, o renovado SUV citadino da marca nipónica revela comportamento sem falhas: é seguro, trava bem e conduz-se na ponta dos dedos, com feedback acima da média. Mas o 2.0 de 121 cv pede mais caixa e o chassis pede... mais motor.