O Mazda6 atingiu, na sua mais recente modernização, a partir dos primeiros meses do corrente ano, um estado de maturidade referencial, constituindo-se como um automóvel de qualidade global que o posiciona no topo da hierarquia do segmento médio generalista, um estatuto só partilhado com a nova geração do Peugeot 508 e o ainda agora atualizado VW Passat. Tal como estes modelos, o Mazda6 está disponível na carrinha (Station Wagon), variante mais familiar e com versatilidade acrescida comparativamente à berlina, em que a bagageira, generosa na oferta de espaço e ampliável mediante o rebatimento dos bancos posteriores, adquire o protagonismo principal.
Contudo, não é a capacidade de carga (igualmente de referência na categoria) – ou mesmo a habitabilidade (idem), próprias de uma carrinha, que evoluíram na referida atualização do modelo, mas sim a perceção de qualidade e a dotação e sofisticação tecnológicas no interior do veículo, o seu comportamento dinâmico, em rigorosíssimo compromisso entre eficácia (estabilidade) e conforto, e ainda o desempenho e eficiências da maioria das motorizações. Um dos exemplos é a que submetemos a teste, Diesel de topo de gama, de 2,2 litros com 184 cv, acoplada a caixa de velocidades automática. Ao que se acrescenta o nível de equipamento mais recheado do catálogo do modelo, Special Edition Navi, como se tratasse de regime de tudo incluído. No banco de órgãos e tecnologias da Mazda pouco ou nada faltará a esta carrinha, e o mais seria entrar na vastidão de equipamentos e no vanguardismo tecnológico dos produtos de marcas premium – ainda que a maioria sejam opcionais.
Desde logo, as performances ótimas do Diesel biturbo Skyactiv-D 2.2, uma mecânica possuidora de elasticidade e consistência, sustentadas no rendimento elevado de 184 cv e 445 Nm (logo a partir das 2000 rpm), mantendo ruído e vibrações baixos, e que o automatismo da caixa de seis velocidades sublima com extra de conforto e facilidade na condução. À excelência das prestações associe-se a eficiência no consumo de combustível, que perfaz uma média contida em utilização real (segundo medição neste teste) de cerca de 7 litros/100 km. Ainda assim, 1 l/100 km superior à homologada em ciclo WLTP.
Em harmonia com a qualidade de construção, dotação tecnologia – em que contam inúmeros sistemas modernos de assistência à condução –, e performances elevadas, está o comportamento dinâmico do Mazda6 SW, referencial entre conforto e eficácia (reforce-se), com ênfase para a competência do amortecimento, suave na filtragem das irregularidades do piso, sem penalizar a agilidade da carrinha em curva, uma das mais estáveis e seguras do segmento – e a ombrear com concorrentes premium (reforce-se mais ainda). A dourar o dinamismo do automóvel, a direção, precisa e comunicativa.
Beneficiando do conforto de rolamento, a habitabilidade da carrinha da Mazda também está em muito bom plano, assegurada pelo espaço e ergonomia dos bancos, com ênfase para os posteriores, onde podem instalar-se três adultos, embora o que se sentar ao meio se debata com habituais constrangimentos criados pelo túnel da transmissão e pela estreiteza do assento.
De resto, destaque para o sistema de rebatimento dos bancos traseiros, acionado através de duas patilhas nas paredes da bagageira e que permite configurar, de forma prática e instantânea, o piso de carga numa superfície totalmente plana, ampliando para 1664 litros a volumetria de base (522 litros) daquele compartimento.
Custa mais de 55 mil euros, mas a carrinha Mazda6 Diesel de 184 cv com caixa automática, na versão de equipamento topo de gama, vale cada cêntimo. Posicionando-se como um dos produtos com maior qualidade geral do segmento médio generalista e no limiar da excelência dos premium, e que na maioria destes constitui-se de opcionais pagos a peso de ouro. A Mazda é uma marca muitíssimo menos exuberante do que a qualidade dos seus produtos.