Desde que o A4 sucedeu ao 80 em 1995, o estilo do modelo de segmento médio da Audi tem evoluído na continuidade, a expressão que é eufemismo da abordagem mais conservadora à renovação. A sexta geração do A4, em comercialização desde 2016, não rompeu com a anterior no design, mas modernizou-se estruturalmente de um modo mais profícuo.
Por estes motivos, não se aguardaria que o restyling a que o modelo foi submetido trouxesse significativos progressos, tão-só os mais triviais retoques no desenho do exterior, com recurso a não menos costumeira cosmética à dianteira e à traseira do automóvel – restringida aos elementos integrados nos para-choques, e no caso, à modificação do formato das óticas e a modernização tecnológicas das luzes, incluindo LED de série.
Intervenção igualmente no interior, através do reposicionamento de componentes e do aperfeiçoamento de revestimentos e decoração, de que se destaca a supressão do interface já tradicional da Audi (MMI), cujo botão rotativo (e anexos) foi substituído por um monitor tátil instalado sobre o tablier, a que foi adjudicada a maioria das funções, exceto a climatização.
No resto, quase tudo na mesma. No habitáculo continuam a dominar materiais de excelente qualidade e acabamentos a condizer, e os passageiros do banco posterior a desfrutarem de habitabilidade ótima, à exceção do ocupante do lugar do meio, que é incomodado pelo volumoso túnel no piso e do encosto pouco anatómico, por acolher uma consola (para apoio de braço e porta-copos incluído) extraível. Estes bancos são rebatíveis em frações 40/20/40 e em alternativa aos trincos na parte superior dos encostos podem acionar-se através de puxadores colocados nas paredes da bagageira, cujo volume de carga é de 495 litros na configuração convencional. Este é um valor que, entre os concorrentes diretos do segmento premium, supera apenas o do Mercedes-Benz Classe C Station (460 litros), é ligeiramente inferior ao do novo BMW Série 3 Touring (500 litros) e muito abaixo do que oferece o Volvo V60 (530 litros) –, e que se amplia para 1495 litros com o referido rebatimento total dos bancos da segunda fila.
A facilidade de utilização desta área beneficia da inclusão de carris longitudinais em alumínio onde podem ser colocados vários elementos para fixar a carga ou criar espaços diferenciados para acondicioná-la. Por baixo do piso do porta-bagagens (que é reversível, tendo um lado em alcatifa e o outro em borracha) há uma zona para guardar os referidos utensílios de fixação de carga, tal como a rede de separação do habitáculo (tanto atrás da segunda fila de bancos como da primeira).
A forma muito regular da bagageira, o fundo totalmente plano, a reduzida altura ao solo do seu acesso (dita boca de carga), os ganchos, a tomada de 12V e os pontos de iluminação LED contribuem para que a sua utilização seja fácil e prática. A cobertura da bagageira move-se automaticamente a acompanhar o movimento da tampa da bagageira que tem acionamento elétrico de série – ou em opção através de movimento do pé sob o para-choques.
A gama de motorizações em Portugal é composta por duas versões do Diesel de 4 cilindros e dois litros, 2.0 TDI, em que a unidade de base passou a debitar 163 cv (agora denominada de 35 TDI), em substituição da de 150 cv, e outra de 190 cv no topo da hierarquia (40 TDI). O 35 TDI está acoplado à caixa automática de dupla embraiagem (S Tronic) de 7 velocidades e gere a transmissão da energia motriz às rodas dianteiras. A resposta é enérgica desde baixos regimes (1750 rpm) e a progressão lesta e consistente em praticamente toda a faixa de utilização da mecânica, com as passagens de caixa a processarem-se sem hiatos e com a rapidez que a dupla embraiagem proporciona. Às boas prestações, o motor concilia economia bastante satisfatória, registando-se consumos médios em redor de 7 litros/100 km. O baixo ruído de do motor Diesel alia-se à correta insonorização do habitáculo para promover o conforto e bem-estar a bordo.
O A4 Avant sente-se mais ágil nas transferências de massas, na forma como curva, no pisar do asfalto, ao mesmo tempo que consegue conservar e elevar os níveis de conforto globalmente, mesmo com a opcional suspensão desportiva mais baixa 20 mm – instalada nesta unidade –, os ocupantes não são colocados em sobressalto por quaisquer irregularidades da estrada.
A novidade mais relevante no restyling do A4 é a supressão do comando rotativo (e dos botões anexos) do interface homem-máquina MMI, que estava instalado na consola central entre os bancos dianteiros, em substituição de um monitor tátil em posição cimeira ao tablier, que passa a concentrar as funcionalidades de bordo, com exceção da climatização. O mérito da decisão não é consensual. Ao contrário, do da introdução de novo Diesel 2.0 de acesso à gama, com 163 cv, associado à caixa automática S Tronic. As boas prestações e economia conjugam-se com o dinamismo, o conforto e o espaço da carrinha.