O novo Mazda3, que está no mercado nacional desde março (primeiro na carroçaria Hatchback de 5 portas, como concorrente direto de pesos-pesados como Ford Focus, Opel Astra, Seat Leon e mais um punhado de boas propostas), também está disponível na variante de 4 portas e três volumes, com mais 20 cm de comprimento e bagageira de 450 litros. E com muito menos concorrência...
Não tendo o formato mais popular entre nós, este estilizado Sedan pode assumir papel importante na performance comercial do Mazda3. Desde logo, pela imagem nada conservadora. O conjunto, francamente apelativo, reflete abordagem estética assente na linguagem de design KODO, na sua melhor versão. Linhas simples, fluidas, sem elementos supérfluos.
No habitáculo, a mesma abordagem quase minimalista, reduzindo-se ao mínimo possível o número de elementos físicos no painel de bordo e o ruído visual que possa, de alguma forma, complicar a interação homem-máquina. Outro grande destaque do interior do compacto japonês é, sem dúvida, a qualidade global, com materiais macios e de boa cepa, que casam muitíssimo bem com a reconhecida solidez e rigor nas junções entre painéis. A tudo isto junte-se posição de condução sem falhas! Nota menos positiva merece o acesso aos lugares traseiros, devido à carroçaria que desce muito para a retaguarda. Mas há espaço razoável para cinco adultos, que viajam em níveis de conforto de topo do segmento.
Na estrada, a suavidade de rolamento é nota dominante, com evoluções claras na insonorização, em particular com o motor a gasolina. Esta é uma mecânica que reage de forma muito linear em conjunto com a caixa automática de seis velocidades, em que, beneficiando da tecnologia mild hybrid, não existem quaisquer hiatos ou hesitações nos pontos de passagem. Desde o arranque que o 2.0 Skyactiv-G impressiona pelo funcionamento silencioso e fluido, a que não é alheio referido sistema semi-híbrido que incorpora, que não só promove ganhos em economia de combustível – apurámos consumo médio de 6,8 litros/100 km –, aproveitando a energia recuperada durante a desaceleração, mas também no agrado na utilização.
O desempenho aveludado do 2 litros a gasolina compensa mesmo alguma falta de nervo nos regimes médios. Prestações satisfatórias que não chegam a exigir muito do chassis, que assim se mantém irrepreensível nas reações, neutras ou previsíveis.
Nesta versão Excellence, no topo da gama, destaque para a ótima dotação de equipamento, que inclui estofos em pele, navegação, ajustes elétricos no banco do condutor, câmara 360º e outras das principais novidades tecnológicas, caso do aviso de tráfico na dianteira (útil a abordar cruzamentos) e deteção de cansaço do condutor. Por fim, nota para a atualização do conjunto de tecnologias de segurança i-Activsense, que conta com três novos dispositivos: o Driver Monitoring, que avalia o nível de sonolência ou fadiga do condutor; Front Cross Traffic Alert que deteta a aproximação de outros veículos nos ângulos mortos e alerta o condutor da sua presença; Cruising & Traffic Support (CTS), quando o carro está imobilizado num engarrafamento, o CTS opera automaticamente os pedais do acelerador e dos travões para manter uma distância adequada para o veículo da frente. Além disso, auxilia também a condução através de movimentos autónomos da direção para manter o carro na sua faixa.
Fácil de conduzir, confortável em todas as situações e com qualidade à prova de qualquer reparo, a berlina de quatro portas japonesa tem tudo para lutar de igual para igual com as principais referências entre compactos, destacando-se mesmo pelo refinamento da sua dinâmica. Nesta versão de topo, com excelente dotação de série, preço superior ao do Mercedes-Benz A 200 Limousine, com motor de 163 cv e caixa automática de 7 velocidades, pode complicar...