Nunca a marca que se rege pela máxima do ‘Simply Clever’ terá tido um modelo... tão inteligente. Na verdade, o Scala é, por excelência, o primeiro modelo do segmento dos compactos (onde pontuam VW Golf, Ford Focus, Opel Astra, etc.) da Skoda, pois o Octavia está acima em termos de dimensões, proporções ou até mesmo formato da carroçaria.
Com quase 4,4 m de comprimento, interior realmente espaçoso – em particular na oferta de espaço para pernas no banco traseiro e bagageira que chega a impressionantes 467 litros, podendo alcançar os 1410 e oferecendo amplo acesso e formas que permitem encaixar objetos realmente volumosos – e conjunto de soluções tecnológicas que se estreiam na Skoda, o Scala vai ao encontro das principais exigências de quem procura um compacto de cinco portas.
Entre as referidas novidades na marca, o Scala demarca-se pela estilosa tampa de bagageira em negro, ladeada pelos conjuntos óticos LED marcados por luzes de pisca dinâmicas. Se presente o opcional teto panorâmico, o tejadilho ganha cor negra, que funciona bem enquanto contraste.
Esta bem equipada versão Style, em análise, acrescenta ainda as luzes dianteiras totalmente a cargo de tecnologia LED com comutação automática entre médios e máximos, alerta de aproximação com travagem automática (para evitar colisões) e aviso de saída de faixa com intervenção e correção automática na direção, sistema que se mostrou algo intrusivo na condução...
Abrindo portas, o interior do Scala revela o foco nas aplicações tecnológicas, com painel de instrumentos totalmente digital e permitindo diversos e interessantes cenários informativos, acompanhado pelo também novo sistema de infoentretenimento gerido em monitor central tátil de 9,2’’, que não esquece a inclusão de sistema de navegação (já com informações de trânsito ou de obras na estrada em tempo real, além de 64 Gb de armazenamento). Este sistema, denominado Amundsen, tem no grafismo clarividente, ótima definição de imagem (cartografia 3D), botões de generosas dimensões e navegabilidade intuitiva os seus mais fortes atributos, quer visuais, quer práticos, permitindo a eliminação de diversos comandos físicos. De qualquer forma, apreciaríamos a presença de botões para comandar a intensidade da ventoinha da climatização.
Se espaço e equipamentos não faltam, o certo é que o Scala ainda consegue alargar os motivos de interesse à simplicidade de utilização, quer seja pelo amplo acesso ao habitáculo, quer pela facilidade de utilização no quotidiano. O interior rege-se pela simplicidade ergonómica, justa oferta de locais de arrumação e acrescentos práticos, somando agora a presença de uma tampa no reservatório da água do limpa-vidros que se transforma em funil, facilitando a operação de atesto, à já habitual presença de chapéu de chuva que se guarda na porta do condutor. Tudo sem esquecer uma cada vez mais importante veia de personalização, mesmo em marcas como a Skoda, permitindo, por exemplo, dotar um modelo de índole marcadamente familiar como o Scala com pack de equipamentos desportivos (Dynamic, por 490 €) incluindo as quase baquets dianteiras com ótimos apoios, bem como os pedais de acabamento metálico, forro interior a negro e volante com pele perfurada e base cortada.
A qualidade geral está em consonância com o restante espírito do modelo, com os nossos olhos bem servidos pelo aspeto clean do tablier e pelos apelativos grafismos da instrumentação e infoentretenimento, notando-se que a Skoda
poderá ter poupado algum investimento em plásticos aplicados em zonas mais afastadas ao olhar, em alguns revestimentos e isolamentos (o ruído da mecânica Diesel chega facilmente ao habitáculo) ou ainda nas folgas existentes entre os painéis exteriores da carroçaria. Ou seja, em nada de realmente preocupante.
Onde a Skoda também terá poupado foi na base conceptual do Scala, apoiado na plataforma MQB A0 do Grupo VW, ou seja, onde também nascem, por exemplo, VW Polo e Seat Arona – modelos de segmento abaixo, entenda-se. Nada que manche o desempenho dinâmico, marcado pela ligeireza das reações e condução fluida no trânsito citadino. Os únicos sinais desta contenção serão revelados por alguma inferior serenidade no amortecimento, em particular por parte do eixo traseiro, tal como por uma menor perceção de estabilidade a velocidades elevadas (face a outros modelos do segmento), embora nada que ponha em causa a segurança ou a capacidade de rolar rapidamente!
Na verdade, o Scala mostra extrema competência dinâmica no casamento com a unidade 1.6 TDI. Não que seja a opção mais acessível da gama – reservada para a motorização 1.0 TSI a gasolina – mas porque o desempenho, entre performances e consumo, é de nível elevado. As performances são lestas, servida que está a transmissão por certinha unidade manual de 6 velocidades (automática DSG entre os opcionais, disponível por 1294 €), em que apenas a sexta relação se apresenta algo desmultiplicada, seguramente participando na necessidade de contenção de emissões poluentes e na homologação de consumos. Mas que se espelha em resultado prático verdadeiramente contido, com médias verificadas quase sempre inferiores a 5 l/100 km, independentemente do tipo de circuito, pelo que os 50 litros no depósito rendem facilmente para mais de 1000 km. Rolando-se a velocidades dentro dos limites legais, é mesmo fácil conseguir-se 4,4 l/100...
De mãos dadas com o baixo consumo e preço contido (face ao segmento e em particular neste completo nível de equipamento da versão Style), a orientação racional do Scala sai reforçada pela oferta de plano de manutenção durante quatro anos ou 80 mil km.
Não tem travão de mão elétrico, espelhos de cortesia iluminados nas pálas ou uma pega interior de jeito na tampa da bagageira. Mas tem espaço e bagageira como poucos e já conta com diversos e tecnologicamente avançados elementos da era digital no moderno habitáculo. O Scala poderá rapidamente tornar-se no mais importante modelo da gama Skoda: inteligente, atual e muito prático.