A Porsche interpretou correta e muito rapidamente os sinais dos tempos ou a mudança de paradigma no automóvel. O formato da moda é o Sport Utility Vehicle (SUV) e, no catálogo do emblema alemão, dois produtos com a arquitetura do momento, ambos no topo das vendas da empresa de Estugarda: Cayenne e Macan. Se o 1.º é de 2002, o 2.º apareceu tão-somente em 2013, como reação ao crescimento da procura… O modelo maior ganhou 3.ª geração em 2018 e o mais compacto apenas uma atualização, de forma a manter-se atrativo até ao lançamento do sucessor, planeado apenas para 2022.
Na modernização do Macan, a Porsche, revelando muito bom-senso, cumpriu o ditado de não mexer em equipa que ganha. No entanto, o crescimento da concorrência, quer em qualidade, quer em quantidade, exigia-lhe mais… Por isso, a intervenção beneficiou tanto a imagem como os conteúdos técnicos e tecnológicos. Assim, o automóvel mantém-se entre as referências da categoria em que concorre, independentemente de contar com motor que não tem a nobreza nem a potência das melhores mecânicas da marca.
Visualmente, o Macan de 2019 diferencia-se do de 2013, desde logo na traseira onde sobressai a faixa horizontal com luzes LED que liga os dois farolins. A moderna tecnologia de iluminação, mais eficaz e eficiente, também atribui rosto novo ao SUV. Opcionalmente, os faróis apresentam-se com distribuição adaptativa do feixe luminoso (Porsche Dynamic Light System Plus). Os para-choques têm, igualmente, desenhos novos. Ainda na dianteira da carroçaria, destaque para a modernização da grelha e das tomadas de ar.
No interior, como novidade principal, monitor de 10,9’’ no centro do painel de bordo. O ecrã, a cores e tátil, integra o sistema de info-entretenimento PCM, também objeto de modernização, vide recursos como o comando por voz ou a navegação online (socorre-se do Google Maps!). O volante desportivo integra patilhas para comando do programa manual da caixa automática de 7 velocidades e botão Sport Response para a seleção dos modos de condução ou a ativação da função que garante 20 segundos de capacidade máxima de aceleração. Mas, a existência deste recurso pressupõe, obrigatoriamente, a compra do Pacote Sport Chrono.
Ainda no interior, que mantém a configuração e as quotas de habitabilidade razoáveis, mesmo com os cinco lugares ocupados, encontramos sistema de ventilação com saídas redesenhadas, ionizador e, entre as tecnologias de apoio à condução, Assistente de Tráfego. Os revestimentos em pele, o teto de abrir (panorâmico), os bancos dianteiros desportivos, a instrumentação sobre fundo branco e os vidros escurecidos também são opcionais.
No relançamento do Macan, apenas duas motorizações no catálogo, ambas a gasolina. Sim, na Porsche, ponto final no(s) Diesel! Na entrada de gama, encontra-se o motor com 4 cilindros e 2 litros neste teste… O bloco associa a injeção direta à tecnologia da sobrealimentação turbo e produz 245 cv e 370 Nm, A apoiá-lo, versão otimizada da PDK, nome pomposo da caixa automática de 7 velocidades, de embraiagem dupla. Também de série, sistema ativo de tração integral (PTM) que privilegia o eixo posterior em condições normais, característica valorizadora do tato desportivo, também beneficiado pela vectorização do binário entre as rodas traseiras… Referência, ainda, para a adição de filtro de partículas ao pacote de recursos responsáveis pela descontaminação mais competente dos gases de escape.
Equipado com o Pacote Sport Chrono, este Macan cumpre a aceleração 0-100 km/h em 6,7 s e a velocidade máxima é de 225 km/h. Não é o automóvel mais rápido da Porsche, é verdade, mas são números mais do que razoáveis para SUV com 245 cv. O funcionamento da caixa melhora a capacidade de resposta do motor aos movimentos no acelerador, também nas recuperações – confirmam-no os resultados das nossas medições. E a PDK até dispõe de função Velejar para redução do consumo – desacoplando o motor da transmissão, através da abertura das embraiagens, assim eliminando o efeito de travagem; nestas condições, a energia cinética move o automóvel, podendo mesmo realizá-lo durante longas distâncias. E, para eficiência adicional, Auto Start-Stop de série (desliga o 4 cilindros de forma automática durante congestionamento de trânsito ou imobilização em semáforo). A marca anuncia 10,3 l/100 km, mas não registámos menos de 13,2 l/100 km…
Também dinamicamente, mais progressos no Macan-2019. A otimização da tração integral e a revisão da suspensão dianteira (nas molas, suportes em alumínio, em vez de aço) melhorou o comportamento. A facilidade e a precisão na condução são qualidades que sempre reconhecemos a este SUV (em curva, durante as transferências de massa, controlo incrível dos movimentos da carroçaria). E muitíssimo bom é, ainda, o conforto de rolamento! Em qualquer dos casos, sublinhe-se o contributo superpositivo da suspensão pneumática (PASM). Por fim, elogie-se a capacidade de travagem. Porsche é Porsche, mesmo equipado com motor de 4 cilindros que tem apenas 245 cv!
Apresentado em 2013, o Macan recebeu atualização muito oportuna. Assim, modelo atrativo q.b. até ao lançamento do sucessor, programado apenas para 2022 e equipado só com versões elétricas. A modernização aproximou o SUV da imagem dos carros mais modernos da marca. A intervenção técnica penalizou a potência e as performances do 4 cilindros e a mudança no protocolo de homologação aproximou os consumos anunciados pela marca dos da condução no quotidiano. Dinamicamente, um Porsche!