O Corsa, lançado originalmente em 1982, é o best-seller da Opel, que já vendeu globalmente cerca de 13,6 milhões de unidades do seu utilitário. O popular modelo alemão concorre no segmento mais importante na Europa – quota de 20,4% em 2018, de acordo com números da JATO Dynamics –, descontando-se os SUV.
O ano passado, as vendas do subcompacto da marca do relâmpago abrandaram 6,8%, o que provocou derrapagem no ranking dos modelos mais populares no Velho Continente, para a 6.ª posição. Por tudo isto, não é complicado perceber porque é automóvel decisivo para a estratégia de crescimento da casa de Rüsselsheim, sendo que esta nova geração (F) será a que irá cortar o cordão umbilical com todas as outras. A integração da Opel na PSA, formalizada em 2017, atrasou o programa de desenvolvimento da nova geração do Corsa, a 6.ª desde 1982. E o novo plano incluiu até mudança de plataforma, com adoção de arquitetura moderna (CMP) estreada, muito recentemente, no DS 3 Crossback e na nova geração Peugeot 208, produzido sobre a mesma base, que permite a coabitação de mecânicas térmicas e motores elétricos.
No Corsa F, as dimensões exteriores mudam pouco, com o comprimento a aumentar de 4,021 para 4,060 metros. A alteração mais importante é a da altura, que diminui em 48 mm. E com esta, o utilitário ficou também mais apertado. Sob jugo da fita métrica, comparando-o com o modelo que sai de cena, o novo Corsa tem mais 2 cm de largura à altura dos ombros para os ocupantes dos lugares dianteiros, mas atrás há menos 6 cm naquela medição.
Tal como sucedeu com todos os modelos mais recentes da Opel, a sexta geração Corsa foi otimizada no túnel de vento da Universidade de Estugarda. O resultado final traduz-se num coeficiente de resistência ao ar (Cd) de apenas 0.29, o que é um excelente valor para um automóvel destas dimensões. Todavia, na criação deste novo desenho, penalização para a funcionalidade, nomeadamente no acesso aos lugares posteriores, compromisso assumido pelo fabricante em prol do aumento da eficiência e das sensações dinâmicas. Otimizando-se a aerodinâmica e baixando-se o centro de gravidade, melhoram-se a dinâmica, os consumos de combustível e as emissões poluentes. Para melhores sensações ao volante, intervenção até na altura da posição de condução, que baixa 28 mm. E depois, com rigorosa dieta, reduziu-se o peso até 180 kg face ao antecessor. Este Corsa é mais leve, o que reduz consumos, mas, também importante, tem a condução mais divertida. A ideia que se deixa levar com dois dedos é corroborada pela suavidade notável de todos os comandos essenciais à condução, sem que isso se traduza num feedback mais pobre. Ao contrário...
São notórias as diferentes reações do Corsa na estrada, exibindo um pisar muito mais tolerante e equilibrado no casamento com a perceção de segurança em curva. Agora, todo o conjunto parece trabalhar em sintonia total, com o eixo traseiro a surgir mais agarrado à estrada e mais obediente, o que muito ajuda à precisão da dianteira. Evidente é também a superior capacidade informativa da direção e o exponencial aumento de agilidade e precisão em curva (saliente-se o contributo do aumento da rigidez torcional em 15%, não obstante a redução do peso). O rebaixamento de toda a secção frontal da carroçaria também contribui para este efeito. A aerodinâmica foi otimizada, quer com zonas de fundo plano, quer com grelhas frontais ativas em algumas das motorizações, incluindo neste 1.2 turbo a gasolina. Este motor que... engana. O mil-e-duzentos de origem PSA parece bem ter mais do que os 100 cv inscritos na ficha técnica, sobretudo depois de embalado, e mesmo apesar da juventude da mecânica que equipava a nossa unidade de teste, que chegou às nossas mãos com 4 km (!) rodados...
O pequeno bloco a gasolina impressiona pela resposta pronta e funcionamento vigoroso na restante faixa do conta-rotações, sempre com vivacidade, assim garantindo prestações de muito bom nível, sem pedir recurso frequente ao seletor da transmissão manual. Nas recuperações, a caixa de seis é um argumento a favor, embora uma das chaves do ótimo desempenho deste motor seja a capacidade de estar a operar com 95% do binário num amplo intervalo de utilização (entre as 1500 e as 3500 rpm), sem esquecer que deste tricilíndrico conseguem extrair-se 205 Nm. Conduzindo-se sem pressas, os consumos ficarão quase sempre abaixo da fasquia dos 7 l/100 km.
O posicionamento de preço competitivo é outro dos trunfos desta versão Elegance, com perfil orientado para o conforto. A decoração do interior não tem a chama de irreverência de outros compactos do Grupo, talvez não seja essa a ideia da Opel. O painel de bordo prima pela ergonomia corretíssima, com a redução importante do número de botões físicos, já que a maioria das funcionalidades do automóvel se concentra no ecrã tátil central que reconhecemos dos Peugeot. No que respeita a dotação de equipamentos, face ao mais acessível Edition, o Elegance acrescenta, de série, iluminação do habitáculo em LED, consola central com apoio de braços e compartimento para objetos, vidros traseiros de comando elétrico, rádio IntelliLink com Mirrorlink e o referido ecrã tátil com 7”. Nos itens de segurança, a estreia de diversos sistemas de assistência à condução, como são os faróis adaptativos de matriz de LED: oito elementos de LED controlados por uma câmara dianteira de alta resolução, de nova geração, adaptam continuamente o feixe de luz às condições de tráfego. Com a nova câmara dianteira, assistente de sinais de trânsito entre as novidades.
No consórcio francês PSA, a coqueluche do momento é este motor 1.2 Turbo, moderno bloco a gasolina com apenas três cilindros, recorrendo à combinação injeção direta e sobrealimentação (por turbo), que conhecemos em variadíssimas versões, e que chega agora ao catálogo… da Opel. Na mais modesta declinação de 100 cv (há variante de 130 cv), este propulsor funciona especialmente bem no recém-chegado Corsa, começando pelo... preço: transporta vantagem de 4000 € na comparação com o Diesel equivalente (1.5 Turbo D/100 cv), mesmo considerando- se que o motor a gasolina possa consumir mais. É escolha acertada para automóvel importantíssimo que evoluiu em todas as direções. O Corsa da sexta geração é talvez o mais dinâmico e apelativo de sempre.