Mercedes-Benz A 180 d Limousine

Consolidação

TESTE

Por João da Silva 01-03-2020 16:05

Fotos: Gonçalo Martins

Os automóveis com carroçaria três volumes há muito que passaram à história no nosso país, sendo comummente apelidados como carros de velho ou carros com rabo, tendo sido progressivamente preteridos pelos mais modernos de 5 portas, coupés e carrinhas (carroçarias hoje superadas em quase todos os segmentos pelos SUV).

Lá fora, no entanto, nomeadamente em Espanha, os quatro portas continuam a ter bastantes adeptos, daí que não seja de espantar que a Mercedes tenha apostado numa variante Limousine (chama-se Sedan no estrangeiro) do comercialmente muito bem-sucedido novo Classe A.

O que distingue o Mercedes-Benz Classe A Limousine do Classe normal além carroçaria de três volumes e quatro portas? Basicamente, o terceiro volume, pois a distância entre eixos, a largura e a altura são exatamente iguais, diferindo apenas o tamanho do rabo (leia-se comprimento) que acrescenta mais 13 cm, atingindo 4,549 metros. Este acrescento tem influência na obtenção de melhor coeficiente de aerodinâmica (apenas 0,22 Cd) e no aumento da volumetria da bagageira de 370 para 420 litros, importante argumento na sustentação da vocação mais familiar que a Mercedes apregoa para esta carroçaria. Parece-nos que hoje em dia as famílias querem é SUV, mas pronto, os senhores do marketing lá saberão.

Bom é o acesso ao compartimento de bagagem, garantido através de uma abertura ampla, com 950 mm de largura e 462 mm na diagonal entre a fechadura e a base do óculo traseiro, havendo ainda a acrescentar a possibilidade de rebatimento tripartido das costas do banco traseiro (40:20:40). Este pode ser operado a partir da mala e a presença de alçapão sobre o piso – não há lugar para roda sobressalente. Nota para os muito bons revestimentos.

A qualidade de materiais e de revestimentos é um dos pontos altos do compacto alemão, bem como o rigor de construção e os acabamentos, sendo este Classe A um ótimo exemplo das razões por que a marca Mercedes é desde há muitos anos sinónimo de qualidade.

Quanto à habitabilidade, não se verifica crescimento face ao 5 portas, com a distância entre eixos exatamente a mesma, tal como a estrutura do habitáculo. Interessa, no entanto, referir que o novo Classe A evoluiu neste aspeto face à anterior geração, que era precisamente alvo de críticas ao habitáculo acanhado. No novo A, a utilização de evolução da plataforma da geração anterior, com distância entre eixos com mais 3 cm, bem como as formas mais volumosas da carroçaria, mais comprida e larga (mais 14 mm que permitiram aumentar as vias com vista a um comportamento dinâmico mais eficaz), resultou em acréscimo de espaço no habitáculo, sendo que os passageiros dos bancos traseiros usufruem agora de um pouco mais de espaço para arrumar as pernas em comprimento e, sobretudo, de maior desafogo em largura (o novo design interior das portas deu uma ajuda importante neste aspeto) e altura. No entanto, apesar de todas as melhorias, o novo A (de 5 ou 4 portas) ainda dificulta a arrumação das pernas aos adultos mais altos. Depois, apesar do aumento na largura, o lugar do meio continua a ser incómodo. Não só porque assento e encosto são salientes – é mesmo uma espécie de separação entre os dois bancos laterais com formato anatómico e onde os passageiros de certa forma se encaixam –, mas também porque há enorme túnel da transmissão (das versões desportivas de 4 rodas motrizes) a dificultar a acomodação dos pés.

Por outro lado, à frente, há espaço e conforto para condutor e passageiro (os excelentes bancos desportivos muito ergonómicos forrados a alcantara e pele, com costuras a linha vermelha, dão um contributo precioso à boa sensação de comodidade) e gostámos muito da posição de condução, a qual é fácil de encontrar, com o banco bem posicionado face aos elementos relativos à condução e à quase totalidade dos comandos de elementos de gestão dos sistemas de bordo. E dizemos quase, porque o ecrã central fica um pouco longe do alcance da mão, o que não será verdadeiramente um problema, pois há várias formas de gerir o sistema de informação e entretenimento MBUX (Mercedes-Benz User eXperience), seja no volante, na consola central ou através da sempre gentil e disponível assistente Mercedes que responde de imediato quando dizemos o seu nome. Já testámos diversos automóveis da marca alemã com o novo MBUX e há que realçar que se trata realmente de nova forma de interagir com o automóvel, sobretudo este dispositivo de assistência de voz que dialoga com o utilizador e reage com inteligência se lhe dizemos que está calor no habitáculo, quando o informamos de um destino onde gostaríamos de ir, lhe dizemos para ajustar o ar condicionado ou lhe pedimos para nos informar das condições meteorológicas da nossa localização.

