No Leaf 62 khW e+, versão otimizada, mais potente e com maior autonomia, do modelo elétrico mais vendido na Europa, há 67 cv de potência adicionais, atingindo 217 cv (160 kW), já relativamente elevada para uma berlina de segmento C e ainda 115 km de autonomia extra com uma única carga, chegando a homologados de 385 km, segundo mais confiável ciclo WLTP. A versão de base do modelo, de 150 cv e 40 kWh é menos expedita nas prestações e fica-se por 270 km.
Comecemos pelo primeiro melhoramento, a subida da potência para performances igualmente superiores. Na prática, as diferenças são substanciais, ainda que os registos das performances possam ser relativizados perante o suposto mais importante fator económico e ambientalista inerente ao automóvel elétrico. De qualquer modo, as prestações do e+ são bem mais velozes, conferindo ao veículo um desempenho melhor e por consequência uma condução mais agradável. Associado à mesma caixa automática de velocidade única, o motor mais potente impele mais energicamente o Leaf, beneficiando as recuperações de ritmo (velocidade) determinantes, por exemplo, para manobras de ultrapassagem seguras.
Todavia, parece-nos que a maior benfeitoria da Nissan a esta versão da berlina hatchback é o aumento relevante da capacidade da bateria, para de 40 kWh para já referidos 60 kWh, o que permite à viatura ir muito além de 300 km entre carregamentos. Neste teste, iniciámos um turno de utilização do Leaf com a bateria a 98 por cento da capacidade e terminámo-lo a 4%, após 320 km… no interior da nossa garagem. Em análise anterior à versão com bateria menor, percorreramos apenas 220 km. É uma diferença de 100 km redondos, o que vale muitíssimo num elétrico nos dias de hoje. O Leaf é agora muito mais um viajante (ainda que distante de ser de longo curso como um congénere com motor de combustão, Diesel ou mesmo a gasolina), agora quase um… Tesla. O constrangimento a cada deslocação mais longa reduz-se sobremaneira e numa utilização quotidiana típica de casa-trabalho-casa, num trajeto misto maioritariamente urbano, esta versão do compacto Nissan permite ao condutor esquecer-se de o colocar a carregar uma ou duas noites sem o risco de ter que desesperadamente alcançar um qualquer posto – que poderá não funcionar… – para não ficar a zeros na estrada.
Nessa primeira etapa de utilização da (nova) bateria deixámos o Leaf a carregar em casa, ligado a uma tomada de rede doméstica (a 2,3 kW). Durante seis horas da noite, a percentagem de energia na pilha subiu apenas 30%. É insuficiente se tiver chegado quase esgotada. O tempo de uma carga completa é estimado em 32 horas... Como tal, desaconselha-se. Ou então, recomenda-se a aquisição de opcional carregador Wallbox (7 kW) da Nissan, recarregando-se a bateria de 20 a 80% em 7,5 horas (11,5 horas completamente) e em postos de carga rápida (100 kW), pouco menos de 50% ou o equivalente a 157 km em aproximadamente meia hora, o dobro para enchê-la de 20 a 80%.
No banco traseiro, acomodam-se dois adultos em conforto e três com algum condicionamento para o passageiro que se sentar no lugar do meio, na zona dos pés, devido a uma saliência no piso. Acrescente-se a qualidade mediana de construção do interior, mas a sua abundante dotação de equipamento.
