Os motores a gasolina são uma alternativa cada vez mais válida aos Diesel, e essa tendência ascende nos vários segmentos do mercado, atingindo algumas classes que há pouco tempo eram exclusivamente a gasóleo. Nestas, a dos SUV médios – que já foram compactos, mas a multiplicação de categorias fê-los… crescer – onde se inclui o novo Audi Q3. Fatores de ponderação na compra de automóvel, como a relação entre a rentabilidade económica (que equaciona o consumo, os custos de aquisição, os quilómetros percorridos e a desvalorização da viatura) e as performances (que se traduzem, grosso modo, no agrado e na facilidade da condução) estão equilibrados entre os que têm motor a gasolina e os Diesel.
No novo Audi Q3, esse dilema adensa-se desde logo com a potência idêntica das motorizações: 35 TFSI (gasolina) e 35 TDI (gasóleo) têm 150 cv. Todavia, a cilindrada superior e a técnica do Diesel garantem-lhe um binário igualmente superior (340 Nm contra 250 Nm, a regimes praticamente similares), conferindo-lhe também melhores prestações. A diferença sente-se nas acelerações nos regimes inferiores, ainda que, em ambos os blocos, a caixa automática de sete velocidades de dupla embraiagem (S tronic, a DSG da Audi) faça a gestão otimizada do rendimento, adequando as relações de transmissão às solicitações do acelerador. O Q3 35 TDI é mais solícito e lesto, mas o TFSI cumpre a preceito com as exigências, e acrescenta ao seu congénere Diesel mais suavidade e menor ruído de funcionamento.
Nas contas aos custos, o do consumo de combustível, sem surpresa, é inferior no 35 TDI, que economiza em redor de 1,5 litros por cada 100 km face ao TFSI, e reforça-a com o benefício de ser menos suscetível ao acelerador. Ou seja, à medida que se solicita mais os motores, o TFSI consome comparativamente mais do que o TDI, o que equivale a dizer que aquela diferença poderá tornar-se (claramente!) superior. Basta querer chegar mais depressa ao destino. Finalmente, no preço das duas versões do SUV alemão verifica-se um decréscimo de cerca de 5000 euros no 35 TFSI, e ambos, com nível de equipamento desportivo S line e dotação de opcionais pouco dissemelhantes, acima de 60.000 euros. Valor que coloca o Audi Q3 acima da capacidade aquisitiva da maioria dos portugueses.
E infelizmente que assim é, porque o SUV, na sua segunda geração, em comercialização desde abril último (sete anos após a bem-sucedida 1.ª geração, que no apogeu da sua carreira foi líder do seu segmento na Europa), é um excelente automóvel, na generalidade aperfeiçoado. Desde logo, nas dimensões exteriores que lhe causaram a (supracitada) perda do epíteto de compacto, para mais condizente médio, mais próximas das do Q5, e com distância entre eixos igualmente maior, decorrente de plataforma nova. O Q3 tem mais 9,7 cm de comprimento, mais 1,8 cm de altura e apenas menos 5 mm de largura, e com os eixos mais afastados (+7,8 cm), ampliaram-se as cotas habitáveis: nos bancos posteriores, mais 4,5 cm livres para as pernas dos ocupantes, mais espaço ao nível dos ombros (1,5 cm) e maior altura ao tejadilho (2 cm). Os bancos traseiros ainda avançam (e recuam) ao longo de 15 cm para gerir os espaços entre passageiros e carga, e também reclinam os encostos para melhor comodidade. Por isso, também a volumetria da bagageira é variável, de mínimos bastante familiares 530 litros até 1535 litros máximos com os bancos rebatidos, passando por intermédios 675 litros com os assentos avançados.
A Audi não se limitou a acrescentar fermento à receita de muito sucesso do anterior Q3, tratou também de apimentar todo o feeling da condução. E se esta nova geração SUV parece automóvel bem mais desportivo, também o é na estrada. Desde logo pela inclusão da ótima plataforma MQB (A2) da VW (igual à do Tiguan) e pela diferente geometria das suspensões para posicionar o compromisso entre eficácia em curva e conforto num patamar mais elevado. O resultado é uma notável capacidade de adaptação a quaisquer condições do piso, confortável sobre asfaltos irregulares e sem prejudicar a estabilidade quando a velocidade aumenta.
A economia de cerca de 5000 euros no investimento inicial para a compra do Audi Q3 a gasolina de 150 cv com caixa automática poderá não chegar para compensar o consumo em média 1,5 litros/100 km superior ao do Diesel 35 TDI, com a mesma potência e transmissão, mas binário superior que lhe confere performances também melhores – ainda que sem significativas diferenças. Todavia, é uma alternativa válida.