A Skoda tem um compromisso de berço com o desporto automóvel e não se cansa de o afirmar na gama de veículos de produção, em que são prolíferas as versões alusivas, principalmente à participação da marca checa nos ralis. Alinhadas com os modelos estruturalmente desportivos identificados pela consagrada sigla RS, que já se estende ao incontornável segmento dos SUV, no Kodiaq com Diesel biturbo de 240 cv, há as edições especiais de inspiração racing, como a Monte Carlo ou a Sportline, esta última, analisada aqui, no crossover mais compacto da marca checa, Karoq, até ao lançamento do Kamiq (segmento B).
Disponível no Karoq com motor Diesel 2.0 TDI de 150 cv e caixa manual de seis velocidades, a partir de 33.152 €, na unidade em teste, e a gasolina com 1.5 TSI de 150 cv com caixa manual (34.321 €) ou transmissão automática de 7 velocidades (36.550 €), a versão Sportline tem o mérito de atribuir ao crossover uma imagem vincadamente desportiva, conferida por vasto manancial de equipamentos e de elementos decorativos exteriores e interiores. E tudo por menos quase 1000 euros do que o nível de acabamento topo de gama Style.
Por fora, o SUV compacto ganha visual desportivo com o para-choques específico integrando grelha em preto com moldura acetinada na mesma cor, que é a mesma decoração das capas dos espelhos retrovisores (elétricos e aquecidos) e das jantes de liga leve de 18 polegadas (modelo Mytikas) com pneus 215/50 R18. Igualmente negros são o difusor traseiro que integra as ponteiras de escape, as barras de tejadilho e os vidros das portas posteriores (neste caso escurecidos). A completar a cosmética no exterior, esta série especial está identificada com logótipos com a inscrição Sportline nas laterais e na dianteira do veículo.
No interior, a dotação não é menos... aparatosa. Desde logo, os bancos desportivos com estofos em tecido com pespontos em prata (acabamento extensível ao apoio de braço dianteiro) e correto suporte lombar. As inserções decorativas no tablier e consola, o painel de instrumentos com emblema Sportline e o volante multifunções desportivo com revestimento a pele perfurada completam os elementos que estão mais à vista.
Em plano visualmente inferior, mas igualmente valorizadores da imagem desportiva, destacam-se os pedais em alumínio, os tapetes específicos, a soleira das portas com logótipo Sportline, o forro do teto em preto e a iluminação ambiente em LED.
Sem expressão no look do Karoq, mas enriquecedores da dotação de equipamento, são de série nesta versão o sistema de abertura e ignição sem chave, o programa de condução Driving Mode Select com ESP de duas fases, o sensor de luz e chuva e o espelho retrovisor anti-encandeamento automático.
E assim se anima (e bem) o interior do Karoq, quiçá excessivamente sóbrio de origem, mas irrepreensível na construção, na qualidade dos materiais e na ergonomia. Virtudes incólumes nesta versão. Tal como a do espaço abundante, onde se acomodam três adultos nos lugares posteriores e na bagageira 521 litros de volumetria de carga na configuração convencional. Esta permite-se variar através de denominado sistema VarioFlex em que os bancos traseiros deslizam sobre calhas (longitudinalmente). Recuando-os, restringe-se a capacidade da bagageira a 479 litros (beneficiando a habitabilidade, ao aumentar o espaço para as pernas dos passageiros); avançando-os, amplia-se a mala para 588 litros (privilegiando o transporte de bagagem). Um máximo de 1630 litros é obtido com o rebatimento completo dos bancos posteriores.
Embora sem modificações no chassis, o SUV compacto checo garante a conformidade com o apelo desta versão desportiva no amortecimento firme original, que permite restringir os movimentos da carroçaria em curva, sem penalizar demasiado o conforto e a filtragem das irregularidades do piso. No resto que se coaduna com ainda com a imagem Sportline, o Karoq trava com eficácia e a direção tem assistência correta e boa precisão. Na cidade, por exemplo, o SUV revela-se facilmente manobrável, incluindo a estacionar.
Por último, mas não menos importante, o contributo ótimo da motorização a preceito deste visual. Conhecido Diesel de quatro cilindros com 150 cv de origem VW, disponível a baixas rotações, para acelerações despachadas, e suave e progressivo em ampla faixa de regime. A associação do 2.0 TDI com a caixa manual de 6 velocidades, bem escalonada e com engrenamento dócil, não só garante de prestações convincentes, mas também consumos comedidos para os níveis de potência e cilindrada, em redor de 6,5 a 7 l/100 km.
Imagem desportiva ou tão somente mais jovial e apelativa, é a que a série especial Sportline atribui ao SUV compacto Karoq. Visual que não é defraudado nas performances do veículo ou no seu dinamismo, porque a Skoda só o disponibiliza com os motores de 150 cv da sua gama: Diesel e a gasolina. O primeiro, neste teste, exclusivamente associado a caixa manual de seis velocidades, garante a elevação das prestações.