Monovolumes com matrículas recentes é coisa que raramente se vê nas nossas estradas, sendo a razão do seu esmorecimento sobejamente conhecida: a emergência dos SUV. No entanto, alguns fabricantes continuam a apostar em formato que a certa altura também roubou, embora com menor expressão, o protagonismo às carrinhas enquanto veículo familiar de excelência.
Em carroçaria com 4,602 m de comprimento, 1,826 m de largura, 1,638 m de altura e distância entre eixos de 2,840 m, encontramos sem surpresa níveis de habitabilidade e de versatilidade muito elevados: na configuração normal, há cinco lugares ajustáveis longitudinalmente, sendo assim possível ajustar, consoante as necessidades, o espaço para as pernas dos passageiros. Depois, há dois lugares mais à retaguarda que podem ser ocupados por adultos de estatura mediana sem grandes apertos, ainda que obriguem a que os seus ocupantes fiquem as pernas um pouco encolhidas. Não serão, por isso, os lugares mais confortáveis em viagens longas, mas servem perfeitamente para trajetos curtos ou para as crianças, sendo fáceis de levantar e de guardar.
Na configuração de cinco lugares, a bagageira oferece boa volumetria de 645 litros (704 litros com os bancos da segunda fila chegados totalmente à frente), diminuindo para 170 litros quando há sete lugares à disposição. Refira-se, ainda, que todos os bancos são individuais, podendo ser levantados (o assento) ou deitados (o encosto), oferecendo assim grande versatilidade a habitáculo que conta com inúmeros apontamentos de ordem prática, como os tabuleiros rebatíveis situados nas costas dos dois bancos dianteiros ou os muitos, espaçosos e bem pensados espaços de arrumação.
Uma vez no lugar do condutor, constatamos a boa visibilidade em todas as direções conferida por posição de condução elevada que se torna um pouco cansativa em viagens mais longas, pois viajamos demasiado sentados, com as pernas praticamente a 90 graus. No entanto, o Grand C4 tem inúmeras regulações do volante e do banco, o que permite encontrar a posição mais confortável. Quanto aos materiais, este SpaceTourer destaca-se pela positiva: o tablier em borracha mole e a generalidade de materiais e de texturas são de qualidade razoável, ainda que alguns botões pudessem ser um pouco mais nobres. Gostámos também da construção, sólida, e dos acabamentos, não se encontrando arestas ou folgas realmente importantes entre os painéis.
O painel de instrumentos central tem 12’’ e está colocado numa posição elevada ao centro do tablier, oferecendo grande variedade de informações – velocidade, navegação e dados da viagem –, enquanto um pouco mais abaixo se encontra ecrã tátil de 7’’ para gerir o sistema de infoentretenimento. Em termos ergonómicos, seria desejável que estivesse em posição mais elevada para que o condutor não tivesse que baixar tanto o olhar para o ver e utilizar, até porque o sistema em causa não é o muito intuitivo.
Por baixo do curto capot encontra-se o motor Diesel 1.5 BlueHDi de 130 cv e 300 Nm, com caixa automática de oito velocidades, condizente com o tipo de utilização pouco apressada que habitualmente se faz num veículo com estas características, funcionando de forma fluida e sem esforço na maioria das situações, ainda que as prestações naturalmente não impressionem, como provam a aceleração 0-100 km/h em 12 segundos ou a recuperação 60-100km/h em 7,3 segundos. Mas este é um familiar por excelência.
Muito espaço para pessoas e bagagem, conforto de rolamento, competência e segurança dinâmica são trunfos do Citroën Grand C4 SpaceTourer, aos quais acrescem, nesta versão a gasóleo com acabamento Shine, frugalidade e farto equipamento de série, como sistema de navegação 3D com ecrã tátil, bancos dianteiros com massagem ou sistema Active Safety Brake.