Testámos a variante Limousine do Classe A com bloco 1.5 Diesel herdado da anterior geração, mecânica onde foram operados alguns ajustes que subiram a potência dos 109 para os 116 cv, o que, em conjunto com a caixa automática 7G-DCT, permite uma condução globalmente fluida. E falamos de condução fluida, não de ritmos diabólicos, obviamente impossíveis para o escasso nível de potência em causa, como provam as medições que publicamos na ficha técnica e de que tomamos como exemplo a aceleração 0-100 km/h em 9,1 segundos ou a recuperação 60-100 km/h em 5,8 segundos. Gostámos do desempenho do motor e da caixa de velocidades, embora o ruído ao ralenti e em esforço seja um pouco exagerado e a caixa mostre alguma hesitação em aceleração mais forte. Mas o trunfo mais importante desta mecânica é, naturalmente, a frugalidade do consumo, como prova a interessantíssima média de 5,7 litros a cada 100 km que apurámos.

O motor não puxa a ritmos exagerados, mas acelerámos o que foi possível e só temos elogios a fazer ao desempenho dinâmico, com o compacto a revelar-se não só equilibrado como divertido a curvar, e isto sem beliscar minimamente a capacidade de filtragem das suspensões, as quais asseguram bom nível de conforto (bem superior ao da anterior geração), mesmo com as jantes de 19’’ da unidade que testámos.

A Mercedes conseguiu interpretar com modernidade o clássico formato de três volumes, criando um Classe A Limousine de aparência tão desportiva quanto apelativa. Esta variante acrescenta volumetria à bagageira do 5 portas, tornando o compacto alemão mais apelativo para quem valoriza o transporte de bagagem. De resto, seja qual for o formato da carroçaria, é difícil encontrar pontos fracos na 4.ª geração do novo Classe A, um automóvel com habitáculo tecnológico e de grande qualidade. A versão que testámos, 180 d, com mecânica a gasóleo de reduzida potência e moderna caixa automática de 7 velocidades, que convence pela fluidez de condução (ainda que por vezes prejudicada por alguma hesitação da transmissão) e, sobretudo, pela grande economia de funcionamento.

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Ficha Técnica

Caracteristicas

MERCEDES A

180 d Limousine

Motor
Arquitetura 4 cilindros em linha
Capacidade 1461 cc
Alimentação Inj. direta, TGV, Intercooler
Distribuição 1 a.c.c./16 v
Potência 116 cv/4000 rpm
Binário 260 Nm/1750-2750 rpm
Transmissão
Tração Dianteira
Caixa de velocidades Automática de 7 velocidades
Chassis
Suspensão F Ind. McPherson
Suspensão T Eixo de torção
Travões F/T Discos ventilados/Discos
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/11 m
Dimensões e Capacidades
Compr./Largura/Altura 4,549/1,796/1,446 m
Distância entre eixos 2,729m
Mala 420 litros
Depósito de combustível 43 litros
Pneus F 7,5jx19-225/40 R19
Pneus T 7,5jx19-225/40 R19
Peso 1455 kg
Relação peso/potência 8,5 kg/cv
Prestações e consumos oficiais
Vel. máxima 206 km/h
Acel. 0-100 km/h 10,6 s
Consumo médio 4,5 l/100 km
Emissões de CO2 117 g/km
Garantias/Manutenção
Mecânica 2 anos sem limite de km
Pintura/Corrosão 3/30 anos
Intervalos entre revisões 25000 km
Imposto de circulação (IUC) 146,79 €

Medições

MERCEDES

Acelerações
0-50 km/h 3 s
0-100 / 130 km/h 9,7 s
0-400 / 0-1000 m 16,9/31,1 s
Recuperações
40-80 km/h (D) 4,7 s
60-100 km/h (D) 5,8 s
80-120 km/h (D) 7,6 s
Travagem
100-0/50-0km/h 36,2/9,4 m
Consumos
Consumo médio 5,7 l/100km
Autonomia 754 km

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