Assumidamente desenvolvida para rivalizar com Ford Fiesta ST-Line, Peugeot 208 GT Line ou Seat Ibiza FR, a versão especial N-Sport do Nissan Micra, que a marca apresenta como tendo sido «concebida para tirar proveito do design desportivo e da personalidade de condução divertida do Micra», está disponível nas três novas propostas da gama – 1.0 DIG-T de 100 cv com caixa manual e caixa automática Xtronic e o 1.0 DIG-T de 117 cv com caixa manual – e apresenta-se diversos elementos de estilo específicos e equipamento abastado.
Vejamos: por fora, jantes em liga de 17”, acabamento em carbono nas jantes e caixas dos espelhos, detalhes exteriores em preto brilhante, símbolo N-Sport na traseira, vidros traseiros escurecidos, faróis de nevoeiro; por dentro: bancos em pele/Alcantara, saídas de ventilação em branco, apoio de braços dianteiro, forro do tejadilho em preto, câmara e sensores de estacionamento traseiros e acesso/arranque sem chave. Além de diversos equipamentos de conforto e de segurança, o N-Sport está equipado de série com o moderno sistema de infoentretenimento NissanConnect, que não estava disponível no utilitário, e que tem funcionalidades melhoradas, permitindo integração de smartphones e transferência de atualizações de mapas e softwares. Inclui Apple CarPlay e Android Auto e os utilizadores são incentivados a transferir a nova aplicação «Door to Door Navigation» para os smartphones, o que desbloqueia as funções melhoradas: é possível planear um percurso no telefone antes de sair de casa e enviar o destino para o carro, iniciando a navegação logo que se liga o sistema. O novo NissanConnect inclui TomTom Premium Traffic, com dados de trânsito em tempo real.
O NissanConnect opera-se no ecrã de 7’’ posicionado na consola central (seria desejável que estivesse colocado um pouco mais acima, evitando que o condutor tenha que desviar tanto o olhar da estrada) e é relativamente simples de utilizar depois de alguma habituação.
O que também exige alguma habituação é a condução do Micra equipado com o 1.0 DIG-T de 117 cv – unidade desenvolvido pela Aliança Renault-Nissan-Mitsubishi, em conjunto com a Daimler –, pois tivemos alguma dificuldade em lidar com o ajuste da 1.ª relação da caixa de 6 velocidades, o que provocou amiúde arranques algo bruscos. O que é sinal de que o motor está disponível desde cedo, o que é bom para as «corridas», mas pouco agradável quando se pretende arrancar suavemente, que é o que por certo acontece com a esmagadora maioria dos proprietários deste Micra com tiques de pequeno desportivo. As prestações, tendo em conta potência e binário, são medianas, e garantem condução sem grande esforço, salvo se quisermos forçar uma recuperação em 6.ª velocidade, a qual foi pensada exclusivamente para poupar combustível. E daí não vem mal nenhum ao mundo, pelo contrário, sobretudo em tempo de crise de abastecimento de combustíveis... E a esse respeito, o Micra 1.0 DIG-T tem uma prestação interessante, sobretudo em estrada e autoestrada (em cidade, o apetite do tricilíndrico agrava-se bastante), com média de 6,3 litros a cada cem quilómetros.
Particularidade da versão especial N-Sport é a suspensão rebaixada 10 mm e com afinação mais firme e a direção mais precisa. Apesar de mais dura, a suspensão não penaliza de forma importante o conforto, o qual é se mantém em bom nível. Paralelamente, gostámos da fluidez e da eficácia dinâmica do Micra N-Sport (que revela menor adorno da carroçaria do que a versão normal), bem como da rapidez e da sensibilidade da direção. Divertimo-nos guiando depressa (e em segurança em zonas sinuosas), mas a condução é pouco envolvente...
A imagem da versão especial Micra N-Sport (e o abastado equipamento de série) certamente agradará a quem procura um utilitário a gasolina. E atenção: agora, o Micra já não é o carro pensado só para o público feminino, como assumidamente o foi durante a maior parte da sua existência, o que alarga substancialmente o seu alcance comercial. Por fim, nota positiva para o 3 cilindros 1.0 DIG-T de 117 cv, mecânica que confere nota de irreverência ao Micra, sem o penalizar em demasia os consumos.