Sem retirar protagonismo a outros modelos da marca, a chegada do CX-30 ao portefólio da Mazda é de extrema importância, tratando-se de um modelo que se encaixa numa categoria que está em crescimento acelerado. Por outro lado, reúne atributos bastante interessantes, tendo medidas exteriores acima das do CX-3 e abaixo das do CX-5, mesmo que o aproveitamento dessas dimensões no habitáculo até pudesse ser melhor, pelo menos se se comparar com alguns dos (possíveis) concorrentes diretos, como é o caso do Qashqai da Nissan ou do 3008 da Peugeot, por exemplo.
Refira-se que o espaço à frente é amplo e envolvente, inclusive na zona do posto de condução, o qual tem posição corretíssima e bem centrada, com ajustes fáceis e comandos à mão, ladeado por materiais/forros de qualidade, onde sobressai o rigor da montagem e a perfeição dos acabamentos, nomeadamente no topo do tablier, na consola e nos apoios das portas. Existe essa perceção de qualidade em vários detalhes e o nível de equipamento Evolve contribui para a atmosfera de conforto que existe a bordo. Tipicamente... Mazda!
Até ao final de 2019, sem custo adicional, as versões de lançamento acrescentaram ainda a abertura/fecho por comando elétrico do portão da bagageira (um bocadinho lento a operar...), sensores acústicos à frente e atrás e câmara traseira para auxílio nas manobras de estacionamento, além de vidros escurecidos à retaguarda e jantes em liga leve de 18’’, estas associadas a pneus Bridgestone Turanza 215/55.
Ainda no domínio do conforto e das dimensões, interessa dizer que o CX-30 aproxima-se muitos doutros adversários de peso, como o já referido Qashqai, por exemplo, inclusive na capacidade da bagageira (430 litros úteis), cujo acesso é funcional, graças à entrada desimpedida e à altura em que se encontra a plataforma de carga. É certo que a versatilidade dessa zona até podia ser superior, ainda para mais num SUV, mas o rebatimento assimétrico dos encostos traseiros está contemplado e a posição mais elevada dos assentos facilita a entrada e a saída dos passageiros. O ângulo de abertura das portas não é grande, mas não há dificuldades por aí, sendo mais evidente a dimensão avantajada do túnel traseiro, a meio, em baixo, certamente prejudicial à vida de um possível 3.º passageiro atrás. A distância até às costas dos bancos da frente nem sequer é má, mas há melhor dentro da categoria e, por vezes, é exigível que essa amplitude seja negociada com os utentes da frente. Pouco grave, tanto mais se essa discussão se colocar no âmbito familiar. Outro reparo diz respeito à dimensão estreita do óculo traseiro, limitando um pouco a visão à retaguarda por parte do condutor, em estrada, embora isso seja atenuado nas manobras de parque pela câmara posterior, a qual projeta as imagens no ecrã central, este último com grafismo e funções melhoradas face aos anteriores dispositivos da marca.
Base do Mazda3 e motor híbrido
O CX-30 é baseado na plataforma da 4.ª geração do Mazda3, integrando novas assistências à condução, nomeadamente a que diz respeito à manutenção automática da faixa de rodagem (com controlo atempado por parte da direção caso haja desvio não autorizado...), além de recorrer aos mais habituais avisos de ângulo morto e de colisão frontal, assim como à travagem automática em caso de emergência, neste caso com deteção de peões. Estes sistemas estão bem ajustados à avaliação que é feita da condução, muito confortável, aliás, sendo possível ativar o cruise-control adaptativo, que regula a distância para os veículos que seguem à nossa frente. De série, o head-up display é outra mais-valia (com vários dados projetados no para-brisas à frente do condutor), mas é a própria genética do CX-30 que contribui para a eficácia em estrada (peso e centro de gravidade baixos), algo que se vê nas reduzidas oscilações em curva e nos movimentos controlados da carroçaria.
Menos SUV, mais berlina, talvez até porque a altura ao solo não está assim tão acima do Mazda3, por exemplo, e isto apesar da imagem crossover. A suspensão é confortável q.b. e não há reações excessivamente firmes, mesmo nos pisos irregulares, a par da boa resposta por parte dos Bridgestone, sem que o ruído de rolamento seja elevado.
A grande suavidade da condução é devida à mecânica M Hybrid a gasolina, com apoio de motor-gerador elétrico (bateria extra de iões de lítio de 24V) que permite baixar consumos (6,9 l/100 km) e emissões, recuperando a energia das desacelerações e travagens. A desativação de cilindros é outra tecnologia pouco comum nesta classe e também traz vantagens nesse domínio, atuando de forma impercetível e... silenciosa. Aliás, a serenidade acústica é transversal à natureza do novo bloco 2.0, de baixo ruído e isento de vibrações.
Nota final para a direção, que é precisa e rápida, gerando confiança.
Do ponto de vista racional, o novo CX-30 é um excelente produto, projetando a estreia da Mazda no segmento C dos SUV compactos. O formato é consensual e as dimensões estão bem ajustadas às necessidades familiares, embora o interior pudesse ser mais amplo, pelo menos face à concorrência. Na versão testada há alguns trunfos que importa destacar, desde o baixo ruído e suavidade do bloco Skyactiv-G, passando pelos consumos equilibrados, até à própria qualidade da condução, inclusive do tato da direção